Fim do Auxílio Emergencial traz incertezas para o comércio este ano
Para 2021, expectativa é a de que alta seja de 2%, segundo Fecomércio-BA, o que não significa recuperação
A pandemia de Covid-19 fez com que o comércio varejista, em sua maior parte, tivesse o ano de 2020 com o pior da história, ainda que forma assimétrica. Enquanto supermercados e farmácias, por exemplo, tiveram bom desempenho, outros setores acabaram amargando prejuízos, como vestuário e veículos.
Assim, em um contexto geral, a tendência é de que o segmento, aqui na Bahia, feche o ano de 2020 com uma queda de quase 8%, segundo o consultor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia (Fecomercio-BA), Guilherme Dietze.
Os dados do ano ainda estão sendo fechados e devem ser divulgados em meados de fevereiro. Mas, de acordo com ele, o auxílio emergencial foi importante para evitar que o impacto fosse ainda maior. Porém, ressaltou que o fim do benefício traz um cenário de incertezas, podendo novamente levar a prejuízos para o comércio varejista.
“Esse foi o grande ponto, pois, na Bahia, foram injetados R$ 17 bilhões, com o auxílio emergencial, para cerca de 41% dos moradores do estado, o que é uma parcela considerável (…) Se não fosse por ele, a gente teria tido uma queda em torno de 20% nas vendas. Ainda assim é um cenário ruim, já que tem alguns setores que ainda não recuperaram”, afirmou Dietze.
Até novembro, de acordo com o economista, a queda havia sido de 7,1%, subindo para 7,7% quando levado em conta o primeiro mês da pandemia, março. Em valores, o prejuízo foi de R$ 6,2 bilhões para o varejo baiano em nove meses.
“Isso é equivalente a um mês fraco de vendas. Além disso, a redução do auxílio emergencial já vem trazendo impactos para o varejo. Alguns setores básicos da economia já estão sendo afetados. O grande perigo é com relação a inflação de alimentos, que afeta o poder de compra das famílias. O percentual do grupo de alimentos e bebidas chega a 25% do orçamento. O que devemos ver nesse início de ano é uma dificuldade de retomada das vendas”, alertou Dietze.
Com relação ao Bolsa Família, ele acredita que a retomada do programa, em 2021, não será o suficiente para suplantar as perdas do auxílio emergencial.
“As proporções são muito diferentes. Estamos falando em R$ 17 bilhões projetados para um estado apenas, em nove meses, contra R$ 30 bilhões do Bolsa Família, para todo o país. Evidentemente que o Bolsa Família acaba ajudando em cidades muito pequenas, mas, no agregado, o auxílio emergencial foi fundamental para a retomada do varejo”, ressaltou.
O consultor econômico da Fecomércio-BA ainda trouxe à luz um outro impacto com o fim do auxílio emergencial: àqueles que fizeram depósitos na poupança em 2020, podem ter que recorrer a esse expediente, em 2021, para ter como pagar as contas. Ano passado, o saldo nas cadernetas de poupança, em todo o país, foi de R$ 166 bilhões, o maior registro desde a criação do Plano Real, em 1994.
“A poupança é o último estágio. Ela vai servir não para recuperar o varejo, mas pelo menos para manter o nível básico de consumo das famílias”, pontuou Guilherme.
Perspectivas
Para este ano, a expectativa do especialista é a de as vendas tenham um crescimento de 2% em relação a 2020. Contudo, Guilherme Dietze aponta que o índice não pode ser considerado uma recuperação do setor, uma vez que a comparação feita é com uma base de dados fraca, que é a do ano que passou.
Além disso, não é possível ainda mensurar o tamanho do impacto na economia com o fim do auxílio emergencial, devido as diversas variáveis envolvidas. “Além do fim do auxílio, estamos no meio de uma segunda onda da pandemia. Por isso, é importante esperar para ver como será essa retomada com comércio varejista, mesmo com o início da vacinação”, analisou.
“Temos ainda muito tempo para a vacinação das pessoas, para ver os efeitos colaterais. Estamos também com um problema político grave com as disputas entre o Executivo e o Legislativo. Isso acaba criando uma insegurança para os investidores. A única saída que a gente para consumo sustentável de longo prazo é o emprego. E ele só vem com esse investimento a longo prazo. A saída da Ford, por exemplo, criou um ambiente ruim de negócios para o pais”, lembrou Guilherme Dietze.
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