Artigo: O legado de 82 anos

“Construir pode ser a tarefa lenta e difícil de anos. Destruir pode ser o ato impulsivo de um único dia.” – Winston Churchill (1874-1965). Maio de 1940. O último baluarte que se erguia contra o avanço do nazi fascismo, a França, caiu. Restava a Inglaterra, separada pelo Canal da Mancha, a apenas 62 quilômetros da […]


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Ana Cristina 12/05/2021 08:00 Artigos

“Construir pode ser a tarefa lenta e difícil de anos. Destruir pode ser o ato impulsivo de um único dia.” – Winston Churchill (1874-1965).

Maio de 1940. O último baluarte que se erguia contra o avanço do nazi fascismo, a França, caiu. Restava a Inglaterra, separada pelo Canal da Mancha, a apenas 62 quilômetros da Europa e, por consequência, das tropas de Adolf Hitler. Seria uma questão de dias. Mas não foi o que aconteceu. Sozinha por quase dois anos, até quando os americanos entraram na guerra, em dezembro de 1941, não só resistiu, mas conseguiu reverter a luta e, cinco anos depois, Hitler e o nazismo estavam derrotados.

Em meio às atribulações do dia a dia, de reflexões, ponderações e argumentações sobre a realidade política brasileira, consegui ler os dois volumes de “Winston Churchill – Memórias da Segunda Guerra Mundial 1919-1941 e 1941 – 1945”. O livro trata não só de fatos, com farto material, mapas e documentos, mas também dos bastidores que levaram à vitória dos aliados e à derrota do nazi fascismo de Hitler e Mussolini. Churchill foi por duas vezes primeiro-ministro inglês e recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1953. É considerado o mais completo estadista do século XX.

A título de preâmbulo, Winston Churchill foi o primeiro ministro inglês que sozinho, por quase dois anos, fez frente aos nazistas na Europa. Isso depois de todos os países, incluindo a França, considerada a maior potência militar até então, ter sido derrota pelos alemães. O apoio dos norte-americanos só veio após dezembro de 1941, com o ataque japonês à base aeronaval de Pearl Harbor, no Pacífico. A guerra na Europa só terminou em 08 de maio de 1945, com a rendição dos alemães, mas continuou até agosto daquele ano na Ásia e Oceania, com a rendição dos japoneses, após o lançamento de duas bombas atômicas, em Hiroshima e Nagasaki. 

Nos quase dois anos em que esteve sozinho para barrar o avanço nazista, e nos anos subsequentes até o fim da guerra, em maio de 1945, com a rendição dos alemães, o primeiro-ministro inglês colecionou amizades fortes, como a com o presidente dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt, e desconfianças, como com o ditador soviético, Joseph Stalin, e também um ódio mortal, de Adolf Hitler. Além da arte de governar, em meio à maior crise da humanidade, deixou um imenso legado de estadismo e de otimismo, mas principalmente de firmeza ante as dificuldades. 

Oitenta e dois anos depois, desde quando o conflito mundial começou na Europa, em setembro de 1939, a lição de união, otimismo e perseverança de Churchill se aplica aos nossos dias, quando o sentimento que parece predominar na humanidade, brasileiros em particular, é o da desesperança, da revolta, da falta de união e do otimismo ante a pandemia do coronavírus. Guardando as devidas proporções, o combate à pandemia se assemelha àquela guerra mundial, em que o inimigo era comum a todos.

E é nesse momento atual que se faz imprescindível a união, envidando esforços para se encontrar uma solução definitiva. Tal como no período de 1939/1945, a luta que começou na cidade portuária de Danzigue (Gdansk em polonês), na Polônia, rapidamente se espalhou pela Europa e depois pelo resto do mundo, alcançando o Brasil e as regiões mais remotas da África. Só terminou quando os países, com as mais diferentes culturas e diversidades de povos, se uniram contra o inimigo comum: o nazi fascismo.

Da mesma forma, na atualidade, o inimigo comum é o coronavírus. A contaminação que começou na China, se espalhou pelo mundo e rompeu barreiras geográficas, político-cultural e econômica, e principalmente ideológica, que não foram empecilhos para a luta comum a todos. Internamente e externamente, não podem brasileiros, de gestores ao cidadão comum, despenderem enormes quantidades de energias numa luta fratricida que não traz resultados e só retarda a luta contra o (Covid 19).

Entre 1940 e 1945, Winston Churchill, a despeito da forte oposição que tinha no Parlamento Britânico, conseguiu não apenas unir o povo inglês, mas pacificar o parlamento, em nome de um projeto comum, que era derrotar o nazi fascismo. No Brasil de hoje, o que poderia estar sendo construído de forma consistente, se fragmenta nas disputas internas de partidos e de gestores, insana, enquanto o inimigo comum segue incólume. 

 

* Adilson Fonseca é jornalista e escreve neste espaço às quartas-feiras.

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