Entidades apontam que novo lockdown pode causar mais demissões e falências
Caso uma segunda onda de coronavírus ocorra com força, restringindo ainda mais o funcionamento do comércio, haverá impactos negativos sobre as vendas de Natal
Quem sofreu duramente com a pandemia da Covid-19 foram os empresários dos setores de comércio e serviços. Se uma segunda onda da doença acontecer no país, forçando o lockdown (fechamento total), eles poderão ter mais problemas, como sufoco financeiro, demissões e até falências, segundo projeções de entidades. O setor não possui ajuda dos programas emergenciais do governo.
Segundo o vice-presidente da Confederação de Dirigentes Lojistas (CDL) do Bom Retiro, Nelson Tranquez, os empresários já estão trabalhando para conter gastos, com um quadro enxuto de funcionários, além de produção e estoques menores.
“Todo mundo se adaptou para seguir em frente apenas com o mínimo necessário, exatamente para não ter nenhum problema”, afirma.
O conjunto de medidas emergenciais elaborado pelo governo para tentar conter os impactos da pandemia – linhas de crédito como o Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) e o Peac (Programa Emergencial de Acesso ao Crédito) Maquininhas – são parte do chamado Orçamento de Guerra, que acaba em 31 de dezembro.
O Orçamento de Guerra foi estabelecido no primeiro semestre com o objetivo de separar os gastos extraordinários do governo com o combate à pandemia dentro do Orçamento da União.
Nelson afirma que, principalmente no início do ano, a tendência é de fluxo de caixa ainda menor, pois as vendas em janeiro e fevereiro, historicamente, tendem a cair.
“Isso também significa que mesmo que a empresa consiga crédito, os juros ainda podem ser um problema tendo em vista o baixo volume de vendas”, disse.
Ainda segundo especialistas, caso uma segunda onda de coronavírus ocorra com força, restringindo ainda mais o funcionamento de lojas, bares e restaurantes, haverá impactos negativos sobre as vendas de Natal.
“Os números [de novos casos] não estão subindo por causa do comércio, mas porque aumentou o número de pessoas andando na rua, indo a clubes, jogos de futebol e indo a festas”, diz Pina.
“E não vai resolver só levar uma bronca de policial, pois o vírus não existe apenas em horário comercial”, afirma o economista da Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado de São Paulo (FecomercioSP), Fábio Pina.
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Percival Maricato, a volta das restrições em São Paulo e a possibilidade de uma nova onda preocupam o segmento, principalmente por causa das perdas de estoques. De acordo com ele, caso o fechamento total volte a acontecer, o setor vai fazer novas demissões e sofrer um número maior de falências.
“Até agora o segmento perdeu 30% das empresas. Muita gente fechou completamente porque não consegue arcar com os custos de manter um estabelecimento parcialmente operante”, afirma Maricato.
“Considerando ainda que 2021 começa com o retorno de muitas dívidas adiadas, com o pagamento de empréstimos bancários, aluguel pleno e impostos, o número de demissões e fechamentos pode aumentar”, completa.
A última esperança, segundo Nelson Tranquez, é a chegada de uma vacina.
* Com informações da Folhapress.
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