Cientista associa vitória do PT na Bahia ao tradicionalismo da política local e à força de Lula

Um dos erros de ACM Neto apontados pelo professor Fábio Dantas foi o distanciamento do cenário nacional


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redacao 01/11/2022 11:52 Política

Numa entrevista didática, o professor e pesquisador em Ciência Política da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Paulo Fábio Dantas, atribuiu a vitória de Jerônimo Rodrigues (PT) no último domingo (30), à tradição do pleito para governador do estado. Não muito diferente do que foi Antônio Carlos Magalhães (avô de ACM Neto), a atual relação e influência das gestões do Partido dos Trabalhadores com a população, principalmente nas pequenas cidades interioranas, “é uma coisa quase que proverbial”.

Segundo Paulo Fábio Dantas, a vitória do petista sobre ACM Neto (União Brasil) deve ser vista como um sinal de alerta para as próximas disputas, seja para prefeito (em 2024) assim como para governador (em 2026) e, isso, porque, o rival só não ganhou o pleito por dois motivos: além da influência estabelecida pelo PT pelo nome do então eleito presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao longo dos últimos anos (16 na Bahia) e pela falta de posicionamento ante ao cenário federal.

“Essa relação proverbial era assim com ACM e seu grupo e agora permaneceu com o PT. A segunda tradição é o Lula. Ele é a versão mais contemporânea de uma outra coisa que sempre foi tradição da política baiana que é a influência nacional sobre os pleitos estaduais”, pontuou o professor durante entrevista com o editor-chefe do Portal M!, Osvaldo Lyra, no programa Nova Manhã da rádio Nova Brasil FM desta terça-feira (1º).

Na interpretação de Dantas, ACM Neto tentou se distanciar da influência nacional que, não diferente do primeiro turno, estava acirrada entre os antagonistas Lula e o Jair Bolsonaro (PL).

“Houve erros e acertos de ambos os lados [Jerônimo e Neto]. Houve elementos, eu diria, que são estruturais da política baiana que funcionaram muito bem durante esse processo eleitoral. Eu tendo a interpretar que prevaleceu a tradição. ACM Neto esteve muito perto de quebrar essa tradição no último mês. Se tivesse acontecido seria algo inédito depois da redemocratização do país, porque ele se lançou numa campanha sem levar em conta ao nacional”, pontuou.

Jerônimo surgiu com um crescimento repentino nas últimas semanas antes do primeiro turno, em 2 de outubro, e sua vitória confirmou o peso que o partido e, mais agora, Lula ainda tem sobre o eleitorado baiano, desde o declínio do Carlismo de ACM [avô]. Embora tenha levado a vitória, o resultado das urnas no segundo turno não mostrou um número expressivo de distância entre o primeiro e o segundo colocado. Neto só não rompeu com a bolha por 703.119 mil votos de diferença. Nem chegou na casa do milhão!

No breve resumo de um mapa eleitoral apontado pelo cientista político, ACM Neto mostrou uma força, outra vez de tradição política da Bahia antes de virada de cenário como aconteceu com o declínio do Carlismo em 1982, quando João Durval ganhou de Roberto Santos e depois de Paulo Souto com Jaques Wagner, em 2002.

Na explicação do professor, o que as duas eleições têm em comum com ACM Neto, é que há uma projeção de virada futura, neste caso para que o PT ceda a cadeira do governo. “ACM Neto venceu em 12 dos 13 municípios que têm mais de 100 mil eleitores. Venceu em 17 das 20 maiores cidades da Bahia e venceu na maior parte delas com uma vantagem que está entre 55% e 60%. Em alguns lugares ele chegou a ultrapassar essa linha de 60%, como Ilhéus, Itabuna e Salvador e LEM. Mas eu não sei se esse conjunto de municípios chega a 35% do eleitorado do estado. Quase 2/3 estão distribuídos em porte médio para pequeno”, analisou Fábio Dantas.

Para os próximos quatro anos, no ponto de vista do crítico, além da maior dificuldade de Neto que está sem um governo e todas as dificuldades apontadas por uma falta de ordenamento no cenário político nacional, uma vez que o União Brasil é um resultado de fusão de diferentes legendas, é se mostrar como um fator importante de oposição ao governo tanto na Bahia, quanto em Brasília.

“Neste momento ele tem que saber qual vai ser o seu ponto de exposição pública que ninguém consegue sobreviver na política sem isso [sem um apoio como ele tem afirmado em sua campanha do ‘tanto faz’]. Eu acho que uma coisa importante para ele agora é se mover de uma forma produtiva no campo da reestruturação partidária nacional”, avaliou o professor Fábio Dantas.

*Confira a entrevista na íntegra:

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