Por que o PP não vai pular a cerca na Bahia?
Por Rodrigo Daniel Silva*
Foram suficientes apenas 102 dias para o deputado federal Marcelo Nilo mudar de opinião e ser mais um a se convencer que o PP não vai mudar de lado, e permanecerá no grupo político liderado por Rui Costa e Jaques Wagner. No dia 26 de fevereiro, o parlamentar garantiu: “Em 2022, a chance de João Leão ficar conosco é você ir em um avião, soltar uma gota d’água no mar, pegar um barco no Porto da Barra e encontrar essa gota d’água”.
O mesmo Nilo declarou em 8 de junho: “Eu ainda acredito que o PP ficará na base de Jaques Wagner”. Nilo alimentava o sonho de ter um lugarzinho na chapa petista com a possível pulada de cerca da família Leão para a base de ACM Neto. Mas, ao ver o governador concedendo mais espaço para o PP na gestão, Nilo viu, na verdade, o enterro da sua última quimera.
Aos poucos, o deputado deve entender também que dificilmente conseguirá subir mais um degrau na escada da política. O bonde de oportunidades passou, e ele não foi “inteligente no jeito de pongar”. Mas por que o PP não vai pular a cerca na Bahia? O PP na Câmara dos Deputados é hoje o principal representante do “centrão”, bloco político conhecido pelo fisiologismo e por não ter orientação ideológica. Na Bahia, o partido não tem se comportado de maneira diferente.
Na semana passada, João Leão avisou: “comigo não tem esse negócio de ideologia”. O deputado Cacá Leão, que é filho do vice, já disse também que o partido “não está perto de ninguém, a gente está trabalhando para construir a nossa força”. O que faz compreender que a legenda não está com Rui nem com Neto, mas consigo mesmo. A maior prova de que o partido não pensa em um projeto coletivo, mas em interesses particulares ocorreu na eleição de 2018. Naquele pleito, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, decidiu que a sigla apoiaria o tucano Geraldo Alckmin para a Presidência. Inclusive, indicou Ana Amélia para vice.
Entretanto, ao ver sua candidatura ao Senado perigar, foi o primeiro a trair Alckmin e abraçar o petista Fernando Haddad. Agora, o piauiense Ciro Nogueira fala em apoiar Bolsonaro, mesmo o Nordeste sendo a região onde o presidente tem a maior rejeição. Por quê? Deve ser porque ele não será postulante no próximo ano, pois seu mandato só encerra em 2027. Na Bahia, os progressistas já avisaram que não querem colar em Bolsonaro. Cacá tratou como “brincadeira” a especulação de que o chefe do Planalto se filiará ao PP. “Eu espero que o presidente não venha para o Progressista”, disse Niltinho.
Com cargos e recursos disponíveis no governo Rui, os membros baianos do PP têm garantida (ou quase) a reeleição. Por que iriam, então, arriscar trocar de lado e migrar para o grupo político adversário, que hoje não pode oferecer as mesmas benesses e garantias? Não há motivo, não é? O único empecilho apontado para a sigla ficar na base petista é a situação do vice-governador João Leão, que não pode tentar novamente a recondução ao posto. Mas, decerto, o grupo político encontrará uma fórmula para resolver o impasse.
Resumindo, podemos dizer que o PP dificilmente não apoiará a candidatura de Wagner, mesmo sem a segurança de que o petista vencerá o pleito. Até porque, se eventualmente o senador vier a ser derrotado e ACM Neto ganhar a disputa ao governo da Bahia no próximo ano, os progressistas baianos não ficarão acanhados de arrumar as malas para ir morar em uma casa nova em 2023. Ciro Nogueira já ensinou como faz.
*Rodrigo Daniel Silva é repórter de política da Tribuna da Bahia
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