Fim da bandeira branca: Bolsonaro retoma críticas a decisões do Supremo
Presidente se queixou sobre decisões relacionadas à pandemia e a impostos sobre importação de armas
O clima de trégua entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o Supremo Tribunal Federal (STF) parece ter chegado ao fim. O “cessar-fogo” havia sido iniciado em meados do ano passado, quando a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e amigo da família.
De acordo com o jornal O Globo, porém, nas últimas semanas, ele reclamou de “interferências” em questões relacionadasà tributação sobre a importação de armas e ao combate à Covid-19.
Na última sexta-feira (15), em meio ao colapso do sistema de saúde de Manaus, Bolsonaro disse que foi “castrado” pelo Supremo e que estava “desobedecendo” a Corte ao ajudar a capital amazonense. Mas, na verdade, o que o tribunal decidiu, em abril de 2020, foi que estados e municípios teriam autonomia para tomar decisões locais.
No mesmo dia, declarou que não fica satisfeito com muitas decisões do tribunal. Disse ainda que há pautas no STF que, caso sejam aprovadas no futuro, vão representar uma “catástrofe” para o Brasil. O presidente acrescentou ainda que, se dependesse da Corte, ele tinha que “estar na praia agora, tomando uma cerveja”, além de ter chamado os ministros de “velhinhos” que ficaram “apavorados” após uma visita do então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.
Além disso, no fim do ano passado, outro tema gerou reclamações do presidente: adecisão do ministro Edson Fachin de suspender a alíquota zero para a importação de revólveres e pistolas, que havia sido determinada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), do Ministério da Economia.
Na ocasião, Bolsonaro disse que o assunto “não tem nada a ver com o Supremo” e que Fachin estava decidindo sobre legislação tributária. Na quinta-feira, voltou ao assunto e classificou a decisão como uma “sentença esfarrapada”.
Embora as ofensivas de Bolsonaro contra o STF tenham voltado a acontecer, ainda não houve reação da Corte.
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