Fala de Lula agrada a alas do PT que cobram desmilitarização

Generais estão mais preocupados em cuidar das feridas e manter a disciplina abalada pelos atos golpistas de 8 de janeiro 


Vixe d-flex me-2
Ana Paula Ramos 15/01/2023 21:00 Política

Ao explicitar suas desconfianças em relação aos militares, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva  (PT) não surpreendeu na caserna. Contentou os petistas que cobram dele a afirmação do poder civil sobre o militar e consideram que os fatos do 8 de janeiro, em Brasília, são uma oportunidade para enquadrar os representantes das Forças Armadas que resistiam a desmontar os acampamentos diante dos quartéis.

Atendeu ainda os que também defendem a desmilitarização do setor de inteligência do governo, desvinculando a Agencia Brasileira de Inteligência (Abin) do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Desde o dia 8, generais e coronéis estão mais preocupados em cuidar das feridas surgidas entre os membros da ativa e manter e reconstruir a disciplina e a hierarquia abaladas pela radicalização de parte dos que adotaram o discurso do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A reportagem ouviu de uma dezena de militares nesta semana expressões de desalento com a polarização que tomou conta do país e que levou à invasão da sede dos três Poderes como uma espécie de tragédia anunciada.

Eles também fizeram questão de afirmar que, apesar dos dois meses de acampamentos na frente das unidades militares de todo o país não foi registrado um episódio de indisciplina de oficiais ou graduados da ativa.

Para eles, isso indicaria que dentro das casernas a coesão da tropa se manteve. Mas isso teve um custo. Relatos de oficiais dão conta da dificuldade de lidar com o fato de que todas as pessoas que estavam acampadas viam nos militares uma espécie de última defesa da República em razão da eleição de Lula.

 

Grande desconforto

Exemplo do desconforto entre os militares foi o fato de o general Gustavo Henrique Dutra Menezes, comandante militar do Planalto, ter visitado seis unidades e discursado para a tropa formada sobre os eventos de domingo. “Fizemos o certo. Não tem caminho fora do que é o certo”, repetiu o general para seus subordinados.

Reconstruir a institucionalidade e pacificar o país são as preocupações da maioria dos oficiais consultados. Se antes eles se viam como alvo de críticas de partidos de esquerda, agora eles se viram sob ataques de colegas radicalizados pelo bolsonarismo e de militantes da extrema-direita.

Desde dezembro, quando ficou claro para o bolsonarismo radical que os militares não dariam um golpe de estado para impedir a posse do petista, começaram a circular em grupos do Telegram e do WhatsApp da extrema-direita listas com os chamados generais ‘melancia’, acusados de serem comunistas – verdes por fora e vermelhos por dentro.

 

Alvos dos golpistas

Cinco integrantes do Alto Comando do Exército estavam entre os principais alvos dos extremistas: o comandante militar do Sudeste, Tomás Miguel Ribeiro Paiva, o comandante militar do Leste, general André Luiz Novaes; o comandante militar do Nordeste, Richard Nunes, o chefe do Estado-Maior do Exército, Valério Stumpf Trindade e o diretor de Ciência e Tecnologia do Exército, general Guido Amin Naves.

O comandante do Exército, general Marco Antonio Freire Gomes, chegou a escrever uma nota em defesa dos oficiais. De nada adiantou. Em novos ataques, os extremistas incluíram outros na lista.

O cerco aos generais legalistas aumentou semana a semana. Os extremistas tentavam destruir a reputação dos oficiais como forma de provocar um movimento de insubordinação envolvendo coronéis.

Alguns generais da reserva passaram a criticar abertamente os colegas que se recusaram a embarcar no golpe. Todos eles ligados ao ex-comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas e aos que aderiram ao governo Bolsonaro: Walter Braga Netto, Luiz Eduardo Ramos e Augusto Heleno.

Os três foram apontados por oficiais como os principais responsáveis pelo radicalismo de alguns integrantes da reserva, caso do coronel Adriano Camargo Testoni, que participou dos eventos do dia 8 e publicou em suas redes sociais vídeos ofendendo generais e o Exército.

 

* As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

Tags


secao

Últimas Notícias

Cidades 10/06/2024 às 09:44

Defesa Civil alerta para novas chuvas no RS nesta semana

De acordo com o comunicado, tanto a Defesa Civil quanto a Sala de Situação do estado monitoram o avanço de uma frente fria


Destaques 09/06/2024 às 23:00

Sem Bolsonaro, manifestação contra Lula e Moraes fica esvaziada

Ato reuniu um número mais tímido de pessoas do que os convocados pelo próprio ex-presidente


Cidades 09/06/2024 às 22:00

Goleada do Cuiabá sobre Criciúma deixa Vitória na lanterna do Brasileirão

Foi a primeira vitória da equipe mato-grossense na competição


Coluna Ohh! 09/06/2024 às 21:30

Kleber Bambam diz que foi ‘o maior fenômeno do BBB no geral’

Influencer venceu a primeira edição do reality, em 2002


Cidades 09/06/2024 às 21:00

ANS cobra esclarecimentos de plano de saúde sobre suspensão de vendas

A partir de 1º de julho, os clientes da Golden Cross passarão a ser atendidos na rede credenciada Amil


Cidades 09/06/2024 às 20:30

Em partida contra o México, Endrick iguala recordes de Pelé, mas rejeita comparações

Atleta marca com a camisa da Seleção Brasileira em três jogos consecutivos antes dos 18 anos


Cidades 09/06/2024 às 20:00

Prefeituras da Bahia receberão primeiro repasse do FPM de Junho com alta de 30%

Valor supera expectativas e impulsiona os cofres municipais


Coluna Ohh! 09/06/2024 às 19:30

Lulu Santos tem “plena recuperação” após crise de gastroenterite, diz boletim

Previsão é que cantor tenha alta nesta segunda-feira (10)


Destaques 09/06/2024 às 19:00

Após derrota, o presidente da França dissolve parlamento e antecipa eleições legislativas

Em resposta a resultados desfavoráveis nas eleições do Parlamento Europeu, Macron busca renovar a Assembleia Nacional com novas eleições


Destaques 09/06/2024 às 18:40

Bahia Farm Show começa nesta segunda com expectativa de público recorde

Solenidade de abertura contará com a presença de autoridades e representantes do agronegócio nacional