Ministério da Defesa afirma que Aziz foi “leviano” ao envolver militares em “falcatrua” do governo

Documento que eleva o tom contra presidente da CPI da Covid é assinado pelo ministro Braga Netto e pelos comandantes das Forças Armadas


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Ana Paula Ramos 07/07/2021 21:40 Política

Em nota divulgada nesta quarta-feira (7), o Ministério da Defesa elevou o tom contra o presididente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PDS-AM), classificando-se como “leviano” e “irresponsável” por afirmar que há militares envolvido em falcatruas no governo Bolsonaro. O documento é assinado pelo ministro Braga Netto e pelos comandantes das Forças Armadas.

O presidente da CPI da Covid afirmou que fazia “muitos anos” que o Brasil não via “membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatruas dentro do governo”.

A declaração foi dada durante o depoimento do ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, que acabou preso no final da sessão por mentir aos senadores. 

“Você foi sargento da Aeronáutica? Conhece o coronel Guerra? Olha, eu vou dizer uma coisa, as Forças Armadas… os bons das Forças Armadas devem estar muito envergonhados com algumas pessoas que hoje estão na mídia, porque fazia muito tempo, fazia muitos anos que o Brasil não via membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatrua dentro do governo, fazia muitos anos”, declarou Aziz na CPI.

Em resposta, o Ministério da Defesa divulgou uma nota na qual criticou a declaração de Aziz.

“Essa narrativa, afastada dos fatos, atinge as Forças Armadas de forma vil e leviana, tratando-se de uma acusação grave, infundada e, sobretudo, irresponsável. A Marinha do Brasil, o Exército Brasileiro e a Força Aérea Brasileira são instituições pertencentes ao povo brasileiro e que gozam de elevada credibilidade junto à nossa sociedade conquistada ao longo dos séculos”, afirma a nota.

Após a divulgação do documento, Omar Aziz disse no plenário do Senado que a fala foi “pontual” e que as Forças Armadas não devem intimidá-lo.

“Minha fala foi pontual, não foi generalizada. E vou reafirmar o que eu disse lá na CPI. Pode fazer 50 notas contra mim, só não me intimida. Porque, quando estão me intimidando […] estão intimidando esta Casa. Vossa excelência não se referiu à intimidação que foi feita”, disse Aziz ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

 

A nota do ministério

A nota do Ministério da Defesa foi publicada primeiro pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em uma rede social e, depois, divulgada pelo ministério.

Assinam o documento: Walter Braga Netto (ministro da Defesa); almirante Almir Garnier Santos (comandante da Marinha); general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira (comandante do Exército); e brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior (comandante da Força Aérea).

O texto diz que as Forças Armadas “não aceitarão qualquer ataque leviano às Instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro”.

“As Forças Armadas do Brasil, ciosas de se constituírem fator essencial da estabilidade do país, pautam-se pela fiel observância da Lei e, acima de tudo, pelo equilíbrio, ponderação e comprometidas, desde o início da pandemia Covid-19, em preservar e salvar vidas”, completa a nota.

 

Reação no Senado

Durante a sessão do Senado, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou que “não é de bom tom esse caminho que alguns querem levar” e que não queria “acreditar em nenhuma vã tentativa de tentar politizar as Forças Armadas”.

“Não quero acreditar que esteja em curso qualquer ameaça a um membro deste poder, presidente de uma CPI. Reitero minha confiança nas Forças Armadas, como líder da oposição, de que as Forças Armadas são leais à democracia, à Constituição e assim devem se comportar. Se for diferente, é um caminho muito ruim para a democracia”, disse.

O senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), líder do governo no Senado, afirmou que “conclusões apressadas” na CPI “atropelaram” a Constituição e que as Forças Armadas se manifestaram em defesa da Carta.

“Não podemos achar que o que está acontecendo lá na CPI é uma brincadeira. […] As pessoas estão sendo coagidas, forçadas, interrompidas nas suas respostas. É todo dia. Não é um dia só. É importante que o Senado possa se manifestar, porque não podemos ficar prisioneiros de uma maioria eventual de uma CPI, que não fala em nome do plenário, dessa instituição. Os excessos cometidos é que levam à declaração do Ministério da Defesa”, afirmou.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), não comentou o conteúdo da declaração do senador Omar Aziz e da nota dos militares. Declarou apenas ter o “mais profundo respeito” às Forças Armadas.

 

* Com informações do Portal G1.

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