Repelentes: tudo que você precisa saber ao adquirir produto
Especialistas reforçam uso do produto como estratégia para diminuir risco de contrair dengue
Com o Brasil liderando os casos de dengue no mundo – os dois primeiros meses de 2024 contabilizaram mais de 1 milhão de brasileiros infectados -, especialistas vêm reforçando o papel do repelente de mosquitos como estratégia para diminuir o risco de entrar para a estatística das arboviroses. Embora dados da consultoria de consumo Kantar tenham apontado que no último ano apenas cerca de 10% da população brasileira comprou repelentes, os números da dengue intensificam as vendas em 2024, de acordo com a mesma empresa de análise de mercado. Com outras medidas de prevenção, como zelar por um ambiente livre de focos de propagação do Aedes aegypti e a vacinação, o produto é cada vez mais recomendado na estratégia antidengue.
“Os diferentes princípios ativos da composição, DEET, icaridina ou IR3535, atuam como um escudo, porque afastam os mosquitos, mesmo sem eliminá-los”, diz a dermatologista Letícia Müller Rocha, da Clínica Prata Rocha, em São Paulo. Isso acontece porque o repelente confunde os receptores nas antenas dos bichos, que deixam de ser atraídos pelo odor natural da pele.
Tão importante quanto introduzir esse cuidado na rotina é ter certeza da segurança e qualidade da fórmula. “O repelente precisa ser aprovado pela Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] e essa informação deve estar no rótulo”, avisa Letícia. Isso garante que foi testado em laboratório e teve sua eficácia comprovada. “O que muda entre os diferentes princípios ativos é o tempo de duração na pele”, exemplifica a dermatologista. O com icaridina oferece longa duração com baixa concentração de ingrediente ativo na fórmula, o que permite ter produtos seguros para bebês e crianças com duração significativa “Como as pessoas não têm o hábito de ficar reaplicando, acaba sendo mais indicado”, complementa.
Cuidados redobrados
A dengue e as arboviroses em geral podem desencadear quadros mais graves em determinadas populações. Por isso, o Ministério da Saúde ressalta a necessidade de atenção especial a pessoas com doenças crônicas, como hipertensão, assim como aquelas a partir dos 65 anos. Nos idosos, além da propensão a desenvolver complicações por dengue, a infecção por chikungunya, igualmente transmitida pelo Aedes aegypti, é outra fonte de preocupação, uma vez que a doença por vezes compromete as articulações, piorando dores relacionadas à artrite e artrose. Em quem tem diabete, por sua vez, as picadas por si sós tendem a provocar coceiras e gerar infecções na pele.
A boa notícia é que os repelentes à base de icaridina, seja em creme, gel ou spray, não têm contraindicação para nenhum desses grupos. “O importante é se certificar de espalhar em toda a área exposta, porque o produto atua exatamente no local em que foi aplicado”, orienta Letícia Rocha. “Tem muita gente que passa nas pernas, por exemplo, e deixa os pés desprotegidos. E é justamente ali que os mosquitos atacam”, completa.
Proteção de gestantes e crianças
As grávidas, de acordo com a Federação Brasileira de Ginecologia Obstetrícia (Febrasgo), estão mais suscetíveis a apresentar desfechos desfavoráveis de infecção por dengue. E mais: ainda segundo a entidade, o odor e a elevação da temperatura corporal próprios da gestação atraem mais as picadas, o que aumenta a importância do uso de repelentes. “As mulheres podem passar em qualquer fase da gravidez. Lembrando que o Aedes aegypti transmite também o vírus da zika, capaz de causar alterações neurológicas importantes no bebê”, destaca a dermatologista.
Outra fonte de dúvida constante é sobre como proteger crianças, sobretudo nas atividades ao ar livre. Afinal, pode usar repelente nos pequenos? “Hoje já existe fórmula para bebês a partir dos 3 meses”, responde Letícia Rocha. “Outra opção é o repelente em forma de lenços umedecidos, que pode facilitar a aplicação”, diz Letícia.
Seja qual for o escolhido, é importante que um adulto se encarregue de passar na pele da criança, evitando a região dos olhos e da boca – e também as mãos, que os pequenininhos levam à boca a toda hora. Na hora do parquinho, não precisa se preocupar porque a exposição ao sol não causa nenhum problema. É só usar o protetor solar e, por cima dele, o repelente. Tem de seguir essa ordem, do contrário se inviabiliza o efeito da icaridina. O aviso vale, claro, para todas as idades.
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