Caio Ribeiro diz que curou linfoma; entenda os diferentes tipos da doença e seus tratamentos
De acordo com a hematologista Ana Lúzia Schriefer, o primeiro sinal de alerta é o crescimento dos gânglios
O ator Caíke Luna morreu recentemente, vítima de um linfoma. Já os atores Edson Celulari e Reynaldo Gianecchini, além da ex-presidente Dilma Roousseff (PT), trataram também um linfoma, se recuperaram e estão em bom estado de saúde. Nos últimos dias, o comentarista esportivo e ex-jogador de futebol, Caio Ribeiro, anunciou ter se curado desse câncer. Mas como prevenir essa doença que pode surgir de forma silenciosa?
De acordo com a médica hematologista Ana Lúzia Schriefer, da Oncologia D’Or Bahia, o primeiro sinal de alerta é o crescimento dos gânglios linfáticos (comumente chamados de “ínguas”), não associado a processo infeccioso. Segundo ela, o sintoma pode vir associado a perda de peso não relacionada à dieta, sudorese noturna e febre.
No Brasil, cerca de 4 mil pessoas morrem anualmente em consequência de linfomas, conforme dados mais recentes do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Estima-se que, por ano, ocorram 10 mil novos casos da doença. A médica Ana Lúzia explica que o termo “linfoma” diz respeito a um conjunto de doenças oncológicas que afetam os gânglios linfáticos.
“Elas existem em diversas formas como Hodgkin e Não-Hodgkin, que podem ser do subtipo B ou T, além de serem indolentes, agressivos, de comportamento intermediário”, informa a especialista, que também faz parte do grupo Mulheres na Oncologia.
Mais precisamente, o linfoma acontece devido a uma mutação genética nas células de defesa do corpo que, em vez de realizarem suas funções normais, se tornam malignas. Neste caso, elas perdem a capacidade de proteger o organismo e passam a se multiplicar de forma desordenada.
“O tratamento é específico para cada subtipo de linfoma”, pontua a hematoloigista.
Diferenças entre os linfomas
Caíke, Celulari, Gianecchini e Dilma desenvolveram um linfoma não-Hodgkin. Já Caio tratou o linfoma de Hodgkin.
Entre os diversos aspectos que diferenciam esses dois tipos está o fato de o linfoma de Hodgkin ser considerado um dos cânceres mais tratáveis e curáveis, pelo fácil diagnóstico e alto índice de eficácia da quimioterapia de primeira linha. Já o Não-Hodgkin geralmente não é diagnosticado até que tenha atingido um estágio mais avançado.
Além disso, o linfoma de Hodgkin é marcado pela presença de células de Reed-Sternberg (células gigantes, multinucleadas), que podem ser identificadas com o auxílio de um microscópio. No linfoma Não-Hodgkin, essas células não estão presentes.
“Em relação aos subtipos de linfomas, a diferença se dá em relação à origem celular (B ou T) como também em relação às mutações presentes e ao momento de desenvolvimento da célula no qual a mutação ocorre”, esclarece a Dra.
Eis aí mais um motivo para deixar o check up da saúde em dia.
Tratamento e prognóstico
A hematologista Ana Lúzia Schriefer afirma que o tratamento e prognóstico dependem do subtipo de linfoma. “Hoje, de forma geral, os principais tratamentos são baseados em quimioterapia, imunoterapia/terapia alvo e radioterapia”.
Ela explica que, de forma geral, os linfomas B têm melhores opções terapêuticas por uso de anticorpos monoclonais e terapias-alvo associadas ao tratamento quando comparado aos linfomas T.
“Os linfomas agressivos, apesar de uma apresentação mais aguda e agressiva, respondem melhor à quimioterapia quando comparados aos linfomas de apresentação indolente”, pontua.
E quando é recomendado o transplante de medula óssea? A médica diz que esta é mais uma opção terapêutica para os linfomas, mas que tem um papel restrito.
“O transplante alogênico (de um doador aparentado ou não) também tem um papel restrito em alguns subtipos de linfomas refratários ao tratamento inicial”, conclui.
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