Camila Passos: a mulher que enfrentou os piores medos para gerar um filho na pandemia
“Por mais que a chegada de um filho seja uma benção, a gravidez na pandemia foi muito solitária”, disse
A história da técnica em saúde bucal Camila Passos é a prova de que toda mãe desenvolve superpoderes para criar seus filhos. Foram inúmeros vilões que ela teve que enfrentar, além de derrotar as próprias emoções negativas para gerar o pequeno Vicente.
Moradora de Eunápolis, a 648,1 km de Salvador, Camila descobriu que estava grávida em abril de 2020, logo após se casar. Apesar de já ser mãe de uma garota de 8 anos, ela vivia algo novo: trazer para o mundo uma criança em plena pandemia da Covid-19.
A técnica em saúde bucal havia desenvolvido traumas no primeiro parto que quase levou à morte dela e de sua filha. Ao descobrir a nova gestação, o temor das complicações do parto voltaram a surgir em sua mente. Os medos antigos se juntaram com os novos, como o de evitar o contágio da doença, para não afetar o bebê e isso a fez ter uma gravidez muito solitária.
“Eu tinha medo de tudo. Comecei a ficar um pouco paranóica com medo de que acontecesse alguma coisa com a formação do bebê, por causa da Covid. E ao mesmo tempo, ninguém podia me visitar. Eu não podia sair de casa. Eu não pude mais trabalhar. Por mais que a chegada de um filho seja uma benção, a gravidez na pandemia foi muito solitária”, disse.
Conforme o surto da doença foi crescendo no país, os medos em Camila foram aumentando e novas batalhas surgiram na vida dela, como encontrar um médico para fazer o pré-natal e também o parto. Isso estava parecendo impossível para esta mãe.
“Por morar em uma cidade pequena, no período em que fiquei grávida, foi difícil encontrar médico que estivesse trabalhando para eu poder fazer meu pré-natal, mesmo particular. Porque quase ninguém mais estava querendo trabalhar [em clínica particular] e os que tinham já estavam com a agenda super lotada. Eu já vim com o trauma da primeira gravidez e quando eu não consegui médico para poder fazer meu parto eu fiquei muito desesperada. Foi com muita fé e luta que eu consegui uma médica de última hora”, relembra.
Quando Vicente nasceu os medos não diminuíram, pelo contrário, se multiplicaram. Além disso, ela teve que enfrentar os julgamentos da família, porque Camila não queria receber visitas com medo de que o bebê fosse infectado pela Covid-19.
“A gente fica paranóica. Tudo que vinha externo eu queria passar álcool, não recebi visitas. Teve gente da família que queria conhecer o VIcente, mas quase ninguém entendia o meu medo, o porquê que eu não queria ter contato com ninguém. Isso gerou um pouco de polêmica na minha família porque estava todo mundo me chamando de chata, de ‘frescurenta’, foi muito difícil e está sendo muito difícil”, conta.
Hoje, Camila continua sem receber visitas. Ela também não sai muito para outros locais. “Não só pelo contato com meu bebê, mas também para o cuidado de toda a minha família”, explica.
A vida da técnica em saúde bucal mudou drasticamente ao se tornar mãe durante a pandemia. Isso porque ela teve que escolher entre trabalhar e cuidar do filho, o que mexeu muito com ela.
“Tive que abdicar do meu trabalho, da minha vida profissional para poder ficar com ele por causa da Covid. Foi um choque muito grande para mim, porque eu tava acostumada com uma rotina totalmente diferente, independente. E ser mãe em tempo integral não é fácil. Fica um pouco cansativo porque praticamente só meu marido me ajuda”, desabafa.
Mesmo assim, Camila não esconde a emoção ao expressar a gratidão de poder gerar uma criança e celebrar esse Dia das Mães com seus filhos.
“Fora isso, é muito gostoso ser mãe. É a dádiva mais bonita e mais linda que Deus poderia dar para uma mulher, que é gerar um filho e poder criá-lo”, finaliza.
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