“É necessário ampliar e consolidar as políticas de ações afirmativas” diz diretor-geral da Fundação Pedro Calmon
Zulu Araújo ainda lamentou que atualmente grande parte da população negra precisa lutar para ser reconhecida pelo seu potencial
Num país onde pelo menos cinco pessoas negras são mortas por dia em ações policiais, segundo dados divulgados pela pela Rede de Observatórios em Segurança Pública, na última quinta-feira (17), a reafirmação das políticas públicas voltadas para essa população se torna mais evidente. O Dia da Consciência Negra, celebrado neste domingo (20) e faz referência à morte do líder do Quilombo dos Palmares, Zumbi dos Palmares, e marca a luta contra o racismo e a discriminação.
Em entrevista nesta segunda-feira (21), no programa Nova Manhã, da rádio Nova Brasil FM, com o editor-chefe do Portal M!, Osvaldo Lyra, o diretor-geral da Fundação, Zulu Araújo, destacou a importância do Dia da Consciência Negra em reafirmar as políticas públicas que existem no país, porém com barreiras que impedem a igualdade entre os povos.
“É chegada a hora de aprofundar as políticas de ações afirmativas no Brasil. Elas chegaram no país desde 2001 na Conferência Mundial de Combate ao Racismo, que foi realizada na África do Sul. Esse é um marco importante porque é dele que surge as políticas de reparações. É desse marco que o governo brasileiro pela primeira vez admite ao mundo que no Brasil havia racismo. Nesse momento que foram firmadas as políticas de cotas para negros no Ensino Superior, entre outras. Já temos uma caminhada e alguns resultados positivos nessa luta, porém precisamos consolidar”, disse.
Zulu Araújo ainda lamentou que atualmente grande parte da população negra precisa lutar para ser reconhecida pelo seu potencial e ter ser seu espaço como cidadão na sociedade.
“É necessário ampliar e consolidar as políticas de ações afirmativas. É lamentável que um país como o Brasil que tem 56% da sua população de origem negra ainda tenha que está lutando para que as pessoas sejam reconhecidas não pela cor da pele ou pela sua origem social, mas sim pela competência e por ser cidadão. É isso que a gente deseja, que todos sejam tratados como cidadãos plenos dentro da sociedade.”
Segurança
Segundo dados divulgados na última quinta-feira (17), pela Rede de Observatórios em Segurança Pública, pelo menos cinco pessoas negras são mortas por dia em ações policiais no país.
Na Bahia, de 616 pessoas foram mortas em 2021, sendo 603 eram negras (528 pardas e 75 pretas). O número representa 97,9% dos casos, quando descartados os casos em que a raça da vítima não é informada.
“É impressionante que em qualquer lugar desse país, o primeiro olhar de desconfiança e discriminação é para um negro, e se for pobre, ainda pior, além de alguns ditados populares preconceituosos. Os órgãos de segurança tiram do sistema pra perguntar depois, os negros são vistos como marginais, e isso tem uma origem na história do Brasil. As primeiras polícias do país tinham como missão caçar escravos fugitivos, e isso não foi até hoje retirado desse espírito de segurança do Brasil”, relatou Zulu sobre as ações de violência contra a comunidade negra.
Para o gestor, o grande primeiro passo para uma possível mudança na política de segurança pública democrática, é fazer com que os policiais tratem os negros como cidadãos.
“Respeitando o direito que eles [negros] têm de ir e vir, é fundamental, principalmente respeitá-los como seres humanos. Não é a violência o principal instrumento e mecanismo de segurança. É importante investir na formação desses profissionais, fazendo com que a legislação seja cumprida, mas que seja da forma da lei. É inadimissivel que tenhamos 33 mil jovens negros assassinados no país ao longo de um ano, não é uma coisa normal”, pontuou.
*Confira a entrevista na íntegra:
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