Por que ainda precisamos do 8 de março?
Quando o Dia Internacional da Mulher foi instituído em 1975 pela Organização das Nações Unidas, muitos marços antes as mulheres já marchavam pelo mundo reivindicando igualdade de direitos. Desde o começo do século passado, as mulheres operárias se levantavam do chão das fábricas, exigindo melhores condições de salário e trabalho. Nas ruas, o direito ao […]
Quando o Dia Internacional da Mulher foi instituído em 1975 pela Organização das Nações Unidas, muitos marços antes as mulheres já marchavam pelo mundo reivindicando igualdade de direitos. Desde o começo do século passado, as mulheres operárias se levantavam do chão das fábricas, exigindo melhores condições de salário e trabalho. Nas ruas, o direito ao voto feminino, hoje óbvio, era uma causa pela qual as mulheres levantavam a voz. No século atual, pelo que marchamos nós, as mulheres?
Em menos de um século, algumas desigualdades históricas foram superadas como o direito de votarmos e sermos votadas, os direitos trabalhistas e civis, porém a sensação é de que, seguindo o ritmo atual, serão necessários mais alguns séculos para que alcancemos os mesmos direitos sociais dos homens.
O progresso humano é processual, por vezes lento e nem sempre em linha reta, e por um lado há sim o que comemorar neste março quando vemos exemplos de mulheres em todo o mundo que conseguiram romper as barreiras do machismo estrutural e se destacaram nas suas vidas pessoais, profissionais ou políticas. São mulheres anônimas ou públicas que ocupam espaços de poder e decisão dentro das estruturas historicamente ocupadas por maioria ou totalidade masculina. Sim, a discussão sobre o tal “lugar da mulher” ainda existe, quando pensamos já tê-la superado.
Tomando o campo político como uma amostra, vemos que, menos de um século depois de Alzira Soriano se eleger a primeira mulher prefeita no Brasil (no município de Lajes, no Rio Grande do Norte), ainda somos a minoria dos candidatos nos partidos políticos e a minoria dos eleitos, embora sejamos a maioria da população e do eleitorado. Isso significa que precisamos trabalhar coletivamente entre nós mesmas as crenças limitantes que o machismo estrutural tenta nos impor, como a que diz que as mulheres não votam umas nas outras porque não confiam na própria capacidade de governar ou de se impor em um universo dominado pelos homens.
Os desafios da mulher desta década são muitos e nos afetam diferentemente segundo sua localização, renda, etnia, escolaridade, religião, orientação sexual e tantos outros marcadores. Há sociedades no mundo mais avançadas onde as mulheres estão em pé de igualdade com os homens, mas em grande parte do globo, e no nosso caso brasileiro, ainda precisamos de leis e políticas públicas específicas para a garantia de direitos mínimos como a vida, a segurança e o trabalho, para nos atermos ao mais essencial.
As mulheres operárias de 2022 continuam, assim como suas colegas do século passado, se erguendo contra salários mais baixos, pela manutenção de direitos básicos como a licença-maternidade, pelo fim do assédio moral e sexual, pela maior representatividade nos partidos e cargos políticos. As pautas ainda são as mesmas, embora o cenário tenha sim mudado de lá para cá.
Precisamos pautar nossa incessante luta por justiça e equidade de gênero e o apelo das datas pode ser útil para furar a bolha do silêncio em torno desse assunto. Mais do que parabéns e flores, nós mulheres queremos sentir que avançamos em relação ao 8 de março do ano passado, que não estamos sempre batendo nas mesmas teclas sem nenhum progresso. Em 2022 temos uma oportunidade de darmos voz e espaço para que nós mesmas e outras mulheres possamos falarmos por nós, com a nossa voz, e não mais através de homens bem intencionados.
Precisamos ocupar os espaços e assumir os espaço de liderança e decisão. Precisamos superar a necessidade de cotas de gênero, substituindo-as por uma equidade real. Enquanto isso, toda e qualquer lei ou política pública de reparação e proteção dos direitos das mulheres é bem-vinda. Para tanto, precisamos nos filiar, disputar os espaços, colocar nossos nomes como opções de candidatura, votarmos umas nas outras e apoiarmos nossas representantes. Em resumo: precisamos nos apoiar como os homens apoiam uns aos outros.
Que em 8 de março de 2023 possamos sentir que houve avanços e que isso renove nosso ânimo para este desafio constante que é ser mulher no mundo. Continuamos marchando em pleno século XXI, nas fábricas, nas redes, nas câmaras e plenários, e só exigimos o essencial: respeito e justiça. Avante!
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*Iris Azi é presidente do União Brasil Mulher Bahia
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*O conteúdo dos artigos é de responsabilidade dos respectivos autores, não representanto, portanto, a opinião do Portal Muita Informação!
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