Aliados de Bolsonaro se dividem entre negacionismo e autocrítica após resultado das urnas
Houve quem depositasse na conta do presidente o mau rendimento da direita; já outros preferiram apontar o fracasso de outras legendas
Após o resultado considerado desfavorável para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), nas urnas, com a maior parte dos candidatos apoiados por ele não tendo sucesso na eleição do último domingo (15), aliados do chefe do Executivo nacional de dentro e fora do governo se dividiram entre negacionismo e a autocrítica, ressaltando a necessidade de reconhecer que é preciso mudar para recuperar o bom desempenho de 2018.
De acordo com o jornal O Globo, no primeiro grupo está o próprio Bolsonaro, que passou a defender a tese de que eleições municipais não têm nenhuma correspondência com a política nacional. Aliados chegaram a aconselhar o presidente a analisar com cautela uma eventual participação no segundo turno a fim de evitar novas derrotas.
Os assessores que defenderam a participação de Bolsonaro na campanha avaliam que o cenário serviu como um importante termômetro para moldar a corrida presidencial de 2022, caso ele leve adiante o plano de tentar a reeleição. Para essa ala, sem mergulhar de cabeça no pleito, Bolsonaro teria dificuldade de conhecer o real tamanho de sua força e suas fraquezas para uma próxima disputa.
Esse grupo também admite que a participação do presidente no pleito sem qualquer filiação partidária impôs uma urgência: a necessidade de ele encontrar rapidamente uma legenda para organizar seu grupo político. Bolsonaro se desfiliou do PSL em novembro do ano passado e tenta criar o Aliança pelo Brasil, ainda sem sucesso. Há alguns meses, Bolsonaro admitiu entrar em outra sigla.
Houve quem preferisse apontar o fracasso alheio para tentar minimizar o fraco rendimento na votação. Responsável pela articulação política do Planalto, o ministro-chefe de Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, afirmou em uma rede social que “a esquerda saiu derrotada”, destacando o fato que o PT reduziu ainda mais o número de prefeitos eleitos.
Já a ala que defendia um distanciamento do presidente das eleições municipais voltou a pedir que ele não se envolva no segundo turno.
Queixas nas redes
O apoio ao deputado federal Celso Russomanno (Republicanos), que não conseguiu passar para o segundo turno na eleição para prefeitura de São Paulo, foi decisão do presidente. Há, porém, críticas à campanha do candidato. Para um aliado próximo de Bolsonaro, “faltou conteúdo e firmeza nas ideias” do marketing de Russomanno.
Vários aliados, porém, externaram o reconhecimento de que o campo político de Bolsonaro foi mal-sucedido no domingo. O assessor especial para assuntos internacionais do presidente, Filipe Martins, um dos expoentes da “ala ideológica” do governo, afirmou em uma rede social que o movimento conservador brasileiro “bateu cabeça para fazer o básico” enquanto a esquerda “se renovou, assimilou as lições de 2018 e soube usar a internet e a nova realidade política a seu favor”.
A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) fez questionamentos: “O que houve com os conservadores? Erramos, nos pulverizamos ou sofremos uma fraude monumental?”.
Irmão do deputado bolsonarista Carlos Jordy (PSL-RJ), Renan Leal, que não se elegeu vereador em Niterói, pôs a culpa da derrota no presidente. Para ele, Bolsonaro “perdeu as eleições municipais, e provavelmente a de 2022 quando achou que era maior que o próprio projeto” e que “esqueceu que é na sola de sapato que fazemos política”. O post recebeu resposta de Carlos Bolsonaro, em defesa do pai: “Aí, amigão (irmão do Jordy), acho que não é bem assim não! Na hora de tirar foto você foi lá e agora isso! Lamentável!”.
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