Dupla sertaneja lança música com letra transfóbica e é criticada nas redes sociais

Canção de Pedro Motta e Henrique narra a história de um homem que se sente ‘enganado’ por ir com uma mulher para o motel e descobrir se tratar de uma trans


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redacao 21/12/2020 20:04 Coluna Ohh!

Enquanto o Brasil ainda é o país que mais mata travestis e transexuais, com altos índices de brutalidade, simplesmente por elas serem quem são, artistas com grande alcance do público continuam perpetuando comportamentos que, de alguma forma, ferem a comunidade LGBTQI+ e contribuem para reforçar o preconceito.

No sábado (19), a dupla sertaneja Pedro Motta e Henrique lançou uma música nas plataformas digitais intitulada Lili, que tem letra transfóbica. A repercussão nas redes sociais foi péssima.

A letra politicamente incorreta narra a história de um homem que se sente “enganado” por ir com uma mulher para o motel e descobrir que se trata de uma trans.

“Agora eu entendi porque ela não quis fazer amor… depois de uma farra embriagada ela se entregou, só que ela não tinha o que mulher tem… Ô, Lili, ô, Lili, o amor da minha vida é um travesti”, diz trecho da canção da dupla.

Na estrofe, há várias ofensas à comunidade trans, entre elas a citação do órgão sexual e o fato de se referir à travesti no gênero masculino.  

A música já tem aproximadamente 200 mil visualizações no YouTube, e os deslikes se destacam, somando o número de 32 mil pessoas que não curtiram o trabalho dos artistas.  

A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) divulgou uma carta no Instagram se posicionando a respeito do conteúdo. 

“Somos da Associação Nacional de Travestis e Transexuais, uma instituição que atua pela defesa dos direitos humanos das pessoas trans no Brasil. E gostaríamos de conversar com  alguém a respeito desta música ‘Lili’, que se utiliza do que temos chamado de transfobia recreativa para promover violência simbólica e psicológica através da chacota contra a população de travestis brasileiras”, diz o post. 

“Talvez vocês não saibam, mas o Brasil é o país que mais assassina travestis do mundo por ódio, que muitas vezes é incentivado por esse tipo de piada de extremo mau gosto. Estamos à disposição para o diálogo. E a nossa recomendação é que, desde já, vocês cancelem o lançamento e a divulgação, pois a música é flagrantemente discriminatória. Acreditamos que é possível que tenham se equivocado na produção desse tipo de conteúdo e por isso estamos entrando em contato para podermos tirar as dúvidas sobre o porquê dela ser problemática”, finalizou o pronunciamento. 

Na tentativa de justificar o trabalho, os músicos se pronunciaram nas redes sociais e cometeram outro erro ao ignorar a diferença entre sexualidade e identidade de gênero.

“Estão nos chamando de homofóbicos. Gente, de forma alguma! Nunca vocês ouviram que Pedro Motta e Henrique são homofóbicos”, pontuou Pedro. 

Já Henrique reforçou que eles têm até “muitos amigos gays”, mas que não irão se pronunciar publicamente “por medo”.

“A gente não está aqui pra menosprezar a imagem de vocês. A gente fala que o amor da nossa vida é um travesti, né, parceiro, e não sabíamos. Ou é uma travesti, como vocês estão falando. A gente pede desculpa a todos que estão nos interpretando mal. Sei que vai ter muita crítica nesse vídeo, mas de forma alguma a gente veio pra menosprezar a imagem de vocês”, disse.  Veja o pronunciamento (aqui).

Na internet, a atriz e palestrante Gabriela Loran se pronunciou a respeito, criticando o trabalho dos músicos. “Não dá mais… Cansa!”, disse.  

A co-vereadora intersexo Carolina Iara, da bancada feminista do PSOL, de São Paulo, se posicionou a respeito da polêmica.

“O refrão é ‘fui enganado, me apaixonei por UM travesti’. Nisso já existem vários problemas. Fazer uma música dizendo que as pessoas trans não são de verdade, que elas são enganação, já é um problema. Você tratar as pessoas travestis no masculino é outro problema. E aí tem um terceiro problema, muito grave: essa narrativa de que os homens saem conosco enganados. Isso é mentira, gente”, afirmou. 

“O Brasil é campeão de consumo de pornografia trans no mundo. É aqui que mais se consome pornografia de travestis e transexuais. É aqui também que mais se mata travestis e transexuais, em maioria em seus locais de trabalho, a prostituição”, finalizou. Veja o pronunciamento (aqui).

Nas redes sociais a plataforma de música Deezer também se pronunciou.  

“Vou repetir sempre que necessário: eu NÃO compactuo com transfobia. Já tirei a música da minha plataforma”. 

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