Para analistas, vitória de Milei dá fôlego momentâneo à extrema-direita na América Latina
No entanto, não impacta diretamente nas eleições municipais no Brasil no próximo ano, apesar da proximidade com Bolsonaro
Analistas ouvidos pelo Portal M! apontam que a vitória do economista libertário Javier Milei como novo presidente da Argentina dá fôlego momentâneo à extrema-direita na América Latina. No entanto, não impacta diretamente nas eleições municipais no Brasil no próximo ano, mesmo com a proximidade do argentino com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Para o historiador Carlos Zacarias, professor da Ufba, essa presença do presidente da Argentina na imprensa brasileira “deve se esvanecer nas próximas semanas, então não parece que isso impacta nas próximas eleições municipais”. Para ele, “um ano em política muita coisa acontece e o tempo da política é atravessado com contingências que a gente não tem controle, mas hoje essa eleição de Milei tem pouco impacto nas eleições municipais. Nas próximas semanas, a Argentina ainda vai estar muito presente na mídia brasileira, porque Milei deve fazer algumas coisas que ele prometeu que faria na campanha que certamente vão impactar na América Latina, a questão como o Mercosul, o que ele vai fazer com o Banco Central, se vai dolarizar a economia”.
Assim como Zacarias, o cientista político Cláudio André de Souza, professor da Unilab e ex-professor da Ufba, acredita que as eleições municipais no Brasil têm suas peculiaridades, são voltadas mais para discussões locais. Portanto, a ascenção da extrema-direita novamente e a polarização entre Bolsonaro e o presidente Lula não devem influenciar nas eleições a prefeito no país.
“É um processo integrado, mas com uma perspectiva diferente. Do ponto de vista da predominância das pautas, há mais chance de concentrar no país aquelas discussões mais localizadas, sobre o dia-a-dia das cidades, as questões vinculadas aos serviços públicos, saúde, segurança pública”, explica.
Os dois analistas ponderam, porém, que há exceções como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, onde há um eleitorado forte do bolsonarismo e tende a ter a polarização, que não é o caso, por exemplo, de Salvador nem nas outras capitais do Nordeste.
“A tendência da polarização que existe no país nas eleições municipais se dá apenas nos grandes centros e nem em todos eles. Em Salvador, por exemplo, é muito pouco provável essa polarização. O impacto que acontece no plano nacional não se dá da mesma forma nos estados, ainda mais nos municípios”, diz Cláudio André.
“É óbvio que uma cidade como São Paulo deve repetir a polarização que existe no plano nacional, mas Salvador não me parece que vai repetir. Não temos uma candidatura do bolsonarismo que represente qualquer força no Estado, na cidade ou no conjunto das grandes cidades da Bahia. Então, eu acho que essa polarização acontece em alguns estados, talvez algumas cidades no Sul, onde o bolsonarismo é forte”, ressalta o historiador.
Eleições presidenciais
Segundo Cláudio André, se para 2024 não muda muita coisa, em 2026 pode ser diferente. A eleição de Milei não vai influenciar nas eleições municipais no Brasil no próximo ano, mas a depender de sua atuação na Argentina, poderá influenciar nas eleições presidenciais em 2026 tanto no país quanto em toda a América Latina nos próximos anos.
Além da Argentina, há outros dois presidente liberais no continente. O advogado Luis Lacalle Pou comanda o Uruguai deste 2019, quando colocou fim nos 15 anos de governos de esquerda, e Daniel Noboa, que foi eleito em outubro deste ano. O milionário de 35 anos desbancou Luisa González, candidata do ex-presidente Rafael Correa e apontada como favorita nas principais pesquisas, e se tornou o líder mais jovem na história do país numa eleição marcada por violência e até mesmo assassinato de candidato presidencial em praça pública.
“A gente deve estar atento a esses grupos de extrema-direita que se colocam dentro de um processo de confronto às instituições, de crítica à ordem mundial, aos mecanismos de política externa. É exatamente com esse aspecto que a gente vai precisar ficar atentos, em relação ao andamento que os países tomarão. Eu vejo que todos os países da América Latina, de alguma maneira, enfrenta uma pauta econômica como algo de muita relevância nesse processo”, pontua o cientista político.
“Então, as turbulências políticas passam exatamente pelos arranjos econômicos e isso não é diferente no Brasil. A gente tinha um eleitorado em 2018 de uma crise econômica e institucional oriunda da Lava Jato, das investigações relacionadas à corrupção. A ascensão de Bolsonaro nesse processo tem como resposta a esse dois elementos. Um trabalho dedicado de rede com essa junção de discursos. Eu vejo que são elementos interessantes que acabam ascendendo hoje como um atalho de estratégia eleitoral para os presidentes que têm sido eleitos aqui na América Latina”, completa Cláudio.
Ainda em entrevista ao Portal M!, o cientista político afirmou que Milei, de fato, “dá um oxigênio um pouco maior à extrema-direita na América Latina”. Entretanto, tudo vai depender como “vai ser sua liderança efetiva para resolver esse caos social e econômico que o país enfrenta” e nenhum outro presidente argentino conseguiu resolver.
“Milei tem um perfil mais outsider que, de fato, não tinha uma carreira política até essa eleição na Argentina. A depender de qual vai ser sua liderança política para resolver esse problema de crise a curto prazo ou, pelo menos deixar, aos olhos da população que o país está mudando de rumo do ponto de vista da economia, ele tende a ser um carro-chefe, um case de sucesso pra extrema-direita e aí fortalecer o cenário das eleições presidenciais da América Latina”.
De acordo com Cláudio André, o Brasil está vivendo um processo de consolidação de uma base social-ideológica bolsonarista, mesmo com os desvaneios cometidos pelo ex-presidente durante seus quatro anos de governo e ainda com o ato de 8 de janeiro que culminou na quebradeira em Brasília. Segundo ele, quando se analisam as pesquisas de opinião sobre a avaliação do governo Lula, é possível “perceber claramente que há um grupo que é radicalmente contra o PT e isso se manteve durante o ciclo de poder de Bolsonaro”.
“As pesquisas têm mostrado que existe uma base contra o governo e se mantém estável, não indica que vai mudar de posição. Então, para o cenário de 2026, até aqui, aponta que a força da extrema-direita, mesmo sem Bolsonaro como candidato oficial, pode de fato ser trabalhado na base dos 20 a 30 % como um projeto inicial. É um cenário muito complexo nesse aspecto porque não depende necessariamente de Milei, mas ele é uma grande narrativa que pode ser reforçada, no viés ideológico, na crítica ao sistema político e às instituições”, finaliza.
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