Em meio à onda de insegurança, bares tradicionais da capital lidam com queda no movimento

Em alguns estabelecimentos a redução foi de 50%


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Bruno Brito 20/05/2022 17:27 Cidades

Diante do cenário de insegurança vivido pela população de Salvador, os donos de bares e restaurantes da capital estão lidando com uma cidade menos noturna, sobretudo, nas últimas duas semanas. O momento, que deveria ser visto como uma recuperação, após o período mais crítico da pandemia, tem trazido preocupação com a diminuição do movimento no dia a dia.

No Bar Koisa Nossa – Os Internacionais -, localizado na Mouraria, por exemplo, a redução no movimento foi entre 40% e 50%, segundo a proprietária do local, Eliene Cunha. Ela afirma que o movimento vinha bem no local, mas nas últimas duas semanas sofreu uma redução. Além disso, ela atribui a queda no movimento à questão financeira da população.

“Isso é algo que nos preocupa demais, porque com a diminuição da pandemia, o movimento tava bom, ótimo. Estava rezando e agradecendo a Deus pela melhoria no movimento, mas nas últimas duas semanas, despencou. Por volta das 17h, até aparecem alguns clientes, comem uma lambreta rápido e quando dá umas 20h, o bar já está vazio. É muita tristeza”, disse.

Segundo Eliene, embora o bar dela esteja em um local seguro, por estar localizado ao lado do quartel da Mouraria, os clientes se sentem inseguros no trajeto de ida e volta. Ela falou também que possui segurança no bar, mas que é impossível disputar com os bandidos.

“Até que o meu bar, tenho certa segurança, porque estamos ao lado do quartel, não dá muito medo, mas as pessoas pararam mais de sair de casa, porque o trajeto de ida e volta também causa preocupação aos clientes. Quanto à medida de segurança, não tem como, mas não tem competir com bandido. Eles estão conseguindo driblar a polícia em alguns casos, fazem os assaltos. Eu até tenho segurança, mas não tem como competir com bandido. Pedimos a Deus, que nos livre dessas coisas”, afirmou.

A proprietária também lamentou o baixo movimento, sobretudo, pela redução nos lucros do local. “Com essa queda, é claro que nosso lucro diminui junto. Nossas contas vão acumulando, são despesas que não param de chegar”, contou.  

Por fim, Eliene falou sobre a expectativa de movimento para o final de semana, após um início de semana desanimador. “Eu abro de terça a domingo, terça e quarta foi quase zerado o faturamento. Já na quinta, até me surpreendi, com um movimento razoável, cerca de 20 mesas ocupadas. Espero que o final de semana seja na mesma linha”, concluiu.

O reflexo da onda de insegurança também fez o movimento cair no Habeas Copos, na Barra. Segundo o proprietário do local, Sérgio Bezerra, o movimento no local caiu entre 30% e 35%. Para ele, é necessário ações enérgicas para acabar com a sensação de insegurança.

“Está terrível. É inaceitável o que vem ocorrendo. As pessoas estão temerosas e isso tem refletido negativamente no movimento de bares e restaurantes. Esperamos, sem dúvidas, o posicionamento bastante enérgico da polícia através do seu serviço de inteligência e policiamento ostensivo, tem que ter alguma coisa para coibir essas ações, que tem tido reflexo negativo para o turismo, e principalmente para os soteropolitanos”, afirmou Bezerra.

A onda de insegurança também tem preocupado Mônica Tavares, proprietária do Malembe, no Carmo e do Roma Negra, no Terreiro de Jesus. De acordo com ela, a redução do movimento no local foi de 30%, mas ela não credita isso apenas à questão da segurança pública, apesar de acreditar que isso colabore. 

Medidas

A proprietária afirmou que participa de alguns grupos de WhatsApp, e que a sensação de insegurança é muito grande.  Mônica indicou ainda, que a maioria dos proprietários de estabelecimentos vem buscando alternativas para inibir esse tipo de ação, como alarmes e câmeras de monitoramento.

“No nosso caso, essas medidas já haviam sido tomadas tanto no Roma Negra, quanto no Malembe. Para segurança dos nossos colaboradores e clientes, adotamos câmeras de vigilância e alarmes ligados à central da polícia”, disse.

Por sua vez, ela explicou que é contra colocar uma pessoa  com a função de segurança na porta dos seus espaços. “Construímos algo para que pessoas como nós pudessem ter lazer e conforto, e esperamos nunca precisar. Penso que esse papel de proteger a sociedade desse tipo de ação, caiba a secretaria de segurança pública. O poder público precisa pensar em medidas que consequentemente evitem esses momentos de tensão. Iluminação pública, policiamento constante, por exemplo”, apontou a proprietária.

Por fim, ela também lamentou que, após o árduo trabalho de resgate do turismo no Centro Histórico, em que as ruas do Pelourinho e do Santo Antônio foram preenchidas, esteja tendo que lidar com essa sensação de insegurança novamente.

“Foi um momento muito esperado e tudo que não queríamos era ter que enfrentar mais um problema macro. Sabemos também que essa onda elevada de assaltos, tem uma estrutura social e política. A falta de emprego, a fome tem tencionado ainda mais o grave quadro social que o país inteiro vive”, finalizou Mônica.

Solicitado pela equipe de reportagem do Portal M!, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), não informou, até o fechamento desta matéria, o número de ocorrências envolvendo bares e restaurantes nos primeiros meses deste ano.

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