Cancelamento do São João provoca estragos na cadeia produtiva da festa: “É um cenário aterrador”

Pelo segundo ano consecutivo, a festa de São João não será realizada por conta da pandemia da Covid-19; artistas e representantes de quadrilhas relatam grandes dificuldades


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redacao 13/04/2021 11:54 Cidades

As festas juninas deste ano deverão canceladas, pelo segundo ano consecutivo, em decorrência da pandemia da Covid-19. Na última segunda-feira, a Prefeitura de Camaçari foi a primeira cidade baiana a anunciar o cancelamento da festa de São João. Fora da Bahia, a Prefeitura de Caruaru, no agreste pernambucano, também decidiu por não realizar o São João da cidade.

Os prejuízos são muitos, e conforme disse o ministro do Turismo Gilson Machado em entrevista ao Portal M!, o impacto econômico será na ordem de R$ 1 bilhão e meio no Nordeste.

O comércio e os serviços das cidades do interior representa, neste período, um momento de alta nas vendas, equiparado com outras datas comemorativas, como o Natal. O cancelamento afeta uma cadeia produtiva desde o setor de alimentos e bebidas, passando por calçados e vestuário, rede de hospedagem, transporte, locação de equipamentos de som, iluminação, músicos, grupos de quadrilhas, produtos da agricultura familiar e fogos de artifícios.

Impactos

De acordo com os dados da pesquisa “Impactos da COVID-19 nos Festejos Juninos da Bahia”, do Observatório de Economia Criativa da Bahia (OBEC-BA), de 2020, o cancelamento total de contratos foi sinalizado como o maior impacto pelas bandas/grupos (por 87,8% destas), sendo também sentido de idêntica forma por 39,3% dos profissionais e prestadores de serviços.

Estes últimos, atores culturais, sofreram ainda mais intensamente a interrupção total de atividades, sentida por 63,1% dos componentes deste grupo que responderam à pesquisa.

A pesquisa apontou ainda que cerca de 50% dos contratantes revelaram ter realizado o cancelamento total dos contratos já fechados com artistas e serviços para a edição do evento que ocorreria em 2020.

Percentual equivalente a 57,1% dos respondentes do questionário de festas privadas já haviam planejado ou anunciado a edição da festa para 2020, com 28,6% tendo, inclusive, iniciado a venda de ingressos e camisas. Em seu conjunto, 64,3% dos organizadores de festas indicaram ter perda financeira de até R$100 mil neste ano.

Quadrilhas Juninas

Para o presidente da Federação Baiana de Quadrilhas Juninas, Carlos Brito, o cancelamento gera um impacto dobrado, já que as quadrilhas começam a preparação um ano antes dos festejos.
Segundo ele, o corpo de uma quadrilha junina envolve, em média, cerca de 120 pessoas, envolvendo dançarinos, músicos, diretoria e figurantes.

“É o segundo ano que não haverá as festas juninas e impacta diretamente na quadrilha, que é a principal simbologia dos festejos. As quadrilhas começam os trabalhos, um ano antes praticamente, não só de contratação de profissionais, como também a compra de materiais para produção de figurinos”, explicou ao Portal M!.

“Elas desenvolvem um trabalho grande, não só dentro do grupo, mas também na comunidade e envolvem jovens de diversas idades, para que tenham ocupações nos fins de semana, preparando os mesmos para a sociedade. Nas quadrilhas eles aprendem a arte da dança, coreografia, encenação, postura, convivência em grupo e isso a penalidade não fica tão somente para a quadrilha e sim, para uma sociedade como um todo”, disse.

Para 2022, Carlos ressaltou que há um “sentimento de esperança” com a vacinação contra a Covid-19.

“As quadrilhas injetam mais de R$ 10 milhões no comércio, fazendo a economia girar. Sabemos que o vírus não vai desaparecer, mas que o poder público possa trabalhar para minimizar, não só o problema da pandemia, como também a questão das mortes. E isso acabou afetando nosso segmento, com a morte de muitos quadrilheiros com Covid-19. A nossa esperança é que tenhamos imunidade e que o governo olhe para as quadrilhas juninas, ajudando de alguma forma, para manter a tradição”, finalizou.

Targino Gondim

Com mais de 20 anos de carreira, o sanfoneiro, cantor e compositor pernambucano, enraizado na Bahia desde 1974, Targino Gondim, é um dos artistas que também sofre com o cancelamento das festas juninas.

Curador e criador do Festival Internacional da Sanfona, em Juazeiro-BA; Festival de Forró da Chapada, em Mucugê-BA; Conecta Chapada, em Andaraí-BA; e Festival de Forró de Itacaré ,em Itacaré-BA, o artista vencedor do Grammy Latino e do Prêmio da Música Brasileira disse ao Portal M!, que o impacto do cancelamento é “um cenário aterrador”.

“O impacto para o nosso segmento é imenso. Não é brincadeira o segundo São João cancelado em um cenário aterrador”, disse.

“Tem muitos artistas no Brasil todo, e daqui na Bahia que já sofrem, sem receita e só pedindo ajuda, sem nenhum tipo de dignidade e sem conseguir exercer a sua profissão”, completou.

Para minimizar o impacto financeiro, Targino disse que as transmissões de lives são formas de divulgar e manter o trabalho.

“É uma forma de divulgar nossas produções e também de ajudar as pessoas nesse novo formato que se desenhou de ter que ficar em casa, sem aglomeração e que as pessoas consigam sobreviver a tudo isso”, pontuou.

“Vamos sobreviver com as lives. Já estou planejando fazer meus shows com minha banda a partir do mês de maio, junho e julho e criar algum tipo de receita”, completou.

Questionado sobre as perspectivas para 2022, o forrozeiro espera que o processo da vacinação seja acelerado.

“Que a aceleração venha com toda força, para que muito mais pessoas sejam vacinadas, em um tempo menor possível, para que possamos ter mais tranquilidade. O coronavírus veio pra ficar, precisamos viver pensando no próximo e desapegar da mesquinhez”, finalizou.

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