Psicóloga afirma que pandemia provoca luto coletivo e orienta como superar
Ana Clara Bastos é coordenadora do curso de especialização em Psicologia Hospitalar da Faculdade Santa Casa (FSC)
Desde o início da pandemia do novo coronavírus, indivíduos de todo o planeta passaram a conviver diariamente com as notícias de mortes, muitas vezes precoces e inesperadas, diante da imprevisibilidade da nova doença. Um exemplo recente, a morte do ator e humorista Paulo Gustavo, gerou comoção nacional, trazendo à tona a necessidade de lidar com a perda.
Segundo a psicóloga e coordenadora do curso de especialização em Psicologia Hospitalar da Faculdade Santa Casa (FSC), Ana Clara Bastos, vivemos um luto coletivo.
“Não precisamos viver uma perda significativa para sentirmos o pesar diante de milhares de mortes e histórias de sofrimento. Estamos enlutados enquanto indivíduos e enquanto sociedade. Para alguns, a perspectiva coletiva pode trazer um conforto e a sensação de não estar vivenciando essa dor sozinho. Para outros, talvez o sentimento seja de uma falta de reconhecimento pela banalização que temos visto em alguns contextos. A análise é sempre individual e subjetiva”, pondera.
Segundo a psicóloga, o luto é uma reação a uma perda significativa e se trata de um processo saudável e necessário de adaptação à nova realidade. “É um momento de transição psicossocial entre amar a pessoa na presença para amá-la na ausência. O processo de luto envolve a reconfiguração da relação, mantendo a vinculação e também permitindo aceitar a realidade da perda, se ajustando às mudanças e se abrindo para novos caminhos, vínculos e possibilidades”, explica.
De acordo com a especialista, não existe um tempo pré-determinado para a duração de um luto, nem este pode ser considerado uma doença. “O luto não é uma doença a ser curada e nem um problema a ser superado. É um desafio, uma importante transição psicossocial que influencia diversas áreas da experiência humana: intelectual, cognitiva, física, espiritual, emocional e social”, pontua.
Bastos explica que apesar de ser um momento normal e necessário, o luto pode fazer o indivíduo adoecer quando se torna prolongado.
“O luto é complicado quando há algo sobre o significado ou experiência da perda que é preocupante, de forma que a pessoa enlutada é incapaz de resolver. Nesses casos, muitos são os fatores que precisam ser avaliados. Em caso de paralisação, de risco à saúde ou de dificuldade de rede de suporte é necessária a busca por um suporte profissional capacitado para avaliação e acompanhamento”, observa.
Rituais simbólicos
Quando falamos de viver o luto, diversos recursos são construídos para o enfrentamento. Segundo a psicóloga, os rituais têm funções específicas e ajudam a dar sentido à experiência.
“Os rituais de despedida podem ter o papel de facilitar o processo de luto ao permitir o reconhecimento social da morte, o compartilhamento de pensamentos e emoções, o favorecer um espaço para dividir a dor e prestar uma homenagem ao ente falecido. O ritual é um momento rico de construção de significado e que tem relação direta com o processo de luto”, explica.
Em casos de mortes pela Covid-19, quando não é possível a realização de velórios e o caixão precisa ficar lacrado, a elaboração do luto pode ser prejudicada. “Nesses casos, é preciso encontrar formas alternativas para amenizar e também para buscar outros caminhos de significação, de busca por sentido, de confronto com a realidade da perda e de apoio social. Muito está sendo feito no mundo virtual, como encontros, suporte social, trocas e homenagens que conseguem dar suporte no momento da perda”, enumera.
Para a psicóloga, diversos outros recursos são válidos nesse momento, a exemplo da espiritualidade, atividade física, trabalho, práticas de autocuidado, meditação, arte, além da psicoterapia, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida e oferecer suporte para que o enlutado possa se reorganizar e seguir vivendo após a ruptura imposta pela perda.
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