Artigo: Narrativas
Entre os anos 384 a.C a 322 a.C, Aristóteles, o influente filósofo grego e discípulo de Platão (427 a.C – 347 a.C), dizia que “O menor desvio inicial da verdade multiplica-se ao infinito à medida que avança”. É algo como o afastamento, por mais leve que seja, de duas semirretas paralelas. Quanto mais elas se […]
Entre os anos 384 a.C a 322 a.C, Aristóteles, o influente filósofo grego e discípulo de Platão (427 a.C – 347 a.C), dizia que “O menor desvio inicial da verdade multiplica-se ao infinito à medida que avança”. É algo como o afastamento, por mais leve que seja, de duas semirretas paralelas. Quanto mais elas se alongam, mais aumentam o distanciamento entre si. Da mesma forma é quando se narra a verdade dos fatos. Aristóteles dedicou parte de sua vida ao desenvolvimento dos conceitos de ética, lógica e política, e por isso mesmo suas ideias continuam a ser das mais atuais da humanidade.
Uma narrativa é uma sequência de fatos descritos em forma de uma história, e tem na figura do narrador, a apresentação dos personagens, as situações, o enredo, o espaço, o tempo e os conflitos em que aqueles acontecimentos ocorreram. O narrador passa então a ter uma função preponderante de contar o que viu e ouviu, descrevendo, na sua ótica interpretativa, a verdade dos fatos. E com isso direciona o imaginário do leitor/ouvinte durante o processo de construção do enredo. A narrativa, contudo, para que seja verdadeira, não pode se distanciar dos ratos em si.
O que se tem visto nos últimos meses no Brasil, na esfera política, é a construção de narrativas, quase todas com um mesmo direcionamento, que ataque ao Governo Federal, tendo como personagem central o presidente Jair Bolsonaro. Frágeis, por não se sustentarem nos pilares básicos do Jornalismo (o quê, onde, quando, como e porque), elas se desmontam à luz dos fatos, mas, ao mesmo tempo, servem de combustíveis aos que com elas se identificam, e por isso mesmo se alongam até quase ao infinito, deixando na sua trajetória, um rastro de destruição.
A última delas foi a questão das compras de alimentos efetuadas pelo Governo Federal no ano passado. Olhando pelo ângulo da narrativa, encabeçada por um site e imediatamente seguida pelos principais meios de comunicação (jornais, revistas e televisão), tinha-se a impressão que a Presidência da República tinha realizado um gasto astronômico. E o mais grave, é que o presidente Jair Bolsonaro, dos recursos consumidos, tinha destinado nada menos que R$ 15 milhões somente para a compra de leite condensado. Tudo desmoronou quando se verificou a realidade dos fatos.
Numa primeira leitura, o item que mais chamou a atenção das narrativas foi o custo de R$ 162 atribuído ao leite condensado. Na planilha número 00006/2020, constava a compra de R$ 60.752 pelo leite condensado, embalagem de 395 gramas, o equivalente a R$ 2,00 a unidade. A compra seria destinada às organizações militares subordinadas à 11ª Região Militar. Numa outra planilha, de número 00076, consta a compra de duas (02) caixas do mesmo produto, cujo valor unitário seria de R$ 162,00 a lata de 395 gramas. Cada caixa vem com 27 latas de 395 gramas.
Dados do Painel de Compras do Governo Federal, ferramentas de transparência da União, mostram que, ao contrário das narrativas, que falaram em aumento de gastos, o montante de pagamentos de itens de alimentação sofreu uma redução de 25% em 2020, em comparação com 2019. Em 2019 foram gastos mais de R$ 3,7 bilhões, contra os R$ 2,8 bilhões em 2020, incluindo aí a compra de leite condensado. Narrativa das mais comentadas, a compra de leite condensado teve um custo de R$ 20,2 milhões em 2020, contra R$ 31,1 milhões pagos em 2019.
Da mesma forma prevalece, até como motivo para os mais de 60 pedidos de impeachment na Câmara dos Deputados, a narrativa de que o presidente da República nada fez durante a pandemia do Coronavírus (Covid-19), e que é o responsável pelas mortes que ocorreram, porque não socorreu a população. O presidente, na ótica narrada, seria o grande propagador do vírus, porque vem se manifestando contra a implantação de lockdowns radicais por governadores e prefeitos, e porque defende a volta das atividades econômicas, com restrições sanitárias mais brandas. Mas foi graças ao Governo Federal, que 65 milhões de brasileiros foram amparados pelo Auxílio Emergencial, e se investiu mais de R$ 700 bilhões para ações de combate à pandemia nos estados e municípios.
As eleições de 2018 foram vencidas pelo presidente Jair Bolsonaro nos primeiros e segundo turnos, com ampla maioria de votos. Mas as narrativas ideológicas lutam pelo realização de um terceiro turno, quando então, uma nova eleição presidencial, sem a presença do eleitor nas urnas seriam realizadas, e poderiam ser vencidas no tapetão, atendendo, assim, aos esforços dos narradores de plantão.
* Adilson Fonseca é jornalista e escreve neste espaço às quartas-feiras.
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