Ashley Malia é sucesso nas redes sociais entre as jovens mulheres negras
Jornalista e influencer produz conteúdo sobre questões raciais, questões de gênero, autoestima, autocuidado e literatura negra
No mundo dos influenciadores digitais, Ashley Malia, 24 anos, não é apenas uma produtora de conteúdos simples. A jornalista é, acima de tudo, resistência. “Se eu quisesse só ser uma blogueirinha, falando sobre coisas bobas, eu não ia conseguir porque o tempo inteiro estou ali tendo que lidar com violências”, explicou.
Atualmente com quase 40 mil seguidores no Instagram, a moradora do bairro Boca do Rio fala principalmente sobre “questões raciais, questões de gênero, autoestima, autocuidado e literatura negra”.
Sucesso baiano no mundo da internet, Ashley conta com um público de seguidores formado majotariamente por mulheres negras.
“Tem alguns homens negros que me acompanham, mas a maioria é de mulheres negras. Muita gente do Nordeste, da Bahia, de Salvador. Tem um público em São Paulo, no Rio de Janeiro, um pouco menor, mas que vem crescendo. São jovens, principalmente na minha faixa etária, mais ou menos 24 anos, e também na faixa dos 30”, disse.
No auge da carreira como produtora de conteúdo, Ashley, que também trabalha em uma agência de publicidade, está aprendendo a lidar com as boas surpresas da profissão.
“Aconteceu uma coisa engraçada alguns meses atrás, quando eu fui visitar a minha mãe, em um condomínio em Vila de Abrantes: várias crianças vieram atrás de mim pedindo pra tirar fotos. Fiquei muito chocada porque eu não imaginava esse público, eram crianças, adolescentes, na faixa dos 10 aos 14 anos”, lembrou.
História como produtora de conteúdo
O sucesso recente é fruto de muito trabalho, iniciado há cerca de dez anos, quando Ashley criou o “Blog Ashismo”. A página falava, entre outros assuntos, sobre questões raciais e feminismo. “Estava me descobrindo e foi ali que comecei a compartilhar sobre essas vivências com outras pessoas”.
O ‘estágio’ na internet garantiu a experiência que a estudante de Jornalismo precisava. Então, poucos ‘cliques’ bastaram para alcançar as redes sociais.
“No Instagram, fui produzindo conteúdo e, quando chegou em 2020, comecei a ter destaque. Iniciei 2020 com 4 mil seguidores. Aí, aconteceu tudo que aconteceu, assassinato de George Floyd, uma nova onda do movimento ‘Vidas Negras Importam’ no mundo inteiro, e aqui no Brasil não foi diferente”, lembrou.
“Falávamos sobre temáticas raciais, coisas relacionadas a racismo, antirracismo, mulheres negras, homens negros, as nossas vivências. Aqui no Brasil isso se intensificou e eu, que já produzia conteúdo, comecei a ter destaque. Saí para 30 mil seguidores em dois meses”, relatou a influencer.
Por ter se tornado uma figura importante, principalmente para jovens negros, Ashley Malia recebeu o prêmio Maria Felipa, em julho de 2020.
“Também veio um destaque pra mim com esse prêmio e aconteceram outras coisas. No final do ano passado, comecei a ganhar dinheiro com internet, comecei a fazer umas publis. Este ano, comecei a profissionalizar meu trabalho”, explicou Ashley.

Ashley e o companheiro, o designer Filipe Ribeiro, 24, que ajuda a influencer. Crédito: Arquivo pessoal
Dificuldades da profissão
Agora produtora de conteúdo e influencer profissional, Ashley Malia também conta com 19,9 mil seguidores no Twitter e 57,7 mil seguidores no TikTok, as duas redes sociais onde ela está mais ativa.
A credibilidade diante de seu público pede mais estrutura, que foi adquirida com os frutos do trabalho. “Comecei a investir em equipamentos e a trabalhar com várias marcas. Comecei a ser agenciada pela Black Influence, que tem só influenciadores negros no casting”, explicou a jornalista, que, entre as ocupações atuais, ostenta o posto de Community Manager do TikTok da Natura.
No conteúdo produzido pela influencer, os assuntos começam por conceitos básicos sobre “racismo estrutural, colorismo, apropriação cultural” e vão até a Ashley Malia ‘versão 2021’. Ela explica: “Este ano trouxe mais a minha cara, quem é Ashley Malia, o que eu faço, o que eu gosto, como eu gosto de me comunicar com as pessoas”.
“Comecei a falar sobre autoestima, autocuidado, literatura, como a minha vida foi atravessada pela literatura, principalmente livros sobre autores negros”, complementou a jornalista.

Coleção de livros da influencer. Crédito: Arquivo pessoal
Mas, no mundo da internet, nem tudo são flores. “Influenciadores negros estão ali falando sobre suas vidas, suas vivências, mas a gente acaba tendo que falar sobre racismo porque nossas vidas são atravessadas por essa violência, por esse fenômeno social”, contou.
“A internet não perdoa, as pessoas acham que é terra sem lei, tem gente que só tem perfil para produzir discurso de ódio contra pessoas negras, minorias. O tempo inteiro eu preciso falar de racismo porque me tornam alvo de violências. É um desafio falar de mim, das coisas que eu gosto, algo que para influenciadores brancos é tranquilo. Quando falo sobre cabelo, recebo comentários racistas”, pontua Ashley.
Além disso, ela reclama: “Influenciadores negros recebem menos dinheiro de publicidade […] O dinheiro que ganho com publicidade mudou minha vida, ajudei minha família, consegui morar sozinha em um lugar estruturado, não andar mais de ônibus, pra mim é surreal. Mas, para o trabalho que é feito, quando a gente vai pensar em valorização, o retorno é muito grande para os valores que as marcas pagam”.
Mesmo com as dificuldades, ela segue firme. “Hoje tenho autoestima sofuciente para usar dreadlocks, por exemplo, um tipo de cabelo que é muito estigmatizado, vítima de muito racismo na sociedade”, explicou Ashley, que se define como “uma pessoa simples, que gosta de coisas simples, como ler, assistir filmes, sair para shows, festas, viajar, conhecer outros lugares, culturas”, que gosta de se comunicar.
“Tenho gatos, gostos dos meus gatos, de plantas, gosto de tomar sol. Na internet, as pessoas acham que sou muito séria, mas sou muito engraçada, palhaça, uma pessoa normal”, detalhou.
O racismo dos perfis anônimos
“Este ano passei por um momento [em] que não estava conseguindo produzir conteúdo por tanta coisa, tanto discurso de ódio que eu estava sofrendo”, contou Ashley, que precisa lidar com essas dificuldades o tempo inteiro.
A influencer lembrou de um episódio recente: “Fui selecionada pelo próprio Instagram para produzir Reels […] No final, a gente podia escolher um conteúdo para ser patrocinado, e escolhi um vídeo mostrando meus dreads, mudanças no cabelo. Eu pintei, na raiz estava rosa e nas pontas, laranja. Quando foi patrocinado, saiu da minha bolha e atingiu um publico maior. Tive elogios, ganhei seguidores, mas a quantidade de comentários racistas aumentou e tinham vários comentários desses perfis sem foto, sem nome. Eles comentavam coisas racistas sobre meu cabelo, que meus dreads eram feios, horríveis […] me abalou muito. Fiquei indignada por não conseguir produzir um contéudo simples sem sofrer racismo, mas fui recuperando a minha força, a minha autoestima”.
Neste mês da Consciência Negra, Ashley pede que as discussões sobre racismo sejam intensificadas, mas principalmente que o assunto seja debatido o ano inteiro.
Além disso, ela deixa a seguinte mensagem para quem a acompanha: “Quando a gente ouve a gente, percebe que nossas vivências são parecidas. Falem, se expressem e, principalmente, escutem outras pessoas, pessoas pretas”.
“Fico muito feliz em ser uma referência, ter credibilidade entre meu público que está vencendo estatísticas, quebrando-as todos os dias […] Estética preta é afirmativa, meu corpo comunica quem eu sou, o que penso, pra mim isso é muito importante, isso só veio graças à internet. Ao mesmo tempo que consigo mudar várias pessoas, transformo a minha vida, é uma troca especial”, finalizou.
Leia também:
Empreendedora encontra a felicidade em sua marca de roupas com tecidos africanos
Professora é dona de curso que ensina inglês abordando temas da cultura negra
Mais Lidas
Nenhuma postagem encontrada.
Cidades
Artesanato da Bahia dá dicas de presentes para Dia dos Namorados
Defesa Civil alerta para novas chuvas no RS nesta semana
Goleada do Cuiabá sobre Criciúma deixa Vitória na lanterna do Brasileirão
ANS cobra esclarecimentos de plano de saúde sobre suspensão de vendas
Maria Romilda Maltez assume presidência da Liga Bahiana Contra Câncer
PF destrói 255 hectares de plantação de maconha na fronteira com Paraguai
Últimas Notícias
Defesa Civil alerta para novas chuvas no RS nesta semana
De acordo com o comunicado, tanto a Defesa Civil quanto a Sala de Situação do estado monitoram o avanço de uma frente fria
Sem Bolsonaro, manifestação contra Lula e Moraes fica esvaziada
Ato reuniu um número mais tímido de pessoas do que os convocados pelo próprio ex-presidente
Goleada do Cuiabá sobre Criciúma deixa Vitória na lanterna do Brasileirão
Foi a primeira vitória da equipe mato-grossense na competição
Kleber Bambam diz que foi ‘o maior fenômeno do BBB no geral’
Influencer venceu a primeira edição do reality, em 2002
ANS cobra esclarecimentos de plano de saúde sobre suspensão de vendas
A partir de 1º de julho, os clientes da Golden Cross passarão a ser atendidos na rede credenciada Amil
Em partida contra o México, Endrick iguala recordes de Pelé, mas rejeita comparações
Atleta marca com a camisa da Seleção Brasileira em três jogos consecutivos antes dos 18 anos
Prefeituras da Bahia receberão primeiro repasse do FPM de Junho com alta de 30%
Valor supera expectativas e impulsiona os cofres municipais
Lulu Santos tem “plena recuperação” após crise de gastroenterite, diz boletim
Previsão é que cantor tenha alta nesta segunda-feira (10)
Após derrota, o presidente da França dissolve parlamento e antecipa eleições legislativas
Em resposta a resultados desfavoráveis nas eleições do Parlamento Europeu, Macron busca renovar a Assembleia Nacional com novas eleições
Bahia Farm Show começa nesta segunda com expectativa de público recorde
Solenidade de abertura contará com a presença de autoridades e representantes do agronegócio nacional