“O PDT está de portas abertas para receber o governador Rui Costa”
Presidente do PDT na Bahia, o deputado federal Félix Mendonça Júnior culpou o PT pela situação do país, em entrevista exclusiva ao jornaliosta Osvaldo Lyra.
Presidente do PDT na Bahia, o deputado federal Félix Mendonça Júnior culpou o PT pela situação do país, em entrevista exclusiva ao jornalista Osvaldo Lyra. “Se o PT acha que o governo de Bolsonaro é um governo ruim, eu posso dizer que a culpa é do PT. Porque sabia que ia perder. Sabia que Lula não seria candidato e insistiu em Lula candidato. Depois, botou o Haddad já na reta final. Eu vi recentemente Lula dizendo que o governador (Rui Costa) precisa falar mais no ‘nós’ do que no ‘eu’ e que o governador não conhece o Brasil, porque o Brasil é diferente da Bahia. Mas, se o PT tivesse pensando e agido como o ex-presidente Lula falou, pensado mais no ‘nós’ e não no ‘eu’, teria apoiado Ciro Gomes. E a situação do país estaria diferente. O Ciro Gomes era o meu candidato”, declarou. Félix ainda defendeu o governador Rui Costa, que foi criticado pelo ex-presidente após entrevista à revista Veja. “O ex-presidente Lula disse que Rui não conhece o Brasil. Conhece só a Bahia. E acho que Lula está desconhecendo a Bahia, porque aqui sem sombra de dúvida é um reflexo do Brasil. É onde o Brasil nasceu. Quem conhecer o Brasil tem que conhecer primeiro a Bahia”, declarou. O parlamentar, porém, não deixou de tecer criticas ao governo Rui. “Faltam as duas coisas. Tanto diálogo quanto espaço. Os espaços a gente têm. A Secretaria de Agricultura. Colocamos um agrônomo competente com pós-graduação e que tem feito um bom trabalho. Temos responsabilidade com os espaços comandados. Fazemos boas gestões colocando pessoas competentes. Mas falta muito diálogo ainda entre os partidos. Esses diálogos não são fáceis. E os partidos menores sempre sofrem mais”, pontuou.
Osvaldo Lyra – Como o senhor avalia o momento que a gente vive hoje na política do Brasil? É um momento tenso?
Félix Mendonça Júnior – Sim. É um momento muito tenso em que a população disse que quer ver uma mudança e essa mudança está vindo de uma forma muito conturbada, com todo dia as pessoas tomando susto.
Osvaldo Lyra – Como viu os vazamentos divulgados pelo The Intercept e que colocaram em xeque a operação Lava Jato?
Félix Mendonça Júnior – Eu acho que qualquer vazamento, qualquer mudança do rumo da legalidade, é ruim, porque nós temos que ter uma justiça. E os fins não podem justificar os meios. A justiça tem que ser feita com justiça independente se é objetivo que nós queremos ou não. Senão, a gente cria uma instabilidade judicial. A Justiça não pode usar de meios alternativos. A justiça tem que ser feita com a institucionalidade que é cabível. Não pode fugir desta linha. Então, temos que ter muita preocupação com as instituições do país. Nós queremos ter um país grande em 50, 100, 200 anos.
Osvaldo Lyra – O que o senhor achou da indicação do baiano Augusto Aras para procurador-geral da República?
Félix Mendonça Júnior – A indicação de baiano é sempre uma boa indicação. A gente gosta por ser da terra. E a informação que tenho dele, apesar de não ter nenhum contato maior, é de que é muito capaz e correto. Então, eu vejo como bons olhos.
Osvaldo Lyra – O senhor vê algum tipo de ameaça no futuro da Operação Lava Jato? E no combate à corrupção no país?
Félix Mendonça Júnior – Não. Não pode ter ameaça. O combate à corrupção deve ser contínuo, deve seguir no Brasil e a gente não pode ameaçar. Agora, uma coisa é legalidade. E outra coisa é uma ameaça.
Osvaldo Lyra – Como o senhor viu a busca feita pela Polícia Federal no Senado? Isso abre uma nova crise entre o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, que autorizou a operação no gabinete do senador Fernando Bezerra?
Félix Mendonça Júnior – Os poderes são independentes e devem ser respeitadas as hierarquias dos poderes. A gente não pode colocar os poderes em conflito. Os poderes têm que conviver de maneira harmoniosa e respeitosa. Tanto o poder Legislativo quanto Executivo, quanto o Judiciário. Não existe poder acima do outro.
Osvaldo Lyra – O senhor tem percebido que há espaço para a criação no Congresso de uma CPI da Lava Jato para investigar o Judiciário?
Félix Mendonça Júnior – Seria normal. Não vejo nada demais. Normal. Se vai investigar o Judiciário, o Legislativo ou Executivo, qual a anormalidade disto? Por que não se pode ter uma CPI, uma investigação no Judiciário? Se tem coisa errada no Judiciário, que se investigue. Se tem coisa errada no Executivo, que se investigue. Não podemos temer e deixar investigar em nenhum dos três poderes. Se tem coisa errada no Ministério Público, que se investigue. Ninguém está acima da lei.
Osvaldo Lyra – Como avalia a reforma da Previdência que passou pela Câmara e agora tramita no Senado Federal?
Félix Mendonça Júnior – Um grande oba-oba. Dizer que a reforma da Previdência vai salvar o país é uma balela. Os trabalhadores brasileiros perderam muito com a reforma da Previdência. É importante ter uma reforma? É importante, mas não é crucial. Não é fundamental. A economia que vejo se falando de R$ 1 trilhão nos próximos dez anos equivale a 2% da taxa Selic. Se a dívida pública do Brasil gira em torno de R$ 5 trilhões, cada um 1% ao ano são R$ 50 bilhões. Em dez anos, 500 bilhões. Então, a dívida pública que é muito maior, muito mais traumática para o Brasil não se tem essa movimentação do governo para rever, para auditar, para ver os juros que o Brasil está pagando. Parece que existe uma blindagem do sistema financeiro.
Osvaldo Lyra – O presidente Jair Bolsonaro assumiu com a proposta e o discurso de iniciar uma nova forma de fazer política no país. O senhor já percebeu essa mudança na relação do dia a dia entre o Congresso e o Planalto?
Félix Mendonça Júnior – Não. Não vi essa mudança. O que tinha era um governo da esquerda e agora um governo mais a direita. Mas é o início da democracia. Nós ainda estamos muito jovens na democracia. Eu diria que para uma democracia não passou da adolescência ainda. Então, tem que amadurecer para que se sabia que na direita e na esquerda tem pessoas boas. E a gente deve privilegiar as pessoas boas nos cargos que ocuparem.
Osvaldo Lyra – O que esperar da reforma tributária que começa a ser discutida?
Félix Mendonça Júnior – Essa sim é muito importante para o Brasil, para o desenvolvimento, para o emprego, para que as empresas possam sobreviver. Hoje, a gente vive em um sistema tributário esquizofrênico. Nenhuma empresa consegue de verdade realizar tudo isso. O sistema tem que ser muito mais simples. A empresa não pode perder 30%, 40% do tempo e do gasto fazendo informações ao Fisco. Tem que ser mais simples. Tem que ser: vou vender R$ 100 mil por ano e vou pagar X mil. Mas tem que ser simples. O empresário vai pagar, mas vou pagar simplificado e todos vão pagar. Se todos pagarem, a carga tributária vai ser menor.
Osvaldo Lyra – Como lidar com a guerra dos estados e a divisão do bolo do recurso?
Félix Mendonça Júnior – É uma coisa importante da reforma que é reduzir essa guerra entre os estados. Se for o imposto sobre o consumo na região, acaba a guerra. Então, não pode fabricar na Bahia ou em Minas. Então, a guerra fiscal tende a reduzir muito. Vai continuar acontecendo entre um banco regional e outro. Vai acontecer de maneira mais simples, mas sem mexer com o sistema tributário.
Osvaldo Lyra – O senhor defende ou não a punição para deputados que foram contra a orientação do partido na reforma da Previdência, como o baiano Alex Santana?
Félix Mendonça Júnior – No PDT, tivemos deputados que votaram a favor. Cada um com o seu motivo. Tem aqueles que votaram por convicção. Estes eu defendo. É uma convicção mesmo. Agora, tem aqueles que votaram por uma convicção de emenda. O governo liberou e todo mundo sabe. Se a reforma fosse boa, não precisava liberar emenda para deputado. O governo liberou R$ 20, 30, 40 milhões para os parlamentares que votaram a favor colocarem em seus municípios. É uma pré-campanha. A propaganda foi tão forte que as pessoas começaram a pensar que a reforma da Previdência é fundamental realmente, sem analisar o que seria.
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