“Há afeto mais do que ódio nesse Brasil incendiado pelo radicalismo”, diz Eduardo Leite
Governador do Rio Grande do Sul é o entrevistado do podcast do Portal M!
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), ganhou os holofotes nos últimos dias após tornar pública a sua orientação sexual, em entrevista a Pedro Bial, na rede Globo, chamando as atenções do país ao se assumir gay.
Ao Portal M!, Leite disse que “há afeto mais do que ódio nesse Brasil incendiado pelo radicalismo”.
“Eu nunca escondi, nunca tentei fazer acreditar que tinha outra orientação. Simplesmente não falava a respeito do assunto, porque, na verdade, eu torço para que um dia isso seja um “não assunto”. Mas no Brasil de hoje é um tema. Eu acho que o que realmente deve pauta no Brasil de hoje é a integridade dos políticos. Integridade no sentido de ser por inteiro, eu diria. Não ter nada a esconder”, disse.
“Fui muito bem recebido, muito bem acolhido na minha apresentação pública sobre a minha vida pessoal, o que me anima bastante no sentido de que há afeto mais do que ódio nesse Brasil incendiado pelo radicalismo. Há na população, nas lideranças políticas, sem dúvida nenhuma, uma oportunidade de superar esse ódio com afeto e com respeito”, completou.
O governador disse ainda que não é a sua orientação sexual que deve ser escondida e sim a esconder tem os outros.
“Que escondem rachadinhas, que escondem super faturamento de vacinas, que escondem mensalão e outros problemas. Então eu achei que era importante nesse momento em que eu começo a me apresentar nacionalmente, que a população possa entender quem eu sou por inteiro sem ter nada a esconder, que é fundamental para que a gente possa construir um novo capítulo na política nacional, de superarmos essa falta de integridade presente e focarmos no enfrentamento dos problemas que realmente interessam para a população, que é o combate à miséria, o combate ao desemprego, o combate à corrupção”, disse.
Eduardo Leite ressaltou ainda que sua alta aprovação como prefeito da cidade de Pelotas e sua atuação como governador do Rio Grande do Sul o fez decidir para entrar na disputa para Presidência da República em 2022.
“Eu tive a oportunidade de ser prefeito da minha cidade, a terceira maior cidade do estado, Pelotas, num contexto difícil. Para quem não conhece o Rio Grande do Sul, temos uma realidade de desigualdade regional bastante acentuada. É uma região que perdeu dinâmica econômica ao longo do século XX. Mesmo nesse contexto, eu consegui terminar o meu mandato como prefeito com 90% de aprovação, e prova disso são os 90% de votos que eu fiz na minha cidade e assumi o Rio Grande do Sul num contexto também de dificuldades e crises”, explicou.
“O estado ficou cinco anos sem conseguir pagar o salário dos servidores em dia, entrei no governo com hospitais recebendo com atrasos, parando serviços. Está tudo rigorosamente em dia hoje, com o estado abrindo espaço para investimentos. Um grande programa de privatizações, concessões, modernização da máquina pública. Então isso me deu muita experiência de enfrentamento de dificuldades, dificuldades que estão aí no cenário nacional também”, explicou.
“Talvez por isso tenha sido procurado por um grupo de lideranças políticas do partido me provocando para que eu passasse a levar essa experiência do que a gente tem feito no Rio Grande do Sul, para um debate nacional e construir uma alternativa em nível nacional. Eu estou bastante entusiasmado com essa perspectiva, e acho que posso dar uma contribuição, talvez por ser o primeiro governador e político millenial a apresentar o nome para uma disputa presidencial, uma nova geração da política”, finalizou.
Confira entrevista:
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