ARTIGO: Investiguem o bordel!*

A criatividade das organizações criminosas no Brasil, quer sejam nas áreas penais (roubo, tráfico, sequestros, etc.) ou econômica (corrupção e Lavagem de dinheiro), não são para amadores. Superam quaisquer métodos já conhecidos. A mais nova modalidade envolve a prostituição. Não o tráfico de homens e mulheres, ou a pedofilia, mas o uso dos bordéis como […]


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Ana Cristina 11/03/2020 14:00 Artigos

A criatividade das organizações criminosas no Brasil, quer sejam nas áreas penais (roubo, tráfico, sequestros, etc.) ou econômica (corrupção e Lavagem de dinheiro), não são para amadores. Superam quaisquer métodos já conhecidos. A mais nova modalidade envolve a prostituição. Não o tráfico de homens e mulheres, ou a pedofilia, mas o uso dos bordéis como locais para a lavagem de dinheiro. Em meio aos prazeres da atividade mais antiga do mundo, milhões de eais entram pelos dutos da corrupção e saem “lavados” para benefício dos corruptores.

A chave da Caixa Preta do BNDES, ao que parece, não está nas investigações dos seus ex-diretores. Muito menos nas apurações dos financiamentos externos, até agora envolvidos em nebulosidade que não se permite enxergar metros adiante, como nos casos do Porto de Mariel, em Cuba, ou em refinarias, estradas e outros projetos também sob neblina, na Venezuela, Bolívia ou em países ditatoriais da África Central. Está em um prostíbulo do Rio de Janeiro, ou como se queira, em um bordel.

O caso envolve o deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade/SP) e está sendo julgado na 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). O Ministério Público Federal (MPF) pediu a condenação do deputado, sob a acusação de crimes de formação de quadrilha, desvio de finalidade de empréstimo oficial e lavagem de dinheiro. Segundo o MPF, parte do dinheiro desviado do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) foi “lavado” em uma casa de prostituição de luxo, no Rio de Janeiro, totalizando mais de R$ 500 milhões.

Ainda segundo o MPF, após os pagamentos dos empréstimos serem liberados pelo BNDES, o deputado desviava 2% para uso próprio. Parte dessa fatia desviada ele usou para adquirir uma casa no valor de R$ 220 mil, em Bertioga, litoral norte de São Paulo, registrada em nome de sua filha. As investigações sobre Paulinho tiveram início após encontro de provas obtidas em outro inquérito voltado à apuração de tráfico internacional de mulheres, favorecimento à prostituição e tráfico interno de pessoas. No decorrer da operação, o MPF apurou que a casa de prostituição, WE Bar e Restaurante, foi utilizada para a lavagem de dinheiro desviado pelo parlamentar. 

O mais grave, contudo, é que uma auditoria, contratada em 2018, que custou ao banco aproximadamente R$ 30 milhões, não detectou nenhuma irregularidade nos últimos anos. Conforme explicou o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, a auditoria externa, “com relação aos casos escandalosos de corrupção que houve no Brasil, e que o BNDES emprestou recursos para eles, a gente tem que esclarecer que até hoje nada de ilegal foi encontrado no BNDES”, disse. A auditoria foi contratada em 2017 e 2018, durante o governo do então presidente Michel Temer, com custo inicial total de R$ 23,4 milhões, e recebeu dois aditivos. De acordo com Montezano, em 2018, em razão da ampliação do volume de trabalho nas investigações, houve uma suplementação no valor de R$ 5,067 milhões.

Independentemente da posição do banco, o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara que apurou irregularidades no BNDES), aprovado em 22 de outubro, pede o indiciamento de 52 pessoas, entre ex-ministros da Fazenda, como Guido Mantega e Antônio Palocci, ex-presidentes e ex-diretores do BNDES e executivos de empresas como Odebrecht e JBS, que teriam feito operações suspeitas com o banco. A lista chegou a contar com os nomes dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, mas sendo derrotada na votação do relatório final.
Mas o bordel, de alto luxo, oferecia mais que os prazeres da carne. Tinha um duto pronto para a lavagem, pelo que parece.

*Adilson Fonsêca é Jornalista e escreve neste espaço sempre às quartas-feiras.

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