“O São João é um bálsamo para a alma do nordestino”, diz Zelito Miranda
Cantor é conhecido por misturar diversos estilos musicais ao forró
Para Zelito Miranda, o rei do forró temperado, o São João é considerado mais do que uma festa para o Nordeste – é sinal de graditão pela fartura da colheita – e em 2022, após dois anos de pandemia de Covid-19, os festejos virão como um bálsamo para a alma do povo nordestino.
“O São João é uma coisa maior que tudo, é a maior festa do povo nordestino que sai Brasil. O São João é um bálsamo para a alma do nordestino. Claro que há outras festas como o Réveillon, o Natal, o Carnaval, mas ele passa o ano todo se programando. Em março, São José anuncia o plantio do milho, do amendoim, do feijão. Quando chega junho, São João trás a colheita e é aí que a festança, a alegria e este ano vai ver ser diferente”, disse Zelito Mirada.
A noite tradicional de São João, comemorada no dia 23 de junho vai marcar como a primeira festa de tradição celebrada após os dois anos de restrições por conta dos protocolos de prevenção a doença. Em 2020 e 2021 os festejos juninos assim como Carnaval, Réveillon e as celebrações de Largo, foram suspensas para evitar aglomerações para impedir o avanço do vírus que assolou o mundo.
“A gente tem uma expectativa muito grande para este período. Claro que eu já estou tocando desde março, mas o São João está se aproximando e isso é sinônimo de maior aglomeração, mais pessoas em festas. Então, é preciso ter a cabeça fria, um astral legal e procurar curtir com segurança e consciência porque estamos vendo os índices dobrando, inclusive, correndo risco de não ter essa festa”, disse o cantor.
“Não é só ciência que deve tratar disso, mas a população. Temos também a obrigação de e não querer viver aquilo de novo. Eu costumo dizer que o brasileiro é doido e o nordestinho é muito doido, já o baiano é extremamente doido”, brincou Zelito referindo-se ao gosto por festas e determinação dos preparativos. “O São João tem uma preparação que ocorre o ano todo, quando começa em março, vem o plantio do milho com São José. Quando chega junho é aquela festança pela abundancia da colheita do milho, do feijão, do amendoim”, explicou.
Depois do Carnaval, em Salvador – onde ocorre a maior festa de rua do mundo -, o São João é o festejo mais esperado, seguido pelo Réveillon. Na capital baiana, que tem um caledário de celebrações em diversas datas do ano, como as festas de largo, o momento junino marca um divisor de águas – a chegada do meio do ano.
Zelito explica que para o povo sertanejo, os festejos juninos estão muito mais atrelados à comemoração do crescimento e da fartura e muito menos focado nos shows e eventos que, tradicionalmente, ocorrem no período. “Quando chega junho, tem aquela preparação de montagem de palcos, o turismo se movimenta, os hoteis lotam, os artistas têm agenda cheia e isso é muito porque é um momento que mexe com toda a economia. Normalmente, nas capitais, tudo termina nos shows”, comentou.
“Para o nordestino, ele não pensa no só no show. Ele celebra o ciclo da fartura que é algo tão importante. Em casa de roça é uma festa incrível e o tabaréu é por natureza vaidoso. Ele quer colocar a melhor roupa, colocar melhor perfume para poder dançar no arraiá da roça, do vilarejo, enfim. Ele se arruma para poder paquerar. É uma forma que eles têm de extravasar e celebrar a fartura. Eu mesmo me considero um tabaréu, mas um tabaréu letrado”, brincou. “Carnaval é uma festa vertical, para pular, já o São João é uma festa horizontal, para dançar”, refletiu.
O rei do forró temperado
Nascido em 1956, numa fazenda do município de Serrinha, Zelito teve seu primeiro contato com o forró em 1987, quando decidiu se aventurar no estilo. Na época, logo após o final da Ditadura Militar no Brasil, o ritmo era tocado apenas pelo interior em vilarejos e comunidades rurais e não de forma comercial. “Fui cantor dos Novos Bárbaros e durante quatro anos, fiz os Carnavais em cima de um trio elétrico, ao lado de Sarajane e Buck Jones”, relembrou.
O tempero de Zelito surgiu após ele misturar rock, axé entre outros estilos musicais com o tradicional forró. Com dez anos de teatro no Vila Vilha, o cantor decidiu se lançar na música e bebeu da fonte do maestro baiano Lindembergue Rocha Cardoso, na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Quando saiu da escola, foi quando se lançou nos Novos Bárbaros.
“Curti muito rock naquela época e não existia o forró como formação e a primeira composição foi o Trio Nordestino [Luiz Mário; Beto Sousa; Coroneto]. Quando eu defini que ia fazer forró foi como um tapa na cara das pessoas. Eu era um cara meio cult, ligado na galera do pop. Tive que driblar muito preconceito”, falou.
Quando Zelito se lançou no forró, Lazzo Matumbi explodia com o sucesso “Do jeito que seu nego gosta”. Amigos, Lazzo começou a falar que Zelito fazia música com o ‘tempero baiano’. Depois de um tempo, um amigo fez uma publicidade em outdoors de Salvador, anunciando um show como: ‘Zelito Miranda – o rei do forró temperado’. “A princípio eu não gostei, mas depois eu vi que podia dar certo e deixei rolar e aí ficou, o forró temperado. Passei a usar batida do Olodum, rits de guitarra, raggae e por aí”.
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