Estados Unidos anunciam pacote de armas para Taiwan no valor de US$ 1,1 bilhão
Caso a venda se concretize, será o quinto maior fornecimento durante o governo Biden
O governo de Joe Biden oficializou ao Congresso dos Estados Unidos, nesta sexta-feira (2), a intenção de vender a Taiwan um pacote de US$ 1,1 bilhão em armas defensivas, à medida que as tensões com a China continuam na região.
Caso a venda seja concretizada, será o quinto e maior pacote militar enviado à Taiwan durante o governo Biden. Ele inclui 60 mísseis Harpoon, 100 mísseis aéreos Sidewinder e um sistema de radar de defesa para rastrear possíveis mísseis.
A venda deve aumentar as tensões com a China, que tem enviado tropas aéreas e marítimas ao redor da ilha desde que a presidente da Câmara dos Deputados americana, Nancy Pelosi, a visitou no mês passado. Nesta semana, quando Biden externou a intenção de venda, a Embaixada da China em Washington alertou ao governo americano que o país precisa parar de vender armamentos à Taiwan.
Segundo o jornal Washington Post, a venda deve ser autorizada pelo Congresso, que considera aumentar a quantidade de assistência militar à Taiwan nos próximos quatro anos.
O pacote faz parte da estratégia mais ampla do governo americano para deter as ações militares da China, segundo as autoridades. Essa estratégia também exige trabalhar com aliados e parceiros por meio de exercícios conjuntos na região e construir uma estabilidade econômica de Taipé para que o território possa suportar uma pressão crescente da China, acrescentaram. Os Estados Unidos devem começar a negociar economicamente com o país em breve.
Preparativos a longo prazo
O governo americano considera que as tensões entre a China e Taiwan devem se estender a longo prazo. No mês passado, os Estados Unidos realizaram um exercício aéreo conjunto com o Japão perto de Okinawa. Na semana passada, dois navios de guerra foram enviados à região através do Estreito de Taiwan – configurando o primeiro envio desse tipo desde a visita de Pelosi.
Em declarações recentes, autoridades americanas têm afirmado que não serão imprudentes na região. “Seremos pacientes e eficazes, continuaremos a navegar e operar onde o direito internacional permitir”, disse o coordenador da Casa Branca indo-pacífica, Kurt Campbell, no mês passado.
A questão é a mais preocupante na relação entre Estados Unidos e China hoje e gira em torno do reconhecimento de Taiwan. Washington, sob a política de Uma Só China, reconhece Pequim como único governo legal do país, mas não concorda com a posição de Pequim sobre Taiwan, que a considera parte da China.
Desde 1979, através da Lei de Relações de Taiwan, os Estados Unidos estão comprometidos a fornecer a Taipé “artigos de defesa e serviços de defesa” necessários para que ele se defenda.
As tensões cresceram no último mês com a visita de Nancy Pelosi à ilha, vista pela China como provocativa. Pelosi é a mais alta autoridade americana a visitar Taiwan desde o então presidente da Câmara dos Deputados, Newt Gingrich, em 1997. Os efeitos a longo prazo da viagem devem alterar ainda mais as relações entre Washington, Pequim e Taipé.
Por outro lado, o governo Biden tem acusado a China de ser a responsável pelas provocações na região.
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