Márcia Short diz que a suspensão do Carnaval foi acertada, mas que governo precisa tomar medidas para fomentar o setor
“Eu chorei quando vi que não ia ter mesmo. Fiquei triste, porque a gente vive disso”, disse a artista
Apesar de ver a não realização do Carnaval com pesar, a cantora baiana Márcia Short afirma que a decisão foi acertada. Diante o crescimento de infectados da Covid-19 e da gripe H3N2, a artista afirma que o país ainda não está pronto para realizar uma festa que reúne mais de 800 mil pessoas, mas que os poderes públicos precisam pensar em contrapartida para o setor.
“É importante que o governo, com todas as essas restrições aperte também a fiscalização e pense em formas de fomentar o setor. É preciso pensar porque tem gente passando fome, vendendo instrumento, desesperado”, afirma a artista em entrevista para o programa Nova Manhã, da rádio Nova Brasil FM (104,7 FM), comandado pelo editor-chefe do Portal M!, Osvaldo Lyra.
A não realização do Carnaval tem levantado muita discussão entre os artistas, uma classe que tem sofrido bastante no período da Covid-19. Para Márcia, o momento ainda não é propício e cada vez é mais necessário que as pessoas escutem o que a ciência diz. “Eu chorei quando vi que não ia ter mesmo. Fiquei triste, porque a gente vive disso. É o melhor cachê que recebemos no ano. O cachê do Carnaval paga seis meses da nossa vida, cada um no seu patamar e padrão. Eu consigo resolver muitas dívidas do ano anterior e consigo resolver coisas do ano vigente”, diz.
“Eu sinto muito por artistas do meu porte, artistas que tenham uma condição mais difícil do que a minha, porque nós não temos reserva. Acho que agora, diminuindo as proporções, a classe trabalhadora, que ganha pouco, tinha que ter um fomento para lives, para alguma forma de fomentar o setor. Estou vendo gente rica se queixando, imagina a gente”,
Festa indoor
Segundo a cantora, o formato do Carnaval indoor não seria justo e não atingiria o grande público do Carnaval, além de não beneficiar também, parte dos artistas.
“Eu acho que o formato não seria justo. Era para quem essas oportunidades? Não ia atingir o público que era o dono da festa. O espaço para o povo está cada dia menor nas ruas. Não vai ter Carnaval na rua e vai ter Carnaval indoor? Quem vai pagar esse Carnaval? É para quem? Eu não tinha nenhuma expectativa de trabalhar nesse formato em lugar nenhum, ia ficar chupando dedo mais uma vez. O povo ia ter dinheiro para pagar esse Carnaval?”, questiona.
Assista a entrevista:
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