Congresso deve segurar reformas e priorizar Orçamento em meio à crise política
Teor dos atos do 7 de Setembro devem escantear de vez a agenda econômica de Paulo Guedes
As manifestações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no 7 de Setembro agravou a crise política e institucional e deve escantear a agenda econômica do ministro Paulo Guedes, da pauta do Congresso Nacional. Os parlamentares vão centrar esforços na aprovação do Orçamento de 2022, que precisa ser votado para não comprometer a execução de despesas no ano que vem.
Economistas do mercado estimam que a proposta enviada pela equipe econômica tem um “buraco” de cerca de R$ 70 bilhões. O valor descoberto inclui a ampliação do Bolsa Família, ainda sem espaço certo no Orçamento, a fatura adicional provocada pela repercussão da inflação maior sobre benefícios pagos pelo governo e negociações políticas, como a renovação da política de desoneração da folha para empresas e maior volume de emendas parlamentares.
Para parlamentares, o governo dificilmente terá condições de conseguir aprovar na Câmara e no Senado propostas antes consideradas prioritárias pela equipe econômica, como o projeto que muda o Imposto de Renda e as reformas administrativa e tributária.
Partidos como MDB, Solidariedade, Cidadania, PSDB e PSD passaram a discutir o impeachment de Bolsonaro, sobretudo o PSDB que anunciou que a partir de agora será oposição ao governo.
Sem essas siglas, ficará difícil o governo formar maioria para aprovar os projetos, e mais ainda para passar as Propostas de Emenda à Constituição, que precisam de quórum de 3/5 para aprovação em dois turnos de votação.
O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (Progressistas-PR), reconhece que o clima pode continuar ruim, mas minimizou o impacto do acirramento de tensões sobre a agenda econômica. Segundo ele, as pautas devem continuar sendo votadas normalmente.
Crítico do STF, ele diz ao Estadão que, com as manifestações, o “recado está dado” ao Supremo e, sem mudanças na postura da Corte, “vamos continuar com a corda esticando”. “Acho que vai continuar como está. O ambiente não é bom”, afirma.
Um termômetro do apoio ao governo poderá ser observado durante audiência na Câmara para debater a PEC dos precatórios, marcada para esta quinta-feira (9), e que terá a presença de integrantes do Ministério da Economia.
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