Wagner diz ser “natural” pesquisa mostrar Bruno na liderança: “Grau de exposição maior, tá com a máquina na mão”

Em sessão especial pelo aniversário de 44 anos do PT-BA na Assembleia, senador comentou sobre PECs da reeleição e das drogas em tramitação no Senado


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Bruno Brito 14/03/2024 21:20 Política

O senador Jaques Wagner (PT) afirmou, nesta quinta-feira (14), ser “natural” que o prefeito Bruno Reis (União Brasil) lidere a pesquisa AtlasIntel/A Tarde para eleição municipal em outubro em comparação ao vice-governador e pré-candidato à prefeitura, Geraldo Júnior (MDB). Divulgado nesta última terça-feira (12), o levantamento aponta que se a eleição fosse hoje, o prefeito seria reeleito com 51,4% no 1º turno. O emedebista teve apenas 18,4% dos votos, seguido pelo servidor público Kleber Rosa (PSol) com 8,4% e pela professora e administradora Luciana Buck (Novo) com 1,8%. 

Conforme o senador, isso ocorre porque Bruno é prefeito e possui um “grau de exposição maior”, além de ter a “máquina na mão”. “Ele é prefeito, tá no poder, tem um grau de exposição muito maior. Eu fico feliz porque, para mim, pesquisa não interessa a fotografia, o que interessa é o filme. E o filme que tá mostrando, aliás, como mostrou com Jerônimo em 2022, é que ele sequenciou, foi subindo e ganhamos bem a eleição. Então, a pesquisa para mim é absolutamente natural. O prefeito tá sentado na cadeira de prefeito, evidentemente que tem um grau de exposição, tá com a máquina na mão. Mas, eu fico feliz por mais de 18 pontos, se não me engano, que foi o que ele teve. Para mim, eleição é caminhada. Eu adoro essa coisa. É melhor a gente sair atrás e chegar na frente, do que sair na frente e chegar atrás”, afirmou Wagner durante a sessão especial pelo aniversário de 44 anos do PT-BA, na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA).

PEC da reeleição do Senado

Na ocasião, o líder do governo Lula no Senado também foi questionado sobre a PEC da reeleição que tramita na Casa. O petista ressaltou que, na verdade, se trata de um trabalho que visa juntar as leis do processo eleitoral em uma única peça, que seria o Código Eleitoral Brasileiro. Já sobre a questão da reeleição, Wagner reiterou ser contra o movimento, e disse ser a favor também da coincidência das eleições e do mandato de 5 anos.

“Só para você ter uma ideia, essa peça que está acabando de sair de um trabalho de um grupo grande, o senador Marcelo Castro, do Piauí, que está coordenando, tem aproximadamente 900 artigos. A reeleição ou não, é uma parte dessa que eu acho importante, sou a favor do fim da reeleição, a favor da coincidência das eleições e a favor do mandato de 5 anos. Eu acho que a reeleição no Brasil, na minha opinião, não fez bem para a política brasileira”, ressaltou.

Apesar do posicionamento, Wagner observou não se tratar de uma opinião de toda a base. Como exemplo, ele citou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que possui opinião diferente, e ressaltou que essa questão ainda não foi fechada no partido e nem no governo.

“Essa discussão existe, mas eu insisto, ela ainda não está nem apresentada para o Senado. Tudo que saiu foi o resumo que o senador Marcelo Castro fez para os líderes partidários sobre como estava andando esse trabalho da comissão”, apontou. 

Já sobre um eventual desgaste proveniente da proposta, Wagner rechaçou a possibilidade e lembrou que o projeto, se aprovado, teria efeito apenas em 2030.

“Está mantida a reeleição de 26, e está mantida aos que forem eleitos pela primeira vez em 2026, que não será o caso do presidente Lula, já estará na reeleição. Mas, algum governador que se eleja pela primeira vez em 2026, ainda terá direito a reeleição em 2030. Só os eleitos em 2030, se passar essa proposta, é que não poderão mais se eleger. Então, não tem nada a ver com o momento atual, nós estamos na verdade tentando melhorar, como eu lhe disse, o código eleitoral brasileiro”.

PEC das Drogas

Outro tema comentado pelo senador foi a aprovação da proposta de emenda à Constituição que inclui a criminalização da posse e do porte de drogas, em qualquer quantidade, na Carta Magna (PEC 45/2023), pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal na última quarta-feira (13). Na avaliação do petista, o movimento do Senado foi uma “reação” ao Supremo Tribunal Federal (STF).

“Houve uma reação do Senado, entendendo que o Supremo estava invadindo o prerrogativo do Senado. Os discursos que eu ouvi ontem na CCJ falavam mais disso do que de outra coisa, da reação. Hoje, até teve outra reunião, eu falei com o presidente [Rodrigo Pacheco]: ‘Presidente, o que me preocupa é que isso não é solução'”.

Na avaliação de Wagner, seria mais importante discutir a regulamentação do uso do óleo do canabidiol, utilizado como medicamento para condições como epilepsia e episódios de convulsão. 

“É medicamento no mundo inteiro e, infelizmente, o preconceito, o dogma no Brasil, está nos tirando de uma pauta que virou científica. Não tem nada a ver com maconha recreativa, é outra coisa. O óleo de canabidiol tem salvado milhares de crianças da epilepsia, das convulsões. Então, não é nada recreativo. Hoje, os pais de família de criança epilética têm que se submeter a contrabando para poder tomar um remédio, que é prescrito por médico. Aliás, a Anvisa daqui a pouco vai regulamentar isso. Agora, a outra coisa, sinceramente, para mim é ineficaz. Dizer que é crime, que não se pode imputar a pena de privação da liberdade para o usuário, tudo bem, mas isso pra mim não resolve. Isso já está escrito na lei brasileira”, ressaltou.

 

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