“Não carregamos nenhum ânimo de revanche, mas quem errou responderá”, afirmou Lula no discurso de posse

Presidente também reiterou que vai revogar decretos sobre armas 


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redacao 01/01/2023 16:21 Política

Em discurso após ser empossado pelo Congresso Nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sem citar adversários como o agora ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmou que governará sem sentimento de revanche, mas garantirá a aplicação da lei a quem cometeu erros contra a Nação.

“Não carregamos nenhum ânimo de revanche contra os que tentaram subjugar a Nação a seus desígnios pessoais e ideológicos, mas vamos garantir o primado da lei. Quem errou responderá por seus erros, com direito amplo de defesa, dentro do devido processo legal. O mandato que recebemos, frente a adversários inspirados no fascismo, será defendido com os poderes que a Constituição confere à democracia”, declarou.

O presidente relembrou os mortos pela pandemia de Covid-19 no Brasil, classificando a situação  como um “genocídio” e disse que as responsabilidades “hão de ser apuradas e não devem ficar impunes”. 

Com elogios à competência do Sistema Único de Saúde (SUS), o petista destacou que houve um “paradoxo” durante a pandemia, que pode ser explicado pela condução do Governo Federal no período.

“Em nenhum outro país a quantidade de vítimas fatais foi tão alta proporcionalmente à população quanto no Brasil, um dos países mais preparados para enfrentar emergências sanitárias, graças à competência do nosso Sistema Único de Saúde. Este paradoxo só se explica pela atitude criminosa de um governo negacionista, obscurantista e insensível à vida. As responsabilidades por este genocídio hão de ser apuradas e não devem ficar impunes”. afirmou.

Ao longo de dois anos de pandemia, 694 mil brasileiros morreram durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL).

Em seu governo, o petista afirmou que usará a Constituição para responder aos ataques de adversários inspirados no fascismo. “Ao ódio, responderemos com amor. À mentira, com verdade. Ao terror e à violência, responderemos com a lei e suas mais duras consequências”, emendou.

O presidente disse ainda que recursos do Estado foram usados para favorecer projeto autoritário. “Nunca recursos do Estado foram tão desvirtuados em nome de um projeto autoritário”, disse o petista.

Segundo Lula, que elogiou a atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a democracia superou as “mais violentas ameaças à liberdade de voto”.

“Nunca os eleitores foram tão constrangidos pelo poder econômico. A decisão das urnas prevaleceu graças ao sistema eleitoral, foi fundamental a atitude corajosa do poder judiciário em especial do TSE, para fazer prevalecer a verdade das urnas sobre a violência de seus detratores”, afirmou o presidente, para quem, “apesar de tudo”, a decisão das urnas prevaleceu.

Lula afirmou ainda que, a partir de hoje, assinará medidas para organizar o funcionamento do Executivo. Ele voltou a dizer que se reunirá com governadores para discutir a retomada de obras e que reconstruirá o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Programa Minha Casa Minha Vida. O presidente também destacou que os bancos públicos, o BNDES e a Petrobras terão papel fundamental em seu mandato.

 

Adeus às armas

Lula reforçou que irá revogar os decretos editados pelo ex-presidente Bolsonaro que ampliaram o acesso a armas e munições pela população brasileira, “que tanta insegurança e tanto mal causaram às famílias brasileiras. O Brasil não quer mais armas, quer paz e segurança para seu povo”, discursou.

Lula disse também que todos no país poderão exercer “livremente” sua religiosidade. “Sob a proteção de Deus, inauguro este mandato reafirmando que no Brasil a fé pode estar presente em todas as moradas, nos diversos templos, igrejas e cultos”, afirmou.

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