Putin já redesenha o mapa da Ucrânia enquanto Kiev espera assalto 

O anúncio foi feito pelo Ministério da Defesa em Moscou 


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redacao 02/03/2022 09:28 Internacional

Enquanto bombardeios se intensificam em torno de Kiev e Kharkiv, as duas principais cidades da Ucrânia, as forças russas começam a redesenhar o mapa do país vizinho com a tomada de Kherson, ao sul do país. 

O anúncio foi feito pelo Ministério da Defesa em Moscou e ainda não foi negado por Kiev. Kherson passou cerca de 24h sob intenso bombardeio, o que deve ter gerado elevadas baixas civis, dando assim uma medida do que cerco que se forma em torno da capital ameaça. 

É o primeiro centro de porte razoável que Vladimir Putin tomou em sua campanha, iniciada na madrugada do dia 24. Com 300 mil habitantes antes da guerra, é o principal ponto ao norte da península da Crimeia, anexada sem conflito pelo presidente russo em 2014. 

Até antes da guerra, o único acesso terrestre da Rússia à área anexada era a gigantesca ponte rodoferroviária da Crimeia, inaugurada por Putin ao volante de um caminhão em 2018. Mas a península sofria dificuldades, com seu acesso a água potável cortado pela Ucrânia -as tropas russas agora explodiram a represa que impedia o fornecimento. 

Mariupol fica a noroeste, a 150 km da principal cidade do sul russo, Rostov-do-Don. Ela foi atacada desde o primeiro dia da guerra, e é um porto importante no mar de Azov, uma divisão secundária do mar Negro. Quase 90% da produção mundial de gás neon passa por ali, por exemplo. 

De acordo com informações da Folha, a cidade está com a comunicação intermitente, explosões por todos os lados e os moradores, escondidos em porões e abrigos. Ninguém sabe o que está acontecendo direito, mas supõe que os russos estão prestes a tomá-la. 

Se cair, a região toda vai junto e a ponte estará formada. Este é o sonho dos nacionalistas mais radicais russos que, em 2014, queriam que Putin anexasse o Donbass e fizesse exatamente o que parece estar fazendo agora, criando uma fantasiosa região chamada Novarrossia, ou Nova Rússia. 

À época, o presidente se contentou com a anexação da Crimeia, de resto uma região que é historicamente parte da Rússia, e em fomentar a guerra civil que mantinha a Ucrânia afastada da viabilidade como Estado pleno. Logo, impedida de entrar na Otan (aliança militar ocidental) e na União Europeia. 

Esse são os dois objetivos estratégicos de Putin, pelos quais ele mobilizou quase 200 mil de seus 900 mil soldados em quatro meses em torno do vizinho. Exigiu que os Estados Unidos, como país-líder do Ocidente, se comprometesse a não expandir a Otan, sua obsessão geopolítica desde que Washington traiu as promessas de manter algum equilíbrio na Europa após o fim da União Soviética. 

Obviamente isso seria inaceitável, e o Ocidente começou a denunciar a invasão. Praticamente todos os analistas mais ponderados não acreditavam na possibilidade, dado que seria ilógico a Putin empregar brutalidade contra o povo que diz ser irmão do russo. 

Ao norte, a noite manteve a rotina de ataques isolados a posições em torno de Kiev e Kharkiv, com um crescente relato de baixas civis. A noção de que um cerco substancioso, e não os ataques do tipo “atire e corra” da primeira fase da guerra, está se formando em torno da capital está cristalizada. 

O Pentágono disse a repórteres americanos que a grande coluna blindada que vem da Belarus em direção a Kiev segue parada, mas a essa altura isso parece mais um sinal de preparação do que de problemas logísticos com combustível. O Ministério da Defesa russo disse que as linhas nas suas quatro frentes estavam regularizadas. 

O que a pasta não respondeu, nem o Kremlin, foi acerca das óbvias baixas russas. Zelenski fala em 6.000 mortos, o que é impossível de aferir, mas Moscou só confirma que há vítimas. Do lado civil ucraniano, os números estão na casa das centenas, mas podem ser mais. 

O canal de negociação entre Moscou e Kiev segue incerto. Após uma reunião em Belarus na segunda (28), os dois lados deveria se falar nesta quarta. O Kremlin primeiro disse que não haveria nova data ainda, depois que poderia haver conversa nesta tarde.   

*Com informações do Folhapress

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