Ginecologista alerta para as diversas formas de violência obstétrica
Carolina Andrade é a convidada deste episódio do podcast do Portal M!
Durante o parto do filho caçula da influencer Shantal Verdelho, o médico obstetra Renato Kalil utilizou xingamentos e expôs a intimidade da paciente para o pai da criança e também a terceiros. Com a denúncia da gigital influencer, o tema violência obstétrica chegou ao conhecimento de uma porção maior da população.
O Portal M! gravou um podcast com a ginecologista e obstetra Carolina Andrade sobre o tema. Ela esclareceu que a violência obstétrica pode acontecer de forma verbal, moral, física e até mesmo psicológica.
A médica lembrou que a aplicação de medicações para induzir o parto é uma forma de violência. “Sim. Quando não existe necessidade de aumentar a contração é uma violência. Uma paciente que está em franco trabalho de parto, que está contraindo bem, não terá necessidade de uso da ocitocina. O parto na grande maioria das vezes é fisiológico e o bebê vai nascer no tempinho dele. Violência é quando a medicação é usada para acelerar esse processo fisiológico”, explicou.

Carolina Andrade, ginecologista e obstetra. Crédito: Divulgação
Sobre as formas mais comuns de agressão à mulher antes, durante e depois do parto, Carolina Andrade explica: “Antes do parto é principalmente quando a paciente está com muita dor, gritando, e muitos [médicos] falam que ‘na hora de fazer não gritou e agora está gritando’. Na hora, a gente pode ter agressões verbais como foi o caso de Shantal. Agressões físicas mesmo, como empurrar a barriga, a episiotomia, colocar a paciente numa posição boa para o médico e ruim para o paciente”.
Ela complementa: “Após o parto, a gente tem muitas outras violências. O período da amamentação é delicado e, a partir do momento que ela ouve de um familiar que seu leite é fraco, por algum outro motivo também está sendo violentada”, pontuou.
O vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (CRM-BA), Leonardo Rezende, destacou que a entidade evita usar o termo violência obstétrica e passa a usar violência no parto, o que segundo ele, pode acontecer a partir de diversos profissionais da área de saúde e não apenas com o obstetra.
“O ato pode acontecer com outros profissionais (enfermeiros, fisioterapeutas, técnicos de enfermagem), portanto não devemos focar apenas na figura do obstetra, porque na realização de um parto ou até mesmo durante o período gestacional a paciente tem contato com vários profissionais”, afirmou.
Segundo Rezende, no ano de 2020 foram protocoladas duas denúncias contra médicos envolvendo a violência no parto. Uma delas está em tramitação e a outra o processo ético profissional já foi instaurado. Já em 2021 houve quatro denúncias, sendo um dos processos arquivados, dois estão na fase de instrução e o outro o processo já foi instaurado. Ele destacou ainda que no ano de 2019 não houve denúncias relacionadas à temática.
O representante do CRM-BA detalhou que o processo quando chega ao conselho é aberta uma sindicância onde há a manifestação do médico denunciado e depois de todos os documentos colhidos a câmara de julgamento – formada por 10 médicos conselheiros – decide se abre um processo administrativo ou não.
Em caso positivo, de acordo com o conselheiro, trata-se de uma infração ao código de ética que pode ter cinco sanções: advertência confidencial, pena pública (censura), suspensão por até 30 dias e a cassação do exercício profissional.
Confira o podcast completo:
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