Professores de Iaçu denunciam atraso em obra e “extrema insalubridade” em escola do estado

Em carta aberta destinada ao Governo do Estado, os profissionais dizem ainda que as obras, que estão há mais de um ano em atraso


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redacao 10/03/2024 10:30 Cidades

Os professores do Colégio Estadual Lauro Farani Pedreira de Freitas, na cidade de Iaçu, distante 280 km de Salvador, denunciaram “insalubridade de proporções extremas” decorrentes de obras inacabadas na instituição. Em carta aberta destinada ao Governo do Estado, os profissionais dizem ainda que as obras, que estão há mais de um ano em atraso, impossibilitam a realização de “quaisquer atividades pedagógicas e educacionais”.

O corpo pedagógico rebateu, ainda, fala do governador Jerônimo Rodrigues, em que dizia que ‘escola que reprova está, ela própria, reprovada’. “Ocorre, excelentíssimo, que, numa escola onde não há a mínima possibilidade de ensinar, não poderá, sequer, aprovar aluno nenhum, face à inexequibilidade do processo educacional, pois uma escola jamais poderá cobrar aquilo que não tem a chance de proporcionar dignamente”, dizem, em nota.

Confira a nota completa:

“Nós, professores do Colégio Estadual Lauro Farani Pedreira de Freitas, localizado na cidade de IaçuNTE14, viemos a público externar nosso profundo descontentamento com as condições de trabalho em nossa instituição, dada a insalubridade que, alcançando proporções extremas, impossibilita o desenvolvimento de quaisquer atividades pedagógicas e educacionais.

O Colégio Lauro Farani foi contemplado com duas grandes obras: a ampliação da escola, com a construção de novas salas e outros equipamentos educacionais, bem como a reforma da estrutura antiga, onde eram ofertadas as aulas e desenvolvidas as demais atividades relacionadas ao ensino e aprendizagem. Entretanto, o que era para ser algo bom para a escola e toda a comunidade, tornou-se um grande problema.

As obras do pavilhão novo não foram encerradas (estão com mais de um ano de atraso) e as antigas salas estão em processo de reforma, concomitantemente às aulas. Tal cenário obriga professores e alunos a tentarem desenvolver suas atividades num ambiente completamente inadequado, para não dizer impossível. Ao manter a escola em funcionamento, precisamos lidar com o barulho de britadeiras, serra mármores, marteletes e furadeiras que estão quebrando paredes, retirando pisos, isto é, executando os procedimentos próprios de uma construção e uma reforma.

O barulho, contudo, não é o único inconveniente, como também a poeira e a sujeira que se espalham por todo o espaço. Some-se a isso salas, em sua maioria, com mais de quarenta alunos, sem ventilação natural e sem ventilador, no momento de calor que estamos atravessando. Algo que, aliás, tem levado alunos e professores a passarem mal durante as aulas, sobretudo, no turno da tarde.

Ademais, praticamente todo o espaço está tomado por entulho e materiais de construção, com pedaços de bloco, pedras e madeira espalhados por todo o espaço, colocando em risco alunos e professores, e que podem, consequentemente, causar acidentes.

Reconhecemos que a gestão da escola tem feito todo o esforço possível para realocar salas e manter as atividades. Recentemente, optamos pela estratégia de escalonamento de turmas para aulas presenciais e remotas (com atividades e estudos dirigidos), pela falta de salas de aula. Estamos sem sala de coordenação para o desenvolvimento dos planejamentos, sem sala de direção e sem sala de professores: encontramo-nos amontoados e apertados em espaços completamente inadequados. Isso sem falar na ausência de banheiros minimamente aceitáveis (muitas vezes compartilhado entre alunos e professores) e a merenda sendo preparada em uma cozinha improvisada, junto à despensa.

Por diversas e incontáveis vezes, quando conseguimos iniciar as aulas, precisamos interrompê-la, haja visto que não é possível competir com tanto barulho de construção em salas superlotadas, com calor ao extremo, além de toda sujeira proveniente da obra. Fica a impressão de que nós, professores, somos obrigados a desenvolver nossas atividades sem quaisquer condições mínimas, comprometendo a própria educação, o fulcro da nossa profissão, além da nossa saúde física e mental.

Recentemente, o governador Jerônimo Rodrigues falou, numa entrevista, que a escola que reprova está, ela própria, reprovada. Ocorre, excelentíssimo, que, numa escola onde não há a mínima possibilidade de ensinar – estando ela mesma reprovada pelas condições que apresenta -, não poderá, sequer, aprovar aluno nenhum, face à inexequibilidade do processo educacional, pois uma escola jamais poderá cobrar aquilo que não tem a chance de proporcionar dignamente: o conhecimento.

Diante do exposto, solicitamos ao Governo do Estado da Bahia e à Secretaria de Educação medidas em caráter de urgência, como a entrega do novo pavilhão, a disponibilização de um outro espaço para o desenvolvimento das atividades ou a retomada do ensino remoto por período determinado, caso as alternativas anteriores não se mostrem possíveis.

Nossa principal luta é pela educação de qualidade – uma bandeira almejada pelo Estado da Bahia -, cujo desenvolvimento só é possível quando há mínimas condições de trabalho”.

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