Colombianos vão às urnas no segundo turno para escolher entre ‘esquerdista’ e ‘outsider’

Petro e Hernández estão empatados, de acordo com as pesquisas de intenção de voto


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Ana Paula Ramos 19/06/2022 08:20 Internacional

Os colombianos voltam às urnas neste domingo (19) para o segundo turno das eleições presidenciais com apenas uma certeza: seja qual for o resultado, o país iniciará uma etapa inédita em sua história. Esta é a primeira vez que a disputa é entre um candidato da esquerda ou centro-esquerda e outro que se apresenta como ‘outsider’ do sistema político.

O ex-guerrilheiro e senador Gustavo Petro, da coalizão Pacto Histórico – classificado por especialistas como de esquerda ou de centro-esquerda -, e o empresário do setor da construção e ex-prefeito Rodolfo Hernández, da Liga de Governantes Anticorrupção, tido por muitos como populista e uma espécie de ‘Trump colombiano’, estão tecnicamente empatados, de acordo com as pesquisas mais recentes.

A perspectiva de uma suposta contagem ‘voto a voto’ tem levado a imprensa colombiana a afirmar que esta será uma “eleição de infarto” (“infartante”). 

Os partidos tradicionais de direita ou de centro-direita, que governaram a Colômbia por décadas, foram derrotados no primeiro turno, realizado no dia último dia 29 de maio.

Esta eleição tem outras duas novidades: a união da esquerda e a saída do conflito armado das prioridades dos debates colombianos. 

As propostas dos dois candidatos são consideradas disruptivas e refletem o cansaço dos colombianos com os problemas que enfrentam, como o desemprego (em torno de 12%), inflação alta (9% anual) e a crônica desigualdade social, segundo analistas ouvidos pela BBC News Brasil.

Tanto Petro como Hernández dizem representar mudanças contra o sistema atual e a esperança de uma guinada na vida dos colombianos, que, em muitos casos, encaram problemas similares aos de outros latino-americanos e agravados durante a pandemia de Covid-19 e da guerra na Ucrânia, como o aumento nos preços dos alimentos.

“Esta é uma eleição que reflete o sentimento de esgotamento dos colombianos com os problemas sociais que estão enfrentando. É a primeira vez, desde os anos 1980, que os partidos tradicionais (Liberal e Conservador) não estão na disputa”, disse a cientista política e especialista em negócios internacionais Luciana Manfredi, da Universidade ICESI, de Cali, e da UNAM, do México.

Ela observa que, diante de um eleitorado fragmentado, ao mesmo tempo em que geram expectativas de renovação, os dois candidatos também provocam dúvidas em relação à estabilidade econômica (caso de Petro) e à estabilidade democrática (caso de Hernández).

Os mais céticos questionam como Petro ou Hernández farão, na prática, para atender as demandas acumuladas dos colombianos.

“Num contexto de baixo crescimento econômico, inflação e desemprego altos, surgiram o ‘voto castigo’ (contra a classe política tradicional) e o ‘voto protesto’ (contra as dificuldades sociais). Nas eleições anteriores, essas problemáticas apareciam num segundo plano, com a guerrilha e a segurança como prioridades. Mas Petro e Hernández são demagogos porque não está claro como vão resolver os problemas e se não podem acabar piorando a situação”, disse Jorge Restrepo, professor de economia da Universidade Javeriana, de Bogotá.

O debate sobre a guerrilha passou a ser secundário e praticamente inexistente nesta campanha eleitoral, em função do acordo de paz, assinado em 2016, para colocar um ponto final no conflito armado envolvendo as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), que durou 50 anos.

A esquerda, que era rejeitada por sua associação com o movimento guerrilheiro, passou a ter maiores chances de eleição para a Casa de Nariño, a sede da Presidência colombiana.

 

* Com informações do Portal UOL

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