Eleições nos EUA e guerra no Oriente Médio deixam o mundo em alerta
Em entrevista ao Portal M!, o cientista político Jorge Almeida falou sobre o futuro da região diante das guerras e reviravoltas nas eleições americanas
O ano de 2023 foi marcado por muitas tensões internacionais, a exemplo do confronto entre Israel e Palestina. A guerra entre os dois países é uma das mais longas da história, com início desde a década de 1940.
Passado todo esse período, de tempos em tempos, hostilidades acontecem entre os dois lados, aumentando a tensão. Desde o dia 7 de outubro, data que se iniciou o conflito entre Israel e Palestinos, o número de mortos ultrapassou de 15.900, de acordo com os dados oficiais divulgados por ambos os lados no fim de novembro.
Ismael al-Thawabta, diretor-geral do escritório de mídia do governo em Gaza, disse que entre os falecidos estavam 6 mil crianças e 4 mil mulheres, acrescentando que mais de 35 mil pessoas ficaram feridas.
As vítimas incluíram também 205 médicos, 22 pessoas de equipes de defesa civil e 64 jornalistas, segundo al-Thawabta. Mais de 7 mil pessoas foram dadas como desaparecidas, e mais de 4.700 delas eram crianças e mulheres, como disse ele.
Em entrevista ao Portal M!, o cientista político e professor de Ciência Política da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Jorge Almeida, fez um panorama do conflito que perdura há mais de 70 anos.
“Infelizmente, não é um conflito novo, existe desde a Segunda Guerra Mundial, quando a ONU aprovou o Estado de Israel, tomando território tradicionalmente já ocupado pelos palestinos. Na época, esse território estava sendo colonizado pela Inglaterra, ou seja, não existia Estado Palestino porque era a Inglaterra que dominava a região. A decisão da ONU impactada pelo local, acabou aprovando a restituição de um Estado que foi Israel contra a opinião dos árabes, em geral a dos palestinos, o que acabou gerando conflito que vem se renovando anos após anos e tendo vários momentos de guerra.”, explica Almeida.
Eleições nos EUA
A formalização de um inquérito de impeachment contra o presidente Joe Biden, que havia sido lançado em setembro pelo então presidente da Casa, o Republicano Kevin McCarthy um e possível crescimento do ex-presidente americano Donald Trump deixam o mundo em estado de alerta.
Na avaliação do cientista político Jorge Almeida, a tendência é que Trump cresça diante das pesquisas, mesmo não sendo ainda oficial a sua candidatura. “Faltando menos de um ano para as eleições, o atual governo precisa acompanhar melhor o processo para glorificar a possiblidade de alteração tanto da rejeição, quanto de melhoria da sua posição nas pesquisas”, explicou.
Diante deste cenário, o ex-presidente americano Donald Trump está encorajando seus apoiadores a “protegerem o voto” durante as eleições do próximo ano, uma frase que tem feito soar os alarmes entre os defensores da democracia, que consideram que ela representa uma permissão para tomar medidas extremas, que poderiam intimidar os eleitores e ameaçar funcionários eleitorais.
É uma frase relativamente nova para Trump, embora ativistas de extrema direita já venham preparando terreno para que ela seja usada de forma mais ampla.
Michael Flynn, ex-assessor de segurança nacional, passou meses repetindo essa frase em postagens, discursos e entrevistas. E Victor Mellor, parceiro muito próximo de Flynn, disse à Associated Press que está criando um novo grupo chamado “Guard the Vote” (Proteja o Voto) em preparação para as eleições de 2024. Mellor forneceu à AP um vídeo que mostrava o novo “centro de comando” do grupo em um edifício na Flórida onde fica o escritório de Flynn.
Nova disputa
Diante das pesquisas, o ex-presidente dos Estados Unidos venceria o atual mandatário do país, em uma nova disputa entre os dois pela Casa Branca em 2024. É o que revela uma pesquisa nacional do Wall Street Journal.
Numa escolha entre Trump e Biden, 47% dos eleitores registados nos EUA dizem apoiar Trump e 43% votariam em Biden, com 10% de indecisos. A sondagem do Wall Street Journal revela que Biden mantém apenas 87% dos apoiadores que tinha em 2020, enquanto Trump mantém fiel 94% do eleitorado que o levou à presidência em 2016.
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