Sem citar nomes, Joice Hasselmann diz suspeitar de duas pessoas em caso de agressão: “Um é deputado”
Parlamentar acredita ter sofrido um atentado e promete processar quem acusar o marido de violência doméstica
A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) afirmou, em entrevista à CNN Brasil, que entregou à polícia dois nomes de pessoas que ela suspeita que possam ter relação com as agressões que sofreu no último final de semana, em seu apartamento, em Brasília. Ela acredita que pode ter sido alvo de um atentado.
“Eu não descarto nenhuma hipótese. Eu poderia ser leviana e dizer ‘olha, meus detratores políticos, que me perseguem e me ameaçam de morte são esses, esses e esses’. Porque isso está público, eles me ameaçam publicamente. [Entreguei] duas suspeitas, dois nomes à polícia. Seria irresponsável [dizer quem são] nesse momento porque um deles pode ser inocente”, disse ela.
Joice suspeita de duas pessoas ligadas ao governo. Ela não revelou os nomes, mas afirmou que um deles é um parlamentar. “Eu tenho uma suspeita e passei para a Depol [Departamento de Polícia Legislativa] o nome de uma pessoa, um grande desafeto político, que tem acesso a esse bloco [o prédio onde vive em Brasília] de maneira muito fácil. Passei dois nomes, na verdade”, afirmou Joice.
“Eu sei que um deles [dos suspeitos] tem acesso muito fácil ao prédio. E o outro tem acesso muito fácil aonde quer que ele queira”, disse a deputada. Estes suspeitos, segundo Joice, teriam feito ameaças, inclusive públicas. “O outro é um desafeto que já me mandou alguns recados um pouco pesados e recentemente eu dei uma entrevista em outro estado brasileiro, fazendo críticas muito duras a essa pessoa”, afirmou
Joice afirmou também que vai pedir explicações ao general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). A parlamentar diz ter recebido, de uma fonte interna do GSI, a informação de que o órgão estaria tentando atribuir os ferimentos dela a um acidente de carro.
Dias após o incidente, uma capa falsa do jornal O Estado de S. Paulo circulou pelas redes bolsonaristas com a versão de que a parlamentar teria batido o carro por estar sob o efeito de álcool e drogas. A parlamentar já havia falado sobre o assunto em entrevista ao Portal UOL na última sexta-feira (23).
Uma das hipóteses de Joice é que um suposto agressor teria entrado no imóvel com antecedência, já que a Câmara tem cópias das chaves de todos os apartamentos funcionais.
Segundo ela, uma carteira de cigarros foi achada no apartamento há cerca de três meses, mas não se sabe a quem ela pertenceria.
“[A carteira foi encontrada] num momento em que eu fiquei dez dias longe do apartamento. E ninguém fuma, nem nunca fumou. Nenhum dos meus funcionários”, disse a deputada.
Além da polícia, a parlamentar também denunciou ao Ministério Público o fato de ter acordado cheia de fraturas e hematomas. A deputada contou que sua última lembrança é de estar na cama assistindo a um episódio de série.
Perda de memória
Depois, por um período de aproximadamente sete horas, ela disse ter tido perda de memória, até acordar em uma “poça de sangue”, no chão do closet. Inicialmente, ela acreditou ter imaginado que desmaiou e se machucou na queda. No entanto, depois, ao perceber a quantidade de machucados, Joice disse acreditar que sofreu um atentado.
Segundo ela, o marido, que é médico e dormia em outro quarto, foi quem a socorreu. Daniel França foi acordado pela esposa às 7h, pelo telefone. Ele mesmo fez os primeiros curativos e a medicou. Na terça-feira (20), ela procurou dentistas e fez exames no Hospital Sírio-Libanês, em Brasília.
“Nos exames, o dentista falou para mim ‘olha, tem alguma coisa errada. Eu acho que alguém pode até ter chutado seu rosto”, relatou ela à emissora.
A parlamentar chamou de “canalhice” as suposições de que teria sido agredida pelo marido.
“Não sou mulher de aguentar sequer alguém falando alto comigo, quem dirá um homem levantando a mão para mim. Quando falam isso, não estão ofendendo o meu marido, estão ofendendo a mim, a minha dignidade, a minha luta contra a violência contra as mulheres”, enfatizou.

“Eu nunca agredi ninguém”
Daniel França também se pronunciou sobre as suspeitas de que ele teria agredido a esposa. Em coletiva de imprensa neste domingo (25), ao lado de Joice, ele afirmou que está colaborando com as investigações da Polícia Legislativa.
“Eu nunca agredi ninguém, nunca dei um tapa em ninguém, nem um murro em ninguém. Não tenho nenhum motivo para fazer isso, eu jamais faria isso”, afirmou França.
O casal se pronunciou em conjunto, nesta tarde, após repercussão do caso de agressão. França afirma que estava dormindo em um quarto separado e não viu nem escutou nada.
De acordo com a parlamentar, quem acusar o marido de ser o responsável será denunciado. “Vou processar todos que estão acusando meu marido”, afirmou.
Questionado sobre o caso em investigação, França disse que o casal dorme separado frequentemente. “Eu ronco muito, por essa razão eu durmo em outro quarto”, explicou.
Para o médico, há duas hipóteses: “Como não há absolutamente nenhum sinal de luta corporal, eu imagino [que] ou ela caiu já sem consciência contra algum obstáculo ou teve sua consciência retirada [por meio de alguma substância]”.
Por ter ocorrido em um apartamento funcional, a Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados apura o caso. Joice afirma que solicitou o compartilhamento da investigação com a Polícia Civil de São Paulo, que investiga ocorrências de ameaças de morte contra ela.
Em nota, o departamento afirma que “está ouvindo pessoas e analisando imagens do circuito fechado de TV do prédio em que a deputada reside”. Segundo o texto, as apurações têm caráter sigiloso e foram iniciadas imediatamente após a comunicação do fato.
* Matéria atualizada às 18h06, com informações da CNN, UOL e G1.
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