Para manter Guedes no governo, Bolsonaro adota a tática do ‘morde e assopra’
Em público, presidente sempre prestigia o ministro, mas segue desautorizando boa parte da agenda liberal nos bastidores
Apesar de em público o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) referir-se ao ministro da Economia, Paulo Guedes, como “o homem que decide a economia no Brasil”, na prática a postura do chefe do Executivo tem sido outra. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
Ao longo do mandato, Bolsonaro coleciona episódios em que desautoriza ou rejeita propostas apresentadas pelo Ministério da Economia.
Segundo assessores presidenciais, em reuniões com Guedes, Bolsonaro já disse que é ele próprio quem dá a palavra final em seu governo e que, apesar de o ministro conhecer as demandas do mercado financeiro e do setor produtivo, é ele quem sabe o que a sociedade precisa. O argumento foi usado pelo presidente, por exemplo, na decisão de intervenção na Petrobras.
Em reunião o titular da pasta foi contra a troca de Roberto Castello Branco do comando da empresa sob o argumento de que o governo seria acusado de intervenção indevida. Bolsonaro alegou, porém, que o ministro não levava em conta o aspecto social do preço do combustível.
Além de criar turbulência no mercado financeiro, a intervenção gerou incômodo na equipe econômica e levou técnicos a questionar a permanência de Guedes no cargo.
A relação de Bolsonaro e Guedes é descrita por assessores do governo como de “morde e assopra”. Depois desautorizar o ministro, o presidente costuma fazer deferências a ele. Os gestos de apoio, segundo assessores palacianos, devem-se ao receio de Bolsonaro de perder o ministro.
Em conversas reservadas, o presidente já disse que uma saída de Guedes, sobretudo às vésperas de uma campanha à reeleição, poderia afetar o apoio à candidatura dele por parte de setores da economia, muitos dos quais foram pilares da vitória de Bolsonaro em 2018.
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