ARTIGO: Corrupção e outras coisas mais
Recentemente recebi uma mensagem pelo WhatsApp com o lembrete “Só para não cair no esquecimento do brasileiro”, que relacionava 85 episódios de “corrupção” ou de “crimes” no período de 2001 a 2019. A lista era extensa, mas muitos itens não resistiriam a uma análise mais aprofundada dos fatos.Ninguém há de negar a corrupção na história […]
Recentemente recebi uma mensagem pelo WhatsApp com o lembrete “Só para não cair no esquecimento do brasileiro”, que relacionava 85 episódios de “corrupção” ou de “crimes” no período de 2001 a 2019.
A lista era extensa, mas muitos itens não resistiriam a uma análise mais aprofundada dos fatos.
Ninguém há de negar a corrupção na história política brasileira. A começar quando Pero Vaz de Caminha, em sua célebre carta, já pedia ao rei português a soltura de seu genro que estava preso, assim que chegou nesta terra em que se plantando tudo dá há mais de 500 anos.
O que não muda nesse país é a compreensão do povo que acredita em falsos políticos, profetas, apóstolos e messias. Condena as más práticas dos outros, mas se esquece da prática individual de cada dia.
Muitos dos casos informados na lista foram apurados. Muitos, identificados por órgãos de controle, revelados pela imprensa, comprovados e julgados pelas instituições de Estado. Entes esses tão agredidos nos atuais dias. Dias tão trevosos.
Outros tantos casos tiveram participação de atores condenados e que hoje apoiam governos, que aí estão a negar a ciência, a verdade, a urbanidade e as noções básicas de civilidade e de democracia.
Eu, particularmente, vou abominar todas as práticas corruptas, práticas que, devidamente comprovadas, precisam ser julgadas com rigor nos termos da Carta Maior e da lei.
Será que já nos esquecemos da história do ex-ministro da Saúde Alceni Guerra, injustamente acusado de comprar 23.500 bicicletas “superfaturadas”, ou do fatídico caso da Escola Base, cujos donos foram também injustamente acusados pela imprensa de “abuso sexual contra alguns alunos de quatro anos”? Recomendo uma rápida pesquisa na rede mundial, com cuidado e atenção, para avaliar os estragos provocados pelas fake news. Afinal, vivemos na era da pós-verdade.
Outro lembrete é que devemos ter cuidado também ao replicar notícias falsas, pois, além de não serem o espelho da verdade, agora pode ser considerado crime.
Assim, cada vez mais necessitaremos de sites sérios com muita e boas informações e serviços inteligentes e independentes de checagem de informações no combate às fake news.
Nesse diapasão, vale extrair excerto do discurso de posse da Presidência do Tribunal Superior Eleitoral proferido pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, em 25/5/2020: “Também as empresas de verificação de fatos passaram a ter papel decisivo na qualidade do debate público, em busca da verdade possível, ainda que plural. A Justiça Eleitoral, por sua vez, terá grande empenho no sentido de informar e conscientizar as pessoas, alertando-as a não crer acriticamente em toda informação que recebem e, sobretudo, a não repassá-la irresponsavelmente.”
Mudando de assunto, recentemente recebi também um vídeo em que o prefeito de Salvador ACM Neto, que há muito demonstra ser um gestor público de escol, discorre sobre o Carnaval de 2020 e a Covid-19.
Nada comentei à época, mas aquela divulgação me incomodou. Pois quem, enquanto gestor público, naqueles idos e com as informações então disponíveis, faria diferente? Eu, sinceramente, não faria. Enfim, até o renomado médico Dráuzio Varela, no início do ano, comentou que essa doença era apenas mais uma gripe, se assim me lembro.
Eu mesmo, quando a pandemia foi decretada, estava nos EUA. Se fosse hoje, eu lá estaria? Evidentemente que não preciso e nem vou responder.
As pessoas erram. Errar é humano. O que é bestial é errar, negar o erro e continuar errando.
Creio que falei por demais neste artigo, mas não posso evitar as discussões sobre postagens, mesmo por vezes não baseadas em fontes confiáveis.
O ditado que diz que política, religião e futebol não se discutem por vezes prevalece, apesar de eu não concordar com ele. Afinal, como haver evolução, qualquer que seja ela, sem discussão e sem o bom e sincero debate?
Nesses tempos tão trevosos, enquanto alguns comem “cachorro-quente na rua”, nos hospitais, nas filas dos hospitais e nas favelas desse desigual país, já morreram, até hoje, mais de 147 mil pessoas, pelo menos oficialmente, já que os dados estão a revelar que nem contar mortos sabemos.
Faço esse comparar tão somente como analogia, pois sei que a corrupção endêmica, o desperdício epidêmico e a ineficiência pandêmica na administração pública brasileira já mataram e matam muito mais.
Preciso dizer mais?
Em arremate, enquanto a crise não passa, como acredito na ciência e não sou extremista de um lado e nem de outro, não vou tomar cloroquina e nem tubaína. O primeiro, porque a ciência já negou a sua eficácia (também não acredito em sementeis de feijão, a mil reais, que curam) e o segundo, pois minha sogra e meu médico Dudu já disseram que refrigerante é um mal, e faz quatro anos que sigo esse bom conselho, apesar de, por vezes, morrer de vontade de tomar uma Coca, a cola […].
————–
* Inaldo da Paixão Santos Araújo
Mestre em Contabilidade. Conselheiro-corregedor do Tribunal de Contas do Estado da Bahia, professor, escritor.
inaldo_paixao@hotmail.com
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