Mandetta e ACM Neto criticam Governo Federal por falta de atitude diante da pandemia de Covid-19

Em live, ex-prefeito de Salvador e ex-ministro da Saúde reclamaram do atraso na vacinação e da política de negacionismo diante da crise sanitária


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Ana Paula Ramos 02/03/2021 21:47 Política

O presidente nacional do Democratas, ACM Neto, e o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, fizeram duras críticas contra o Governo Federal pelo atraso na vacinação contra a Covid-19 no país e pela insistência no negacionismo.

Na avaliação deles, a postura adotada pelo Planalto tem afetado o combate ao coronavírus e pode provocar danos ainda maiores, principalmente neste momento em que há uma escalada da pandemia, que atinge seus maiores números em todo o país.

As declarações ocorreram durante live de Neto com Mandetta, pelo Instagram, na noite desta terça-feira (2). A pauta principal foi a pandemia, que tem se agravado por todo o país e, inclusive, vitimou 1.726 pessoas nesta terça, mais um recorde negativo. A média de óbitos está acima dos 1.000 casos há 41 dias consecutivos.

Mandetta alertou para o risco de se ter uma “Manaus generalizada no Brasil”.

“Tem a cepa nova, mas tem muito de comportamento. Estamos sem Ministério da Saúde, do mesmo modo que não temos perspectiva de vacina. Assim como o Ministério da Saúde não tem uma campanha de rede nacional dizendo ‘para, não faça aglomeração, use máscara, faça distanciamento’. Mas tem posição contrária”, disse o ex-ministro.

Ele lembrou também que o Brasil ficou de fora da primeira leva de vacinas entregues pela Covax, a aliança criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para garantir uma distribuição de doses aos países em desenvolvimento.

“O Brasil poderia ter pedido 50%, pediu 10% (em relação à cota da Covax). O Brasil não resolveu a parte da burocracia. São oito meses desde que assinamos a cota do Covax”, criticou.

 

Neto prega união nacional

ACM Neto destacou que o Brasil perdeu muito tempo discutindo a falsa polêmica entre ciência e  economia. Ele pregou a necessidade de uma união nacional e criticou a falta de liderança no país.

“Num momento como esse, é deixar a divergência de lado, todo mundo tem que dar as mãos. Agora, não interessa se é de direita ou de esquerda. Quando olhamos os países que estão conseguindo superar isso com menos traumas, são nações que têm liderança. Israel, Reino Unido, Estados Unidos, com Biden, ou mesmo com o Chile, que já tem quase 16% da população imunizada. Percebemos o Brasil atrasado no processo de vacinação”, afirmou.

Ele defendeu que prefeitos e governadores possam comprar vacinas. O texto-base de um projeto que autoriza a medida passou na Câmara nesta terça.

“Na prática nenhuma prefeitura nem governo conseguiu concretizar a compra de vacinas. Se a Pfizer fez um protocolo que o Governo Federal não acha adequado, deixa prefeitos e governadores comprarem. A única solução é a vacina”, reforçou, enfatizando, ainda, que o momento não permite o retorno das aulas:  “Em sã consciência, neste momento, não pode ter prefeito e governador que autorize a retomada das aulas”.

Mandetta ainda considerou uma “bobagem absurda” a ideia de que se todo mundo se contaminar haverá uma imunidade de rebanho.

“Vai ser uma tragédia monumental. A velocidade do vírus é maior. O vírus está entrando na faixa etária mais baixa. Essa doença é uma roleta russa. De março a abril, vamos conviver com esses números, que já não são bons, com tendência de piora”, disse.

Ele ainda considerou uma “agressão” do governo Bolsonaro com os governadores a divulgação de valores repassados aos estados, mas sem contextualização. A grande maioria dos recursos, na verdade, era proveniente de repasses constitucionais.

“Fiquei impressionado com a agressão aos governadores”, frisou. “A gente poderia ter evitado muito do que perdemos se tivesse uma união nacional. Se não puder curar, controle. Se não puder curar e controlar, conforte. O governo propôs uma cura equivocada, apostou na falta de controle e não deu conforto às famílias”, criticou.

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