“A gente precisa de projetos novos e não de nomes novos ou de populismo”, diz editor de política da Tribuna da Bahia

Para Guilherme Reis, no cenário político na Bahia, tudo pode acontecer até o final das eleições, em 2 de outubro


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redacao 19/09/2022 10:42 Política

Na avaliação do editor de política do jornal Tribuna da Bahia, Guilherme Reis, o eleitorado tem expectativas de que os novos candidatos, sejam nas esferas estaduais e federais, além do próximo presidente da República, que eles tragam renovação, melhorias para o Brasil e uma boa administração pública.

“A gente precisa de projetos novos e não de nomes novos ou de populismo, é isso que penso que o eleitorado espera”, disse durante entrevista com o editor-chefe do Portal M!, Osvaldo Lyra, no programa Nova Manhã da rádio Nova Brasil FM desta segunda-feira (19).

Para o jornalista, o cenário das eleições para o posto de gestor líder do Executivo está marcado com um antagonismo entre os dois líderes nas pesquisas de intenções de voto, Lula (PT) e Bolsonaro (PL). Ciro Gomes (PDT) que deveria ser o candidato da terceira via, a opção entre as pontas extremas, tem trilhado um caminho que não tem surtido muitos efeitos frente ao eleitorado: com uma série de ataques ao Partido dos Trabalhadores e seu principal representante, o ex-presidente e ao atual gestor federal.

“O que a gente vê é quase que uma disputa como se fosse o bem contra o mal. Uma série de ataques entre eles e quase que não se ver propostas. Ciro Gomes tem feito isso, ele tem apresentado propostas, mas ele está tentando jogar com as armas de Lula e Bolsonaro. O eleitor dele é um eleitor pequeno que está preocupado com as propostas para o Brasil, os demais estão divididos entre Lula e Bolsonaro”, analisou Guilherme Reis.

A eleição de 2018 marcou um acirramento entre as extremidades políticas no Brasil. O desgaste gerado pelos 13 anos da gestão do PT (oito anos com Lula e cinco com Dilma Rousseff), proporcionou novas alianças entre partidos, assim como a instância no eleitorado.

Na época, o nome de Bolsonaro surgiu como se fosse uma receita de bolo instantâneo para os problemas que o país enfrentava, entre eles, a segurança pública nacional. Com o declínio da gestão do atual presidente, agravado com a má administração no período da pandemia, assim como o surgimento de escândalos de corrupção (chave que Bolsonaro defendeu entre unhas e dentes de que seu governo não teria), como da propina com verbas do Ministério da Educação (MEC), acalorou a massa que sempre esperou pelo retorno de Lula frente ao Brasil. No meio dessa bola, há o Ciro Gomes que tem tentado, talvez, com as ferramentas erradas, sobressair com uma luz no final do túnel.

“O que vimos nos últimos pleitos é sempre uma dificuldade da terceira via se estabelecer. No caso de Ciro, foram muitos de erros e muitos deles são por conta dele bater muito em Lula e Bolsonaro. Porque, se temos dois candidatos polarizados, então a pergunta é: será que é vantagem acirrar essa disputa? Será que é vantagem atacar esses candidatos que detêm boa parte do eleitorado? Com isso, qual é o eleitorado que ele vai atrair levando em conta o favoritismo desses candidatos?”, pontuou.

Na Bahia

O cenário da Bahia não é tão diferente do nacional, no qual a gestão PT tomou o centro da mão da família Carlista e atravessou 16 anos de governo. O último e atual governador do estado, Rui Costa, que, para alguns, surgiu do nada, levou a melhor sobre Paulo Souto e tem conseguido fazer uma administração de destaque e, quem sabe, até populista. Porém, problemas antigos não foram sanados como a educação básica do estado, assim como a saúde e a segurança pública que têm amargado duras críticas frente ao cenário nacional.

Na avaliação de Guilherme Reis, ACM Neto (União Brasil), tem fortes chances de tomar de volta o poder para a família, haja vista, que há um cansaço político ante ao PT. “A Bahia é um cenário imprevisível onde tudo pode acontecer. Olha Rui Costa que venceu as eleições quando tudo indicava que não. Agora, as pesquisas mostram, desde o início, mesmo antes de começar a campanha, o favoritismo de ACM Neto. Mesmo com o crescimento de Jerônimo, a gente vê a vantagem de ACM para uma possível vitória em primeiro turno. Foram poucas as pesquisas que indicaram um segundo turno, mas, como eu disse, na Bahia tudo pode acontecer”, ponderou.

Entre Lula e Bolsonaro e ACM Neto e Jerônimo Rodrigues (PT), há ainda, há menos de 15 dias do primeiro turno, uma expectativa de que João Roma (PL), o candidato do atual presidente na Bahia, cresça para levar o pleito ao segundo turno. No entanto, segundo Guilherme, a terra do dendê ainda é o celeiro de votos do PT, com o favoritismo forte para o ex-presidente da República.

“Roma não tem crescido muito nas pesquisas e tem se mantido em terceiro lugar. Tem o fato também do Bolsonaro ter uma rejeição na Bahia e ACM Neto, que agrega muitos eleitores de Bolsonaro, mesmo sendo um candidato de centro”, falou o editor de política da Tribuna da Bahia.

Com relação ao senado, Guilherme Reiz diz que: “Otto Alencar tem um nome já consolidado, enquanto Cacá Leão (PP) ainda depende muito de ser visto. Otto já tem uma história com lideranças políticas do interior do estado, principalmente durante a pandemia, então, vai ser uma eleição muito difícil para Cacá, mas torno a falar, tudo pode acontecer na Bahia”, completou. 

*Confira a entrevista na íntegra:

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