Quase 5 milhões de baianos não estão com o esquema vacinal completo para a Covid-19, alerta secretaria da Saúde
Adélia Pinheiro também falou sobre os movimentos antivacina que foram potencializados na pandemia por conta da postura do presidente Jair Bolsonaro
Há quem ache que o vírus da Covid-19, que paralisou o planeta numa grave crise sanitária por dois anos, acabou. Isso não é verdade e a secretária de Saúde da Bahia (Sesab), Adélia Pinheiro, chamou a atenção para a baixa cobertura vacinal para a doença que, somadas todas as faixas etárias acima de 12 anos, chega perto dos 5 milhões.
“A vacina é o maior instrumento que temos para proteger as pessoas do agravamento da Covid. Os três pilares para esta doença são: vacina, testagem e proteção individual, e o isolamento em casos de contaminação”, explicou a secretária nesta quinta-feira (13), durante o programa Nova Manhã da rádio Nova Brasil FM, comandado pelo editor-chefe do Portal M!, Osvaldo Lyra.
“Na Bahia, mais 1 milhão de pessoas acima de 12 anos ainda não tomaram a primeira dose e 846 mil que não tomaram a segunda dose. Se a gente totalizar incluindo a terceira e quarta doses, chegamos a quase 5 milhões de pessoas com o esquema vacinal incompleto”, acrescentou Adélia Pinheiro.
A secretária explicou que a doença ainda não foi extinta e que há pessoas internadas nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTI), por conta da Covid. Segundo ela, mesmo com todos os esforços da gestão estadual para barrar o avanço da contaminação durante o momento mais crítico da pandemia, entre 2020 e 2021, a vacina é a melhor chance para a erradicação.
“A Bahia é o estado do Brasil que tem a segunda menor taxa de mortalidade por Covid e isso não foi por acaso, mas por conta de um posicionamento firme que tivemos aqui. Isso é resultado de medidas que limitaram a circulação das pessoas junto à assistência médica dedicada ao atendimento dos doentes. Não tivemos nenhum paciente que ficou sem assistência”, declarou Adélia Pinheiro.
Durante o programa, a secretária também alertou para a varíola dos macacos. Embora a doença não tenha a mesma força de propagação da Covid, a gestora pediu que as pessoas abaixo de 50 anos mantenham as medidas de segurança individual como lavar as mãos, uma vez que as pessoas acima dos 50, pela idade, devem ter recebido a vacina contra a varíola, quando o vírus ainda circulava pelo Brasil.
“Quem tomou aquela vacina contra a varíola tem menos 5,2% de chances de apresentar os sintomas da varíola dos macacos. Isso não quer dizer que não está exposto porque todos estão e é preciso de cuidados e temos campanhas de esclarecimento das pessoas sobre a necessidade de prevenção”, apontou Adélia ainda revelando que o estado baiano tem 116 casos confirmados, 24 prováveis e mais de 400 suspeitos.
A atual gestora da Sesab aproveitou a oportunidade e falou também sobre outras doenças que eram consideradas erradicadas no país como pólio e sarampo e a falta de sensação de segurança por conta da baixa vacinação de crianças de 0 a 5 anos. Para ela, os movimentos antivacina que foram potencializados na pandemia por conta da postura do atual presidente Jair Bolsonaro.
“Hoje temos uma diminuição por cobertura de doenças que já consideramos erradicadas e com a queda da vacinação passamos a ter insegurança para a poliomielite (a paralisia infantil). O Brasil não tem um caso há algum tempo, mas a pólio ainda existe no mundo e a melhor barreira que podemos ter é com a vacina”, disse.
“Doenças que não ouvimos falar há algum tempo voltaram a ser tratadas como o sarampo e demais voltadas para a população infantil como caxumba, coqueluche, mas para todas elas há vacinas e claro que essa baixa adesão reflete a posição anticiência e antivacina do atual governo federal. É lamentável que isso ocorra e é inadmissível que a autoridade nacional se coloque de costas para as vacinas”, completou Adélia Pinheiro.
Confira a entrevista:
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