Bolsonaro afirma que fim de inquérito da PF aponta que Moro é “traíra e mentiroso”
Moro afirmou que as trocas falam mais do que as 150 páginas do relatório
O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que o ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, é “traíra” e “mentiroso”. A declaração aconteceu após a Polícia Federal (PF) concluir o inquérito e não encontrar indícios de que Bolsonaro, ao trocar o comando da corporação, interferiu para proteger aliados e familiares.
“Sergio Moro: além de traíra é mentiroso”, afirmou Bolsonaro durante live semanal, nesta quinta-feira (31).
Os investigadores também descartaram uma possível denunciação caluniosa de Moro por acusar o presidente de interferência na corporação e iniciar uma das principais crises do atual governo.
No relatório, a PF afirma que em dois anos de apuração “nenhuma prova consistente” da interferência de Bolsonaro foi encontrada e que todas “as testemunhas ouvidas foram assertivas em dizer que não receberam orientação ou qualquer pedido, mesmo que velado, para interferir ou influenciar investigações”.
Em abril de 2020, Moro pediu demissão do Ministério da Justiça e depois acusou o presidente de tentar interferir de forma indevida na Polícia Federal.
Na quarta-feira (30), Moro reagiu à decisão da PF de encerrar a apuração. “A Policia Federal produziu um documento de 150 páginas para dizer que não houve interferência do presidente na PF. Mas certamente, as quatro trocas de diretores da PF falam mais alto do que as 150 páginas desse documento”, escreveu ele no Twitter.
Uma das provas apresentadas por Moro e citadas no relatório da PF são as mensagens enviadas pelo presidente em que ele fala da intenção de tirar Maurício Valeixo da direção da corporação e indicar Alexandre Ramagem, amigo da família presidencial que depois seria nomeado diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Segundo relatório do delegado Leopoldo Soares Lacerda, Bolsonaro não cometeu um ato contrário à lei ao pedir a troca do diretor-geral da corporação a Moro porque cabe ao presidente escolher a equipe ministerial e também os chefes vinculados aos ministérios.
“Constam nos autos informações de que a relação entre o Presidente da República e o delegado de polícia federal Ramagem, nomeado como dirigente máximo da PF, iniciou-se no final da campanha presidencial por razões profissionais e assim foi mantida”, disse o delegado.
*Com informações do portal Noticias Ao Minuto
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