“Não é apenas pedir mais dinheiro, é buscar mais eficiência na gestão da saúde”, diz Fábio Vilas-Boas

Fábio Vilas-Boas falou ao A Tarde e ao Portal M! sobre os investimentos na saúde e a descentralização de atendimentos na capital baiana


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redacao 12/07/2021 07:55 Saúde

O Governo da Bahia entregou na última sexta-feira (9) a 19ª Policlínica na Bahia. O secretário estadual da Saúde, Fábio Vilas-Boas, disse ao jornal A Tarde e ao Portal M!, que há um projeto de implantar uma policlínica para cada região de saúde com uma média de 400 mil a 600 mil pessoas atendidas.

“Toda uma gama de exames que só eram encontrados na capital ou nas grandes cidades serão divididos em regiões de saúde e está sendo concluído esse ano o projeto de implantar uma policlínica para cada região. Uma média de 400 mil a 600 mil pessoas são atendidas em cada policlínica, oferecendo 18 especialidades médicas e virtualmente todos os exames diagnósticos necessários para um diagnóstico correto e prescrição adequada do tratamento”, pontuou.

O secretário disse ainda que serão disponibilizados exames e consultas que a população não tinha acesso, “incluindo exames de altíssima complexidade como tomografia computadorizada e ressonância magnética, passando por exames de gastro, como colonoscopia, exames de neuro, exames cardíacos, doppler vascular”, ressaltou.

Fábio destacou ainda que as policlínicas mudam a realidade comportamental no estado.

“O acesso era tão restrito e limitado a hospitais e centros de referência na capital, que praticamente a população não tinha acesso. Basta dizer que na Bahia nós tínhamos, quando o governador Rui Costa assumiu, duas máquinas de ressonância magnética para o sistema público de saúde apenas, uma no Roberto Santos e outra no Hospital Ana Nery. Hoje, só nos nossos hospitais, sem contar as policlínicas, nós já temos 25 máquinas e mais 24 nas policlínicas”, destacou.

Ainda de acordo com o secretário, a Bahia hoje possui um parque de diagnóstico como poucos estados no Brasil.

“A Bahia durante 3 anos foi o maior comprador de equipamentos médicos no Brasil. E isso reflete na mudança de realidade, porque o médico do posto de saúde antes ficava limitada ao ato médico e a poucos exames laboratoriais, agora os profissionais da saúde passaram a ter acesso a qualquer tipo de consulta, de segunda opinião com especialistas, e a qualquer tipo de exame”, explicou.

Questionado se faltam recursos para tocar a saúde pública na Bahia, Vilas-Boas disse ao M! que o desafio não “é apenas pedir mais dinheiro, é buscar mais eficiência na gestão”.

“Eu não posso dizer que faltam recursos porque o governador nunca negou o aporte de recursos sempre que foi necessário. Mas a saúde é sempre deficitária, porque o recurso enviado pela União representa apenas 1/3 do que nós efetivamente gastamos na saúde e precisa ser continuamente complementado pelo governo do Estado. Mas não é apenas pedir mais dinheiro, é buscar mais eficiência em gestão, e foi o que nós fizemos desde o primeiro dia”, disse.

“Fazer com que se gastasse menos com a atividade meio e mais com a atividade fim, e economizar mais na gestão da máquina. Isso tem sido feito continuamente, grande parte do que podia ser feito já foi feito, mas ainda existe a possibilidade de se garantir formas mais eficazes de se fazer gestão, oferecer mais com pouco dinheiro gasto”, completou.

Fábio falou também sobre o desafio de interiorizar a saúde na Bahia e quanto foi investido nos últimos 3 anos.

“Em 2014 foi feito um diagnóstico de que havia um excesso na concentração de serviços assistenciais e diagnósticos na capital. E que a missão seria levar serviços para o interior, regionalizar e descentralizar. O governador Wagner já havia iniciado isso com a construção de seis hospitais regionais e coube ao governador Rui Costa alavancar fenomenalmente esse processo de regionalização”, ressaltou.

“Considerando apenas custeio, que é em torno de R$6 bilhões por ano, são R$18 bilhões em 3 anos. E nós temos aí um investimento acumulado nesse período em torno de R$2 bilhões entre as policlínicas e hospitais”, continuou.

Por fim, o secretário diagnosticou a oncohematologia como maior gargalo na saúde pública.

“São as leucemias, linfomas, são os chamados cânceres do sangue. E nós sempre fomos dependentes do Hospital das Clínicas, aqui, do Hospital Aristides Maltez e do Hospital Santa Izabel. Esses três serviços atendiam adequadamente às necessidades, o estado nunca se propôs a montar um serviço próprio porque não havia demanda, já que esses três hospitais davam conta, e com a crise do Hospital das Clínicas e o excesso de pacientes sobre o Hospital Aristides Maltez e o Hospital Santa Izabel, isso fez com que esses serviços restringissem o acesso aos pacientes e hoje nós temos uma fila inaceitavelmente longa para pessoas que necessitam de intervenções urgentes para deter o progresso dessas leucemias que podem matar em questão de dias e semanas”, explicou.

“Então por isso nós decidimos dentro do governo criar um serviço próprio de oncohematologia, eu já havia extinto a enfermaria de infectologia do Hospital Roberto Santos há cerca de 2 anos com o objetivo de colocar um serviço de hematologia não oncológica, e agora nossa decisão foi criar coragem e montar um serviço de oncohematologia próprio com tudo dentro do Roberto Santos aliado ao Cican e à Fundação Hemoba”, finalizou.

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