Varíola dos macacos: infectologista esclarece eficácia da vacina e cuidados com a prevenção

Jacy Andrade diz que doença foi negligenciada e agora está tomando outra dimensão epidemiológica


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redacao 26/07/2022 17:28 Saúde

A varíola dos macacos foi confirmada, até o momento, em mais de 16 mil pacientes em todo o mundo. Na Bahia, já foram confirmados cinco casos em Salvador. Médica infectologista da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Jacy Andrade disse que a doença foi negligenciada e agora está tomando outra dimensão do ponto de vista epidemiológico. 

“A varíola dos macacos é uma doença considerada negligenciada. São doenças que na maioria das vezes é vista em locais mais pobres, como Ásia e África. Só que agora ela está tomando outra dimensão do ponto de vista epidemiológico. Desde o início deste ano foram notificados mais de 16 mil casos da doença em 75 países, incluindo o Brasil. Então, é uma sinalização importante que devemos ter muita atenção”, iniciou a médica infectologista. 

A médica esclareceu, ainda, um questionamento comum: quem tomou a vacian da varíola no passado está protegido?

De acordo com a especialista, as vacinas produzidas para a varíola podem proteger contra a varíola dos macacos, mas desde que a varíola foi erradicada em 1980, a maioria destes imunizantes não está amplamente disponível e não há certeza de quando estarão disponíveis para o público. Em alguns países, as vacinas podem estar disponíveis em quantidade limitadas e para uso de acordo com as orientações nacionais.

“As pessoas mais velhas foram vacinadas contra a varíola e se acredita que essas pessoas vacinadas possam ter uma proteção. Está se estudando a possibilidade de vacina, mas não há indicação de uma preocupação de vacinar o mundo para varíola dos macacos. No entanto, não podemos afirmar que quem está vacinado está protegido e quem não está vai precisar se vacinar. O que podemos dizer é que a vacina é uma possibilidade importante de se controlar o avanço da doença”, pontuou Jacy Andrade. 

Infectologista Jacy Andrade

Preconceito

Nessa fase inicial da doença muito tem se falado sobrea incidência entre homossexuais. A especialista esclarece que o risco de contrair a varíola dos macacos não está limitado a pessoas sexualmente ativas ou homens gays. A razão pela qual se divulga atualmente mais relatos de casos de varíola dos macacos em homens gays pode estar relacionado ao comportamento positivo na busca de saúde neste grupo demográfico. 

Conforme a OMS, a erupção causada pela varíola dos macacos pode se assemelhar a algumas infecções sexualmente transmissíveis, incluindo herpes e sífilis, o que pode explicar porque casos estão sendo detectados em clínicas de saúde sexual. “No começo da Aids relacionava-se também muita à população gay, mas essa doença não é algo específico dos homossexuais. É uma doença que qualquer um pode pegar”, complementou a Jacy Andrade. 

A doença

A “Monkeypox”, conhecida como “varíola dos macacos”, é transmitida quando alguém tem contato próximo com as lesões de pele, as secreções respiratórias ou os objetos usados por uma pessoa que está infectada. Estudos apontam ainda que o vírus pode ser passado de mãe para filho durante a gestação, através das placentas. 

Dados da OMS mostram que cerca de 3% a 6% dos casos notificados de varíola dos macacos provocaram morte em países endêmicos, principalmente entre crianças ou pessoas com alguma condição crônica de saúde. As possíveis complicações de casos graves de varíola dos macacos são infecções de pele, pneumonia, confusão mental e infecções oculares que podem levar à perda da visão.

Devido à expansão do vírus, no último sábado (23), a Organização Mundial da Saúde (OMS) comunicou que a doença agora é considerada uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional. No Brasil como um todo, já foram confirmados quase 700 casos. Os sintomas da doença são febre, dor de cabeça, dores musculares, dor nas costas, fraqueza, gânglios linfáticos inchados e erupção ou lesões cutâneas. 

“A transmissão do vírus é muito mais pelo contato. Isso pode ocorrer tanto por via respiratória quanto pelo contato sexual. Agora, a gente não tem uma manifestação específica da doença, mas, por exemplo, você pode ter febre, lesão na boca, dores musculares, calafrios e outros sintomas”, disse a especialista. Nos casos já registrados, os sintomas duram entre duas a quatro semanas. 

A médica infectologista orienta a pessoa que sentir esses sintomas a entrar em contato com um profissional de saúde para aconselhamento, avaliação e assistência médica. Se possível, é aconselhado ainda que a pessoa se isole e evite o contato próximo com outras pessoas. Lavar as mãos regularmente e usar máscara, principalmente se tiver lesões na boca ou estiver tossindo é outra orientação. 

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