Lula: “Não há perdão para quem atenta contra a democracia, contra seu país e seu próprio povo”

“Nunca uma caminhada tão curta teve tanto significado na história do nosso País”, enfatizou o presidente


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Bruno Brito 08/01/2024 17:36 Política

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), defendeu nesta quinta-feira (8), que todos aqueles que financiaram, planejaram e executaram a tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023 sejam “exemplarmente punidos”. “Não há perdão para quem atenta contra a democracia, contra seu país e contra o seu próprio povo. O perdão soaria como impunidade. E a impunidade, como salvo conduto para novos atos terroristas”, disse Lula em evento pró-democracia que marca um ano da invasão e depredação da sede dos três Poderes.

E afirmou: “Se a tentativa de golpe fosse bem-sucedida, a vontade soberana do povo brasileiro teria sido roubada. E a democracia, destruída. A esta altura, o Brasil estaria mergulhado no caos econômico e social. O combate à fome e às desigualdades teria voltado à estaca zero.”

Lula disse que a democracia foi “salva”, mas “nunca está pronta” e precisa ser “construída e cuidada todos os dias”.

“A democracia é imperfeita, porque somos humanos, e, portanto, imperfeitos. Mas temos, todas e todos, o dever de unir esforços para aperfeiçoá-la”, afirmou o presidente, acrescentando em seguida que é preciso reconhecer que “democracia para poucos não é democracia” e que “não há democracia plena enquanto persistirem as desigualdades”.

E destacou: “Se formos capazes de deixar divergência de lado para defendermos democracia, somos capazes de nos unirmos para construir país mais justo”.

Histórico político para descrever processo democrático e defender urnas eletrônicas

O presidente disse ainda que sua história e a de seu partido, o PT, devem ser usadas em defesa das urnas eletrônicas e do processo eleitoral brasileira. Lula citou que foi derrotado diversas vezes desde a redemocratização. Em 1989, quando foi candidato a presidente da República pela primeira vez, ele perdeu para Fernando Collor de Melo.

“Quando alguém colocar dúvidas sobre a democracia no Brasil, seria bom se vocês não tivessem receio de usar minha história e do meu partido. Desde 1989, eu disputo eleições. Não tem ninguém que disputou tanto como eu e que perdeu tanto como eu e que ganhou tantas como eu. Essa é a grande arma de participar”, disse o presidente.

E acrescentou: “Se houvesse possibilidade de falsificar as urnas eleitorais, será que eu teria sido eleito tantas vezes presidente da República? Será que teríamos conseguido eleger a Dilma Rousseff naquela campanha de 2014 num clima de guerra que foi estabelecido nesse país”.

Lula ainda criticou, sem mencionar, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelos questionamentos às urnas eletrônicas.

“As pessoas que duvidam da legalidade das urnas brasileiras porque perderam as eleições, porque não pedem para seu partido renunciar todos os deputados e senadores que foram eleitos? Os três filhos deles que foram eleitos, porque não renunciam em protesto à urna fraudulenta?”, questionou, ironicamente, o presidente da República, em referência aos três filhos de Bolsonaro que foram eleitos para cargos públicos (Flávio, Eduardo e Carlos).

Alternância de poder

Lula defendeu o sistema democrático, que, segundo ele, é o único que possibilita que “um país do tamanho do Brasil tenha, pela primeira vez na sua história, uma alternância de poder que permite que um metalúrgico chegue à Presidência da República”.

O presidente participou do evento Democracia Inabalada, no Congresso Nacional, em alusão aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Assim como as outras autoridades presentes, criticou os criminosos que invadiram as sedes dos Três Poderes no ano passado e enalteceu o sistema democrático brasileiro.

Presidente enaltece “coragem” de parlamentares, governadores, ministros e militares

O presidente também fez uma “saudação especial” a quem participou da caminhada do Planalto ao Supremo Tribunal Federal (STF) no dia seguinte aos atos golpistas de 8 de janeiro. “Nunca uma caminhada tão curta teve tanto significado na história do nosso País”, disse Lula, fazendo referência à “coragem” de parlamentares, governadores, ministros e “militares legalistas”.

Lula disse ainda que hoje “é um dia muito especial para quem gosta e pratica democracia” e que a “democracia é o exercício que cada um de nós tem que fazer cada santo dia, a partir do nosso convívio familiar, para a gente viver em paz e ter uma vida tranquila”. Ele discursou em ato pró-democracia que marca um ano dos atos golpistas de 8 de janeiro.

Regulação de redes sociais

Durante ato no Congresso, Lula afirmou que a democracia brasileira estará sob constante ameaça enquanto não houver firmeza na regulação das redes sociais. O petista disse que as mentiras, a desinformação e o discurso de ódio foram combustível para os atos ocorridos há exatamente um ano.

O presidente disse que não há democracia sem liberdade, mas ponderou que não é possível confundi-la com permissão para atentar contra o sistema democrático. “Liberdade não é uma autorização para espalhar mentiras sobre as vacinas nas redes sociais, o que pode ter levado centenas de milhares de brasileiros à morte por Covid. Liberdade não é o direito de pregar a instalação de um regime autoritário e o assassinato de adversários”, avaliou.

Lula afirmou ainda que não haverá um sistema democrático enquanto persistir qualquer tipo de desigualdade. O petista disse que a democracia para poucos não é democracia. “Se fomos capazes de deixar as divergências de lado para defendermos o regime democrático, somos também capazes de nos unirmos para construir um país mais justo e menos desigual”, defendeu.

 

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