ARTIGO: O caso Lázaro Barbosa e a falência do Estado

Por Roberto Oliveira*


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Glaucia Farias 22/06/2021 16:03 Artigos

Hoje (21), completam13 dias em que Lázaro Barbosa, suspeito de matar uma família em Ceilândia (DF) e manter diversas outras pessoas como reféns encontra-se foragido. Desde o dia do crime a polícia tem utilizado todo seu aparato (helicóptero, viatura e cães farejadores) na busca por Lázaro em sítio e matagais.

A Situação de Lázaro nos remete a dois casos inusitados e emblemáticos. O primeiro é o episódio Leonardo Pareja que em 1996, à época com 22 anos de idade, desafiava as autoridades, chegou a fazer o então presidente do Tribunal de Justiça de Goiás de refém durante uma rebelião considerada cinematográfica. E sequestrou a sobrinha de Antônio Carlos Magalhães (ACM) em Feira de Santana na Bahia. A vida do meliante se tornou capa da Revista Veja e documentário. A Publicação da veja, afirmou que Pareja “fazia a polícia de boba”.

O segundo crime inusitado é o do “Maníaco do Parque” em que Francisco de Assis Pereira, uma espécie de serial killer brasileiro entre os anos de 97 e 98, praticava seus crimes que consistia em sequestrar suas vítimas e leva-las ao parque do Estado antes de estuprar e matar.

As três situações acima nos levam a fazer alguns questionamentos:

1- Estaríamos diante da falência do sistema de segurança pública?

2- Estaria faltando investimentos em Segurança Pública?

3- Porque será que alguns administradores públicos investem em tantas outras coisas, às vezes até banais e não investem numa verdadeira política de segurança?

4- Quando nos vemos diante de situações em que o Mandatário principal do País, ao invés de governar para aqueles que mais precisam, está em plena pandemia passeando de moto, fazendo churrascos com carnes mais caro que um salário mínimo, comprando chicletes e leite condensados, que as tropas das forças armadas “nunca vi em comi, eu só ouço falar” (digo isto com a convicção de quem ouviu de três amigos nas três forças armadas de diferentes patentes, que tais iguarias, nunca chegaram às reles mortais). Tudo isto nos causa perplexidades.

5- Quantos Lázaros, Leonardo Pareja, “Maníaco do Parque” ainda precisam existir?

6- Quantas vidas de João, Maria, José, Joaquim, Antônia, ainda precisam ser ceifadas?

Nos causam perplexidades mais ainda, é saber que ao invés do estado brasileiro encontrar uma solução para o caso, acaba por cometer outro crime, quando reforça o racismo religioso, ao atribuir prática de satanismo pelo fato de encontrar na casa da mãe do meliante, objetos sagrados do candomblé.

“Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”. Como bem explica o advogado e professor de direito da UFBA Samuel Vida, ao Portal Bahia Notícias, segundo ele, a polícia se precipitou ao fazer a associação entre as religiões de matrizes africanas e o satanismo.

“Algumas das fotos remetem a alguns elementos da ritualística e da simbologia das religiosidades de matrizes africanas. Se de fato foram encontradas na casa da mãe dele, pode ser um indicativo de que a mãe de Lázaro tem alguma conexão religiosa com esse campo. O que não implica que ele tenha. Não dá para imediatamente estender essa relação a ele”.

Ainda segundo o professor, “Riachos e cachoeiras são locais tradicionais de oferenda praticados pelo campo religioso de matriz africana. Portanto, o fato de serem encontrados lá, nesse local, evidencias do culto não pode ser associado imediatamente a Lázaro. Provavelmente, em qualquer riacho ou cachoeira em locais onde exista a prática de candomblé, você vai encontrar pratos, velas, evidências de oferendas que nada têm a ver com o sacrifício humano ou práticas criminosas. Então pode ser uma evidência muito frágil”.

O historiador Marcos Resende também criticou a associação feita entre candomblé e satanismo, para ele, o estado brasileiro representado pelas polícias se constituem como redutos tradicionais de reprodução do racismo religioso sic:

“Existe uma prática antiga, que ainda se consolida em alguns nichos da Polícia, de que tudo que é do candomblé é tratado como ritual satânico. Mas, no candomblé, nós não acreditamos sequer em satanás. Eles chamam de ritual satânico ou de ‘magia negra’. Inclusive, isso não combina, não tem ligação com o que nós somos. Mas é fruto do histórico do nosso país transformar tudo que é do candomblé em algo negativo. Tudo que é de negro, né?”.

Diante do exposto, conclui-se que, o estado brasileiro, ao invés de ser eficiente e dar as respostas que a população necessita, cuida de reafirmar o racismo institucional.

*Roberto Oliveira é Bacharel em Direito; Advogado; Pós Graduado em Direito Público Municipal e Pós Graduando em Direito Eleitoral pela Universidade Católica do Salvador; Membro da Comissão de Prerrogativas da OAB Secional Bahia; Ex-Procurador Geral do Município de Gandu; Ex-Assessor da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa da Bahia.

 

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