Brasil está entre os países das Américas com alto risco de retorno da poliomielite

Por aqui, onde a doença já estava eliminada, a cobertura vacinal despencou de 98,29% para 57,40%  entre 2015 e 2021


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redacao 14/04/2022 20:30 Saúde

Dados do Ministério da Saúde expõem uma situação alarmante sobre a cobertura vacinal da poliomielite (ou paralisia infantil) – houve recuo de cerca de 41,60% no alcance do imunizante (D3) ao longo dos últimos seis anos, passando de 98,29%, em 2015, para 57,40%, em 2021.  O quadro acende o sinal de alerta para o retorno da doença, que havia sido eliminada do país. 

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), o Brasil já havia recebido o certificado de eliminação da pólio em 1994, quando o último caso tinha sido observado na cidade de Sousa, na Paraíba, em 1989.

Aquele eram os bons tempos do ‘Zé Gotinha’, que encantou a geração dos anos 1990. Criado em 1986 pelo artista plástico Darlan Rosa, a pedido do Ministério da Saúde, para a campanha de vacinação contra o vírus da poliomielite, o personagem se popularizou e tornou as campanhas mais atraentes para a garotada.

A pólio é altamente contagiosa. Brasil, Bolívia, Equador, Guatemala, Haiti, Paraguai, Suriname e Venezuela são os países das Américas com alto risco de volta da doença, conforme a Opas, por conta da baixa cobertura vacinal da população.

Embora a Região das Américas tenha sido certificada como livre da pólio desde 1994, seguida pela Região do Pacífico Ocidental, em 2000, e pela Região da Europa, em junho de 2002, e posteriormente a Região do Sudeste Asiático, em 2014, a baixa vacinação das crianças pode acarretar em novos casos de contaminação nos próximos anos.

Conforme a Opas, a transmissão endêmica da pólio ainda continua no Afeganistão, na Nigéria e no Paquistão, por exemplo. “A falta de sucesso em interromper a pólio nessas áreas remanescentes pode resultar em até 200 mil novos casos a cada ano, dentro de dez anos, no mundo”, alerta.

O informe ainda revela que, em 2021, mais de 23,1 milhões de doses foram aplicadas durante a campanha de setembro e mais de 6,7 milhões de pessoas do público-alvo atualizaram a caderneta de vacinação.

A Opas ressaltou, entretanto, que os dados referentes a 2021 ainda não foram concluídos, podendo haver alteração para mais ou para menos. 

 

Bahia reproduz cenário nacional

Um levantamento feito pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) mostra que o cenário local reproduz o nacional: o índice de cobertura vacinal da poliomielite despencou de  95,42%, em 2015, para 57,52%, em 2021.

A coordenadora do Programa Estadual de Imunização da Sesab, Vânia Rebouças, explica o perigo da baixa cobertura vacinal. “O risco ainda existe até porque a poliomielite não foi erradicada no mundo. Então, a continuidade da vacinação é importante”, enfatizou.

Na Bahia, o baixo índice de imunização nos últimos seis anos tem preocupado tanto a gestão de saúde dos municípios quanto os médicos infectologistas. O secretário da Sociedade Brasileira de Infectologia (regional Bahia), Claudilson Bastos, pontua que a pandemia de Covid-19 acentuou a queda na procura pelos imunizantes.

“Com a pandemia, o número de pessoas nos postos de saúde, principalmente crianças, diminuiu drasticamente. Ou seja, foram dois anos [de pandemia] e já havia essa queda antes, inclusive. Com isso, houve um risco maior de novos surtos de doenças como sarampo, por exemplo. Tivemos casos em alguns estados do Brasil, recentemente”, pontuou. 

Para Vânia Rebouças, com a flexibilização das barreiras sanitárias contra a Covid ao redor do mundo e a globalização atual, o risco de novas contaminações pelo vírus da pólio é muito elevado, uma vez que a taxa de vacinação está baixa. O perigo aumenta ainda mais, segundo ela, com as festas de rua que Salvador sedia todos os anos. 

“Há, sim, esse risco de novas contaminações, de uma ameaça de novos retrocessos até porque a cobertura de vacinação está baixa. O risco é iminente. E com a globalização e fácil acesso a outros países por meio de aeroportos, há o risco de surgimento de novos casos de pólio, uma vez que ela ainda não foi erradicada em outros lugares, assim como tivemos o surto da influenza, recentemente, em Salvador”, alerta Vânia Rebouças.

De acordo com a Opas, a maior parte das infecções não produz sintomas, mas de cinco a dez em cada 100 pessoas contaminadas podem apresentar sintomas semelhantes aos da gripe.

Já em um a 200 casos, o vírus da pólio chega a destruir partes do sistema nervoso, causando paralisia permanente nas pernas ou braços. Além disso, embora muito raro, o vírus também pode atacar as partes do cérebro que ajudam a respirar, levando a pessoa à morte.

 

Leia também:

Bahia registra a maior queda na cobertura de oito vacinas infantis em seis anos

 

 

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