O Canto da Cidade: da Matriz Afro-baiana à Axé Music de Daniela Mercury é o novo ebook das Edições Sesc SP
Jornalista Luciano Matos revê a trajetória da cantora e analisa a explosão do ritmo após um show em 1992 que parou a principal avenida da capital paulista
“O canto da cidade: da Matriz Afro-baiana à Axé Music de Daniela Mercury”, escrito pelo jornalista baiano Luciano Matos, é o novo e-book das Edições Sesc SP, que chega pela coleção Discos da Música Brasileira. A obra está disponível nas principais livrarias, em aplicativos como Apple Store e Google Play e também pelo portal www.sescsp.org.br/livraria.
Neste volume que contempla a valorização da memória musical e busca observar os ecos e reverberações dessa produção, Luciano Matos entrevistou artistas e compositores – como o recém-falecido Letieres Leite, além de Carlinhos Brown, Margareth Menezes, Liminha, Vovô do Ilê e Márcia Short – para recontar a história e os bastidores do disco e do estilo que surgiu na Bahia e ganhou as ruas pelo Brasil.
O livro tem como ponto de partida um show da cantora realizado em São Paulo, no vão do Masp.
Em junho de 1992, ela, ainda pouco conhecida do grande público, parou a Avenida Paulista em pleno meio-dia, mas sua apresentação foi interrompida, após 40 minutos, por conta da enorme concentração de pessoas e da forte vibração sonora que poderia abalar a estrutura do museu.
É justamente a partir desse fato que contribuiu para a consolidação da chamada axé music que Matos conta a história de Daniela e do álbum O canto da cidade.
Entretanto, como a história é sempre maior e mais abrangente do que as 12 faixas de um disco, o autor volta às origens do que seria absorvido por essa cena musical que surgia: os blocos afro.
No livro, ele reconta a trajetória de seus maiores representantes na capital baiana, como Ilê Aiyê, Olodum, Malê Debalê, Muzenza e Ara Ketu, e volta à origem da batida de Neguinho do Samba, Mestre Jackson e Ramiro Musotto que somou aos timbaus e repiques da levada do reggae uma poderosa batida grave de surdos, dando vez ao samba-reggae.
De acordo com Matos, o resultado desse encontro da cantora com os blocos e com o samba-reggae aparece já no primeiro disco: “Swing da cor”, música de trabalho do álbum, descoberta em um festival do bloco Muzenza e gravada com a percussão do Olodum e Neguinho do Samba.
“A gente estava descendo a ladeira de São Bento [no trio], quando Marcionílio perguntou se eu já tinha ouvido a música nova do Olodum. Eu não conhecia ainda. Então ele cantou um trecho de ‘Faraó’ e o povo respondeu. Aquilo foi incrível. Fiquei enlouquecida. Era um samba novo, uma síntese nova. Uma estrutura louca, uma música longa e interessante. Era muito diferente”, lembra Daniela em entrevista ao autor.
“A enorme visibilidade alcançada por Daniela serviu para escancarar de vez o que já era realidade na Bahia. A música pop baiana, que ganhou o apelido de axé music, virava uma realidade nacional sem que os artistas precisassem sair de lá, como antes acontecera com quase toda a música surgida fora de Rio de Janeiro e São Paulo”, afirma Matos.
Além de se enveredar pelos meandros da axé music, ele aborda o embranquecimento promovido por esta indústria e seu modus operandi. Em seu prefácio para o livro, o organizador da coleção, o crítico e jornalista Lauro Lisboa Garcia, diz:
“Os êxitos musicais e influências de Daniela Mercury, como se comprova, foram muito além do álbum de 1992. Cercada de profissionais do alto escalão, como Liminha, Ramiro Musotto, Carlinhos Brown, Letieres Leite, Alfredo Moura e Neguinho do Samba, ela faria na sequência outros álbuns consistentes e de expressiva repercussão popular, como Música de rua (1994), Feijão com arroz (1996), Sol da liberdade (2000) e Carnaval eletrônico (2004), mas O Canto da Cidade é a mola propulsora de seu sucesso e de todo um cenário que se elevou a partir dali”.
Ainda de acordo com ele, além de contar a história do álbum – tocando, também, em pontos obscuros -, Matos realiza um robusto documentário sobre o momento de maior visibilidade e popularidade da axé music. E finaliza: “Atrás daqueles baianos só não foi quem já estava morto”.
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