“Não me interessa o que fizeram no Verão passado”, diz Ciro Gomes em referência a políticos que assinam manifesto

Em postagem no Twitter, um dos prováveis presidenciáveis em 2022 afagou possíveis apoiadores e disparou críticas a Bolsonaro e aos governos petistas


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Ana Paula Ramos 02/04/2021 16:20 Política

Apontado como um dos presidenciáveis em 2022, o ex-governador do Ceará e ex-ministro Ciro Gomes (PDT) afirmou, no Twitter, que não se interessa pelo que possíveis aliados “fizeram no Verão passado” e que tem dois objetivos para o próximo ano: derrotar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e apresentar um Projeto Nacional de Desenvolvimento.

A manifestação de Ciro veio depois que ele assinou um manifesto em defesa da democracia ao lado de outros cinco potenciais candidatos à Presidência: o apresentador Luciano Huck (sem partido), o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), os governadores João Doria (PSDB-SP) e Eduardo Leite (PSDB-RS) e o ex-presidente do partido Novo, João Amoedo.

Ciro Gomes não se referiu especificamente ao manifesto, mas a postagem complementa seu posicionamento de alinhamento de discurso com políticos do campo da chamada direita democrática, que buscam um caminho para evitar a polarização vista nas eleições de 2018 entre Bolsonaro e o PT.

“Amigos e amigas, a tarefa agora é proteger vidas e as liberdades democráticas”, reforçou Ciro Gomes para, na sequência, explicar suas prioridades no próximo ano.

“Para o ano que vem, 2022, as tarefas são duas: derrotar Bolsonaro e sua agenda genocida, antinacional, entreguista, corrupta, e antipovo e, mais importante: reconciliarmos o povo brasileiro ao redor de um generoso Projeto Nacional de Desenvolvimento que nos tire do ambiente de terra arrasada – socioeconômica e de saúde pública – em que fomos atolados pelo ódio, pela falta de projeto e conversa mole travestida de esquerda”, escreveu.

 

Corrupção como modelo de poder

Sem fazer referências diretas aos governos petistas, Ciro Gomes ainda disse que a “corrupção foi instrumento central do modelo de poder que nos governou nas últimas duas décadas”.

Para ele, esta é a ‘causa do ódio [com] que o povo votou em 2018″. Por fim, Ciro disse que “voltar ao passado não é a porta de nosso futuro” e que lutará “ao redor destas convicções sem medo de cara feia!”.

O pedetista se posiciona em um momento em que o ex-presidente Lula (PT) volta a figurar entre os potenciais candidatos após voltar a ser elegível. Ciro é alvo de críticas do petista por não ter feito campanha para Fernando Haddad no segundo turno das eleições de 2018.

A viagem do terceiro colocado do pleito para Paris até hoje é lembrada por petistas. Na quinta-feira (1º)m Lula usou essa referência ao criticar os autores do manifesto por não terem se alinhado a Haddad.

“Todos eles tiveram a chance em 2018 de deixar a democracia garantida votando no Haddad. Essa gente preferiu votar no Bolsonaro”, disse, em entrevista à BandNews. 

 

Confira a íntera do post de Ciro:

“Amigos e amigas, a tarefa agora é proteger vidas e as liberdades democráticas (toda pressão do mundo por vacina, socorro emergencial de R$ 600,00 até que 80% de nosso povo esteja vacinado e olho na escalada golpista do genocida Bolsonaro).

Quem puder, quiser, junte-se a nós nesta luta. Não me interessa o que fizeram no verão passado.

Para o ano que vem, 2022, as tarefas são duas: Derrotar Bolsonaro e sua agenda genocida, antinacional, entreguista, corrupta, e antipovo e, mais importante:

Reconciliarmos o povo brasileiro ao redor de um generoso Projeto Nacional de Desenvolvimento que nos tire do ambiente de terra arrasada – socioeconômica e de saúde pública – em que fomos atolados pelo ódio, pela falta de projeto e conversa mole travestida de esquerda.

Bolsonaro não aconteceu por acaso. Entender por que um povo tão generoso como o nosso deu vitória tão superlativa a este marginal, significa entender que há DEZ ANOS o Brasil não cresce.

Entender que nosso sistema de impostos é o mais injusto do planeta terra. Entender que apenas 5 brasileiros têm fortuna equivalente às posses de 100 milhões de irmãos nossos mais pobres.

Entender que isto foi uma traição histórica ao compromisso progressista no qual nosso povo apostou 6 eleições seguidas. Entender que a corrupção foi instrumento central do modelo de poder que nos governou nas últimas duas décadas. Esta é a causa do ódio que o povo votou em 2018.

Voltar ao passado, definitivamente, não é a porta de nosso futuro. É ao redor destas convicções que lutarei sem medo de cara feia!”

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