ARTIGO: Vergonha à cidadania*
No próximo mês de maio, o ator José de Abreu vai receber da Assembleia Legislativa da Bahia a Comenda Dois de Julho, que é a honraria mais importante do Poder Legislativo baiano, concedida a cidadãos baianos ou não, que tenha prestados serviços ou contribuições relevantes ao Estado. No site oficial da AL-BA consta que a […]
No próximo mês de maio, o ator José de Abreu vai receber da Assembleia Legislativa da Bahia a Comenda Dois de Julho, que é a honraria mais importante do Poder Legislativo baiano, concedida a cidadãos baianos ou não, que tenha prestados serviços ou contribuições relevantes ao Estado. No site oficial da AL-BA consta que a cerimônia de entrega da homenagem vai acontecer no dia 14 de maio deste ano e a honraria foi proposta por todos os deputados da bancada do PT e protocolada em março de 2019.
Independentemente da luta ideológica, saudável em qualquer democracia, que se trava no Brasil, a honraria, ante os recentes episódios envolvendo o ator global, com postagens ofensivas à colega de profissão, e de emissora, a agora secretária nacional de Cultura, Regina Duarte, se torna uma ofensa à cidadania. Não dos baianos em si, mas do cidadão brasileiro que luta pelo respeito e pela liberdade de expressão.
Com ataques irascíveis à pessoa da atriz, com adjetivos torpes, o ator se descontrola e assume posições intolerantes do ponto de vista da cidadania, não mais contra a atual secretária nacional da cultura e muito menos do governo do presidente Jair Bolsonaro, do qual tem se mostrado um ferrenho opositor. Mas sim contra os direitos individuais, a privacidade, a personalidade cidadã.
Na sua última postagem, reproduzida por alguns veículos de comunicação, José de Abreu destila todo o seu ódio bolorento e pestilento, ou, como nas suas próprias palavras, “escroto”. No texto, transcrito a seguir, se tem a dimensão do desequilíbrio emocional do ator, chegando ao limite do intolerável, quando usa adjetivos para se referir à atriz, que é uma das mais conhecidas do meio televiso brasileiro.
Na postagem, Abreu se refere à atriz como “fascista” e desmerece a função de secretária, um cargo público com status de ministério, e entra na intimidade do que diz ter presenciado, ameaçando tornar público, algo que supostamente tenha convivido. Uma fala preconceituosa, raivosa, misógina, desrespeitosa e violenta contra a mulher e aos direitos da cidadania.
– … SIC (sic erat scriptum) “Ministra- nem isso – secretária! Eu sei o que fizemos na sua casa, na Barra da Tijuca. Eu sou artista, assumo meu vícios e me libertei deles. Mas você, assumindo um cargo público, vai ter que prestar conta deles. E eu vou cobrar isto de você. Lembra de quantos gays lhe tiraram rugas? Coloriram seus cabelos brancos? Criaram figurinos para esconder suas banhas? Vou até o fim. REGINA DUARTE, vou lhe desmascarar! Assuma seu cargo de apoiadora de fascista se tiver coragem. E aguente as consequência!”.
Numa terra como a Bahia, Salvador em particular, e em uma época em que se luta pela prevalência do respeito individual e coletivo, incluindo aí as questões de gênero, cor, religião e ideologia, atacar a integridade moral e física de uma pessoa é um comportamento que não honra quaisquer condescendência. A civilidade nas relações sociais é uma conquista cidadã e não pode ser infringida em nome de uma disputa ideológica e de rancores e frustrações não curados.
José de Abreu se vangloria do que faz, como disse recentemente: “Se der alguma merda, bicho, eu estou numa certa idade. eu tenho visto da França, eu tenho visto da Grécia. Eu posso morar em qualquer lugar do mundo. Posso trabalhar na França, meu visto dá direito. Se não puder voltar para o Brasil, não volto. Mas não vou parar. Não vou parar.” Lamentável!
A história da Bahia, onde o Dois de Julho é o reflexo simbólico dessas conquistas cidadãs, não pode ser usado por quem, por atos e palavras manifestas, vá de encontro a essas conquistas, tão caras à sociedade. Nossos heróis, Maria Quitéria e Joana Angélica, e a Bahia como um todo, não pode compactuar com tais comportamentos e emprestar sua mais alta honraria a quem tanto desrespeita os direitos cidadãos.
* Adilson Fonsêca é Jornalista e escreve nesse espaço sempre às quartas-feiras.
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